Publicação
Efeitos secundários da quimioterapia antineoplásica e o seu impacto na qualidade de vida dos animais de companhia
| Resumo: | O aumento da esperança de vida dos animais de companhia favorece um crescimento no número de casos de doença oncológica, havendo, desta forma, cada vez mais donos que optam pelo tratamento quimioterápico, visando o prolongamento da vida dos seus animais. No entanto, a utilização destes compostos está, inevitavelmente, associada a toxicidade em diversos sistemas do organismo, levantando dúvidas relacionadas com a manutenção da qualidade de vida dos animais. Neste contexto, pretendeu-se, com este trabalho, quantificar os efeitos adversos da quimioterapia, assim como caracterizar a qualidade de vida dos animais submetidos a esta terapêutica farmacológica. Nos animais incluídos no estudo identificou-se uma frequência de 87,1% de efeitos adversos, dos quais 45,64% ocorreram a nível hematopoiético, com a manifestação de anemia, neutropénia e trombocitopénia, e 30,87% foram do foro gastrointestinal. Destes, na espécie canina, a diarreia surgiu em 42,5% das ocasiões e o vómito em 37,5%, e nos felídeos, a frequência de vómito foi de 50% e a de anorexia de 33,33%. A maioria das manifestações de efeitos deletérios surgiram em animais de idade avançada, estiveram associadas à administração de doxorrubicina e de vincristina e foram, maioritariamente, de grau I e II. Relativamente ao questionário de qualidade de vida aplicado no estudo, nas questões sobre alterações da higiene, gastrointestinais, urinárias, cardiorrespiratórias, da mobilidade e comportamentais, a maioria dos titulares respondeu que estas nunca ocorreram e, naqueles que responderam ter ocorrido, foram apenas em algumas a raras ocasiões. Também a presença de desconforto não foi significativa para a maioria dos donos e a disposição do animal manteve-se particamente inalterada. Quando questionados sobre se o bem-estar dos seus animais piorou durante a quimioterapia, 51,67% dos donos discordou fortemente. Destes, 45,83% dos titulares de cães e 50% dos titulares de gatos responderam que discordavam fortemente quando questionados se a qualidade de vida dos seus animais diminuiu durante o tratamento. Concluiu-se, assim, que embora tenha sido observada a indução de efeitos adversos pelo tratamento quimioterápico, estes não alteraram de forma considerável os parâmetros de bem-estar e não afetou a qualidade de vida dos pacientes. |
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| Autores principais: | Paizinho, Ana Filipa Diogo da Rocha |
| Assunto: | Oncologia veterinária fármacos quimioterápicos efeitos secundários qualidade de vida Veterinary oncology chemotherapeutic drugs adverse effects quality of life |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O aumento da esperança de vida dos animais de companhia favorece um crescimento no número de casos de doença oncológica, havendo, desta forma, cada vez mais donos que optam pelo tratamento quimioterápico, visando o prolongamento da vida dos seus animais. No entanto, a utilização destes compostos está, inevitavelmente, associada a toxicidade em diversos sistemas do organismo, levantando dúvidas relacionadas com a manutenção da qualidade de vida dos animais. Neste contexto, pretendeu-se, com este trabalho, quantificar os efeitos adversos da quimioterapia, assim como caracterizar a qualidade de vida dos animais submetidos a esta terapêutica farmacológica. Nos animais incluídos no estudo identificou-se uma frequência de 87,1% de efeitos adversos, dos quais 45,64% ocorreram a nível hematopoiético, com a manifestação de anemia, neutropénia e trombocitopénia, e 30,87% foram do foro gastrointestinal. Destes, na espécie canina, a diarreia surgiu em 42,5% das ocasiões e o vómito em 37,5%, e nos felídeos, a frequência de vómito foi de 50% e a de anorexia de 33,33%. A maioria das manifestações de efeitos deletérios surgiram em animais de idade avançada, estiveram associadas à administração de doxorrubicina e de vincristina e foram, maioritariamente, de grau I e II. Relativamente ao questionário de qualidade de vida aplicado no estudo, nas questões sobre alterações da higiene, gastrointestinais, urinárias, cardiorrespiratórias, da mobilidade e comportamentais, a maioria dos titulares respondeu que estas nunca ocorreram e, naqueles que responderam ter ocorrido, foram apenas em algumas a raras ocasiões. Também a presença de desconforto não foi significativa para a maioria dos donos e a disposição do animal manteve-se particamente inalterada. Quando questionados sobre se o bem-estar dos seus animais piorou durante a quimioterapia, 51,67% dos donos discordou fortemente. Destes, 45,83% dos titulares de cães e 50% dos titulares de gatos responderam que discordavam fortemente quando questionados se a qualidade de vida dos seus animais diminuiu durante o tratamento. Concluiu-se, assim, que embora tenha sido observada a indução de efeitos adversos pelo tratamento quimioterápico, estes não alteraram de forma considerável os parâmetros de bem-estar e não afetou a qualidade de vida dos pacientes. |
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