Publicação
Fraturas da mandíbula em idade pediátrica : a experiência de 15 anos de um hospital terciário
| Resumo: | Introdução e Objetivo: As fraturas mandibulares em crianças são as mais comuns entre as fraturas faciais na idade pediátrica. A abordagem médico-cirúrgica das fraturas maxilofaciais pediátricas é desafiante devido ao desenvolvimento do esqueleto ósseo intrínseco nesta fase etária. Para umcuidado eficaz que preserve a forma e a função da mandíbula após a lesãomaxilofacial, é fundamental compreender os mecanismos de lesão, os padrões de fratura, as modalidades de tratamento adotadas na abordagem das fraturas mandibulares pediátricas. Pretende-se fazer uma análise retrospetiva das características, da abordagem médico-cirúrgica, dos resultados e das complicações das fraturas mandibulares pediátricas tratadas cirurgicamente num Hospital terciário. Método: Foram revistos os processos clínicos e os registos operatórios de 78 doentes, com idades até aos 18 anos, com fraturas mandibulares tratadas cirurgicamente no Serviço de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética do Hospital de SantaMaria, em Lisboa, Portugal, entre os anos de 2008 a 2023. Foramanalisados dados demográficos, clínicos, mecanismos da lesão, localização e tipo de fratura, lesões associadas, tipo de tratamento e complicações. Resultados: Foram identificadas 142 fraturas em 78 doentes. A razão feminino/masculino foi 3.6:1. A idade média foi de 12,24 anos. A maior parte dos doentes tinha entre 13 e 15 anos (32%). O côndilo foi a localização anatómicamais frequentemente fraturada (26,76%). Quarenta e dois doentes (53,84%) apresentaram 2 ou mais fraturas da mandíbula. Os acidentes de viação foram o mecanismo de lesão mais frequente de fratura (26,9%), seguido das quedas (24,4%). Foram documentadas 90 lesões associadas em 56 doentes (71,8%), sendo a região da cabeça e pescoço a mais afetada (43,59%). Emrelação ao tratamento, 29 doentes (37,18%) foramsubmetidos a redução aberta e fixação interna (ORIF), enquanto 27 doentes (34,62%) foram tratados com imobilização maxilo-mandibular (IMM). Adicionalmente, 17 doentes (21,79%) foram tratados de forma combinada com ORIF + IMMe 5 doentes (6,41%) foram tratados com ORIF + tratamento conservador. As placas absorvíveis foram utilizadas em 15 (29,41%) dos procedimentos de ORIF. A ORIF foi a modalidade de tratamento preferencial para fraturas de sínfise (80%), parassínfise (90,62%) e ângulo (84,62%), enquanto as fraturas condilianas e subcondilianas forammaioritariamente tratadas com IMM(81,58% e 87,5%, respetivamente). Treze doentes (16,66%) apresentaram complicações, sendo a falência do material de osteossíntese a complicação mais comum(29,41%). Conclusão: As fraturas mandibulares em crianças apresentam uma grande variedade de padrões de fratura, sendo os resultados do tratamento influenciados por diversos fatores, nomeadamente a idade da criança, o mecanismo da lesão e a modalidade terapêutica adotada. Este estudo realça a importância de compreender estes fatores para otimizar a abordagem clínica e cirúrgica, de modo a maximizar os resultados funcionais e estéticos para os doentes. Os resultados globais do tratamento foram positivos, evidenciando a eficácia da abordagem utilizada no tratamento das fraturas mandibulares pediátricas neste centro hospitalar. Para uma melhor caracterização da taxa de complicações, são necessários estudos prospetivos comumperíodo de acompanhamento mais longo. |
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| Autores principais: | Godinho, Margarida Rodrigues Ferreira Simões |
| Assunto: | Fraturas mandibulares pediátricas Pediátria Crianças Adolescentes Trauma maxilofacial Open-reduction and internal fixation (ORIF) Imobilização maxilomandibular (IMM) |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução e Objetivo: As fraturas mandibulares em crianças são as mais comuns entre as fraturas faciais na idade pediátrica. A abordagem médico-cirúrgica das fraturas maxilofaciais pediátricas é desafiante devido ao desenvolvimento do esqueleto ósseo intrínseco nesta fase etária. Para umcuidado eficaz que preserve a forma e a função da mandíbula após a lesãomaxilofacial, é fundamental compreender os mecanismos de lesão, os padrões de fratura, as modalidades de tratamento adotadas na abordagem das fraturas mandibulares pediátricas. Pretende-se fazer uma análise retrospetiva das características, da abordagem médico-cirúrgica, dos resultados e das complicações das fraturas mandibulares pediátricas tratadas cirurgicamente num Hospital terciário. Método: Foram revistos os processos clínicos e os registos operatórios de 78 doentes, com idades até aos 18 anos, com fraturas mandibulares tratadas cirurgicamente no Serviço de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética do Hospital de SantaMaria, em Lisboa, Portugal, entre os anos de 2008 a 2023. Foramanalisados dados demográficos, clínicos, mecanismos da lesão, localização e tipo de fratura, lesões associadas, tipo de tratamento e complicações. Resultados: Foram identificadas 142 fraturas em 78 doentes. A razão feminino/masculino foi 3.6:1. A idade média foi de 12,24 anos. A maior parte dos doentes tinha entre 13 e 15 anos (32%). O côndilo foi a localização anatómicamais frequentemente fraturada (26,76%). Quarenta e dois doentes (53,84%) apresentaram 2 ou mais fraturas da mandíbula. Os acidentes de viação foram o mecanismo de lesão mais frequente de fratura (26,9%), seguido das quedas (24,4%). Foram documentadas 90 lesões associadas em 56 doentes (71,8%), sendo a região da cabeça e pescoço a mais afetada (43,59%). Emrelação ao tratamento, 29 doentes (37,18%) foramsubmetidos a redução aberta e fixação interna (ORIF), enquanto 27 doentes (34,62%) foram tratados com imobilização maxilo-mandibular (IMM). Adicionalmente, 17 doentes (21,79%) foram tratados de forma combinada com ORIF + IMMe 5 doentes (6,41%) foram tratados com ORIF + tratamento conservador. As placas absorvíveis foram utilizadas em 15 (29,41%) dos procedimentos de ORIF. A ORIF foi a modalidade de tratamento preferencial para fraturas de sínfise (80%), parassínfise (90,62%) e ângulo (84,62%), enquanto as fraturas condilianas e subcondilianas forammaioritariamente tratadas com IMM(81,58% e 87,5%, respetivamente). Treze doentes (16,66%) apresentaram complicações, sendo a falência do material de osteossíntese a complicação mais comum(29,41%). Conclusão: As fraturas mandibulares em crianças apresentam uma grande variedade de padrões de fratura, sendo os resultados do tratamento influenciados por diversos fatores, nomeadamente a idade da criança, o mecanismo da lesão e a modalidade terapêutica adotada. Este estudo realça a importância de compreender estes fatores para otimizar a abordagem clínica e cirúrgica, de modo a maximizar os resultados funcionais e estéticos para os doentes. Os resultados globais do tratamento foram positivos, evidenciando a eficácia da abordagem utilizada no tratamento das fraturas mandibulares pediátricas neste centro hospitalar. Para uma melhor caracterização da taxa de complicações, são necessários estudos prospetivos comumperíodo de acompanhamento mais longo. |
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