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Modulação da activação da célula T helper CD4+ na sinapse imunológica por gamaherpesvírus

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A característica biológica principal dos herpesvírus e a sua capacidade de persistirem durante toda a vida do hospedeiro através do estabelecimento de infecções latentes. No caso particular dos gamaherpesvirus a latência é estabelecida preferencialmente em células B de memória. Para conseguir aceder ao compartimento das células B de memória, e assim colonizar o hospedeiro de forma eficiente, os gamaherpesvirus desenvolveram estratégias que visam a exploração do ciclo de vida normal das células B. Em particular, utilizam a reacção de centro germinativo para colonizar os folículos linfóides secundários. Com esse fim, os gamaherpesvirus promovem a activaçãodas células B latentemente infectadas, induzindo a sua proliferação nos centros germinativos e a sua subsequente diferenciação em células B de memória. Estes processos celulares são controlados pela expressão de proteínas virais dedicadas a modulação das vias de sinalização das células infectadas. Uma dessas proteínas e a proteína M2 do herpesvírus de murídeo tipo 4 (MuHV-4). Recentemente demonstrou-se que M2 funciona como uma proteína adaptadora para promover a formação de complexos trimoleculares com as proteínas celulares Vav1 e Fyn, modelando dessa forma a sinalização de células B. Foi também demonstrado que esta acção de M2 e essencial para a colonização dos folículos linfóides, durante o estabelecimento inicial de latência. Para entrar nos folículos linfóides e originar uma reacção de centro germinativo, a célula B necessita de dois tipos de sinais celulares: o sinal de activação resultante da ligação do antigénio ao BCR e os sinais auxiliares de activação e sobrevivência fornecidos pela interacção com as células T helper (Th) CD4+. Uma vez que a acção de M2 é necessária para a eficiente colonização dos folículos, decidimos investigar qual o seu papel, enquanto proteína adaptadora, na modulação destes dois sinais celulares. Os resultados apresentados neste trabalho demonstram que in vivo M2 funciona como uma proteína adaptadora que promove a formação de um sinalossoma de maiores dimensões constituído por PLCγ2, Vav1, p85α, Fyn e NCK1, todas elas proteínas envolvidas na sinalização a partir do BCR. Em consequência da formação deste complexo multiproteico, PLCγ2 e fosforilada em resíduos de tirosina, na ausência de estimulação por antigénio. Os domínios de M2 essenciais para a formacao sinalossoma foram também identificados: a Y120 e os três domínios PxxP C-terminais são cruciais para as interacções proteicas, enquanto a Y129 e igualmente necessária para a indução da fosforilação de PLCγ2. O seguimento da investigação revelou que, no nosso sistema experimental, a proteína M2 polariza para a zona de contacto da sinapse imunológica (SI) formada entre células B e células Th CD4+, e que esta polarização e dependente da tirosina Y120 e dos domínios PxxP C-terminais. Os domínios de M2 essenciais para a formação do sinalossoma são igualmente importantes para promover a polarização do MTOC da célula B para a zona de contacto, o que é indicativo de que sob a influência de M2 a célula B esta mais activada. Os nossos resultados sugerem ainda que, através das suas funções moleculares como proteína adaptadora, M2 modela também o sinal transmitido na SI: aquando da expressão da proteína viral, em celulas B, a quantidade mínima de péptido necessária para activar a célula T é menor, verificando-se ainda uma maior activação da celula Th CD4+. Neste estudo, as funções de M2 na SI foram sempre dependentes da presença de antigénio específico. Em conjunto, os resultados descritos no presente estudo, revelam que M2 é uma proteína adaptadora que promove a formação de um sinalossoma, e que esta função molecular de M2 está envolvida na modulação da activação das células Th CD4+ na SI. No contexto fisiológico da infecção por MuHV-4, a intensificação do sinal transmitido na SI pela célula B pode resultar na atracção da ajuda das células Th CD4+ para as células B infectadas em detrimento das não infectadas. Assim, através das suas funções moleculares, M2 pode conseguir manipular os sinais celulares necessários para a activação e proliferação das células B, latentemente infectadas, nos centros germinativos e para a sua posterior diferenciação em células B de memória.
Autores principais:Lopes, Filipa Bravo, 1981-
Assunto:Gammaherpesvirinae Linfócitos B Sinapses imunológicas Latência viral Modulação antigénica Teses de doutoramento - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A característica biológica principal dos herpesvírus e a sua capacidade de persistirem durante toda a vida do hospedeiro através do estabelecimento de infecções latentes. No caso particular dos gamaherpesvirus a latência é estabelecida preferencialmente em células B de memória. Para conseguir aceder ao compartimento das células B de memória, e assim colonizar o hospedeiro de forma eficiente, os gamaherpesvirus desenvolveram estratégias que visam a exploração do ciclo de vida normal das células B. Em particular, utilizam a reacção de centro germinativo para colonizar os folículos linfóides secundários. Com esse fim, os gamaherpesvirus promovem a activaçãodas células B latentemente infectadas, induzindo a sua proliferação nos centros germinativos e a sua subsequente diferenciação em células B de memória. Estes processos celulares são controlados pela expressão de proteínas virais dedicadas a modulação das vias de sinalização das células infectadas. Uma dessas proteínas e a proteína M2 do herpesvírus de murídeo tipo 4 (MuHV-4). Recentemente demonstrou-se que M2 funciona como uma proteína adaptadora para promover a formação de complexos trimoleculares com as proteínas celulares Vav1 e Fyn, modelando dessa forma a sinalização de células B. Foi também demonstrado que esta acção de M2 e essencial para a colonização dos folículos linfóides, durante o estabelecimento inicial de latência. Para entrar nos folículos linfóides e originar uma reacção de centro germinativo, a célula B necessita de dois tipos de sinais celulares: o sinal de activação resultante da ligação do antigénio ao BCR e os sinais auxiliares de activação e sobrevivência fornecidos pela interacção com as células T helper (Th) CD4+. Uma vez que a acção de M2 é necessária para a eficiente colonização dos folículos, decidimos investigar qual o seu papel, enquanto proteína adaptadora, na modulação destes dois sinais celulares. Os resultados apresentados neste trabalho demonstram que in vivo M2 funciona como uma proteína adaptadora que promove a formação de um sinalossoma de maiores dimensões constituído por PLCγ2, Vav1, p85α, Fyn e NCK1, todas elas proteínas envolvidas na sinalização a partir do BCR. Em consequência da formação deste complexo multiproteico, PLCγ2 e fosforilada em resíduos de tirosina, na ausência de estimulação por antigénio. Os domínios de M2 essenciais para a formacao sinalossoma foram também identificados: a Y120 e os três domínios PxxP C-terminais são cruciais para as interacções proteicas, enquanto a Y129 e igualmente necessária para a indução da fosforilação de PLCγ2. O seguimento da investigação revelou que, no nosso sistema experimental, a proteína M2 polariza para a zona de contacto da sinapse imunológica (SI) formada entre células B e células Th CD4+, e que esta polarização e dependente da tirosina Y120 e dos domínios PxxP C-terminais. Os domínios de M2 essenciais para a formação do sinalossoma são igualmente importantes para promover a polarização do MTOC da célula B para a zona de contacto, o que é indicativo de que sob a influência de M2 a célula B esta mais activada. Os nossos resultados sugerem ainda que, através das suas funções moleculares como proteína adaptadora, M2 modela também o sinal transmitido na SI: aquando da expressão da proteína viral, em celulas B, a quantidade mínima de péptido necessária para activar a célula T é menor, verificando-se ainda uma maior activação da celula Th CD4+. Neste estudo, as funções de M2 na SI foram sempre dependentes da presença de antigénio específico. Em conjunto, os resultados descritos no presente estudo, revelam que M2 é uma proteína adaptadora que promove a formação de um sinalossoma, e que esta função molecular de M2 está envolvida na modulação da activação das células Th CD4+ na SI. No contexto fisiológico da infecção por MuHV-4, a intensificação do sinal transmitido na SI pela célula B pode resultar na atracção da ajuda das células Th CD4+ para as células B infectadas em detrimento das não infectadas. Assim, através das suas funções moleculares, M2 pode conseguir manipular os sinais celulares necessários para a activação e proliferação das células B, latentemente infectadas, nos centros germinativos e para a sua posterior diferenciação em células B de memória.