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Noradrenalina em choque séptico refratário : existirá dose máxima?
| Summary: | Introdução: A mortalidade por choque séptico refratário é muito elevada e a melhor gestão da terapêutica vasopressora ainda não é consensual. As recomendações atuais não estabelecem um limite superior para a dose de noradrenalina utilizada, sendo clinicamente difícil estabelecer o ponto de ausência de benefício terapêutico. Pretendemos caracterizar a utilização de noradrenalina no choque séptico e avaliar a mortalidade e efeitos adversos associados. Métodos: Estudo retrospetivo com todos os doentes admitidos por choque séptico numa Unidade de Cuidados Intensivos durante o ano de 2018. Análise estatística descritiva dos dados recolhidos com testes não paramétricos, bem como análise de regressão, quando adequado. A significância estatística foi definida para um p value < 0,05. Resultados: Na nossa coorte de 173 doentes, a mortalidade global foi 43,9%, chegando a 78,7% nos doentes que fizeram noradrenalina > 2,0 μg/kg/min, um valor menor do que previamente descrito. Em todos os subgrupos de doentes, a dose máxima de noradrenalina foi utilizada tendencialmente nas primeiras 48 horas de internamento. No grupo de doentes que fez noradrenalina > 2,0 μg/kg/min, a dose inicial foi 1,6 ± 1,3 μg/kg/min, a dose máxima foi 3,5 ± 1,2 μg/kg/min, e a duração da dose máxima foi 5,9 ± 4,4 horas. Houve uma correlação positiva entre a dose máxima de noradrenalina necessária e a ocorrência de isquémia digital (p = 0,01), isquémia intestinal (p = 0,02) e decisões de limitação terapêutica (p < 0,01). Conclusões: Apesar de o choque séptico permanecer uma entidade com mortalidade muito elevada, a utilização de noradrenalina de alta dose, mesmo quando superior a 2,0 μg/kg/min, parece ser clinicamente útil para reverter um quadro de choque séptico refratário, quando empregue por curtos períodos de tempo na fase inicial do mesmo. A necessidade de utilizar noradrenalina de alta dose relaciona-se com o aumento da frequência de complicações isquémicas e com a probabilidade de decisões de limitação terapêutica. |
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| Main Authors: | Martins, João Francisco Figueiredo |
| Subject: | Choque séptico refratário Noradrenalina Mortalidade Medicina intensiva |
| Year: | 2020 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | restricted access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Introdução: A mortalidade por choque séptico refratário é muito elevada e a melhor gestão da terapêutica vasopressora ainda não é consensual. As recomendações atuais não estabelecem um limite superior para a dose de noradrenalina utilizada, sendo clinicamente difícil estabelecer o ponto de ausência de benefício terapêutico. Pretendemos caracterizar a utilização de noradrenalina no choque séptico e avaliar a mortalidade e efeitos adversos associados. Métodos: Estudo retrospetivo com todos os doentes admitidos por choque séptico numa Unidade de Cuidados Intensivos durante o ano de 2018. Análise estatística descritiva dos dados recolhidos com testes não paramétricos, bem como análise de regressão, quando adequado. A significância estatística foi definida para um p value < 0,05. Resultados: Na nossa coorte de 173 doentes, a mortalidade global foi 43,9%, chegando a 78,7% nos doentes que fizeram noradrenalina > 2,0 μg/kg/min, um valor menor do que previamente descrito. Em todos os subgrupos de doentes, a dose máxima de noradrenalina foi utilizada tendencialmente nas primeiras 48 horas de internamento. No grupo de doentes que fez noradrenalina > 2,0 μg/kg/min, a dose inicial foi 1,6 ± 1,3 μg/kg/min, a dose máxima foi 3,5 ± 1,2 μg/kg/min, e a duração da dose máxima foi 5,9 ± 4,4 horas. Houve uma correlação positiva entre a dose máxima de noradrenalina necessária e a ocorrência de isquémia digital (p = 0,01), isquémia intestinal (p = 0,02) e decisões de limitação terapêutica (p < 0,01). Conclusões: Apesar de o choque séptico permanecer uma entidade com mortalidade muito elevada, a utilização de noradrenalina de alta dose, mesmo quando superior a 2,0 μg/kg/min, parece ser clinicamente útil para reverter um quadro de choque séptico refratário, quando empregue por curtos períodos de tempo na fase inicial do mesmo. A necessidade de utilizar noradrenalina de alta dose relaciona-se com o aumento da frequência de complicações isquémicas e com a probabilidade de decisões de limitação terapêutica. |
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