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O ensino da Geometria na 9.ª classe em Moçambique: três professores tacteando o currículo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta dissertação baseia-se nos resultados de uma pesquisa que teve como objectivo compreender a situação do ensino da Geometria, no Ensino Secundário Geral em Moçambique, em particular da Geometria Espacial na 9ª classe, e as práticas de gestão curricular do professor que lhe estão associadas. Para tal, o investigador procurou compreender quais as perspectivas dos professores acerca da Geometria e do seu ensino, como se caracteriza o papel do professor na gestão do currículo de Matemática, em geral e da Geometria, em particular, e que dificuldades enfrentam os professores no ensino da Geometria, bem como a origem destas. Na busca de respostas para as questões de estudo aqui colocadas, o investigador optou por uma pesquisa de cunho interpretativo, seguindo uma abordagem qualitativa e modalidade de estudo de caso. O trabalho de campo foi desenvolvido em Moçambique, contando com a participação de três professores de Matemática do Ensino Secundário Geral, tendo a recolha de dados incidindo na realização de entrevistas e na análise documental. Na perspectiva dos três professores participantes nesta investigação, o ensino da Geometria deve ser efectivado tendo em conta o seu papel dentro da disciplina de Matemática e também tendo em consideração a sua relação com a realidade exterior à Matemática. Contudo, eles acham que o ensino da Geometria tem vindo a assumir um lugar cada vez mais reduzido nas práticas dos professores. Avaliando por aquilo que se vive actualmente, no ensino deste tema, os professores receiam que a médio prazo a Geometria Espacial poderá desaparecer do ensino ou, no mínimo ser tratada superficialmente, por mais que continue a figurar no programa. Os professores acham que alguns dos conteúdos são complexos para os alunos. Os professores sentem que lhes falta uma margem de autonomia para decidir sobre certos aspectos relativos ao seu trabalho. Por exemplo, eles acham que deviam estar directamente envolvidos nas reformas curriculares porque são os principais agentes responsáveis pela implementação do currículo. Apesar disso, os professores fazem a gestão do currículo colectivamente, planificando quinzenalmente ou individualmente, ao planificar cada aula. Os seus níveis de protagonismo variam entre o de imitação-manutenção, procurando reproduzir o que aparece no programa e no manual escolar e o de criação, adaptando alguns aspectos dos documentos apresentados, tendo em conta os seus alunos. O estudo realizado também permitiu conhecer a situação problemática das escolas em Moçambique. Estas não dispõem de recursos didácticos para o ensino da Geometria, tais como, manuais de Geometria para professores, modelos de sólidos geométricos e instrumentos para desenhar, facto que dificulta o trabalho de ensinar. Os professores queixam-se da insuficiência de tempo para abordar na íntegra os conteúdos de Geometria, recomendados no programa. O elevado número de alunos nas turmas constitui um outro constrangimento que dificulta o trabalho dos professores, nomeadamente no acompanhamento aos alunos, na preparação de tarefas e na correcção de trabalhos ou testes. Dado isso, adiantam-se algumas propostas: → A criação de oficinas pedagógicas para a construção de materiais didácticos para as aulas de Matemática em geral e de Geometria, em particular. → O planeamento de um acompanhamento contínuo aos professores, através de seminários ou workshops, em que tenham a oportunidade de analisar os programas de ensino e os manuais escolares e aprofundar os seus conhecimentos didácticos assim como os seus conhecimentos matemáticos.
Autores principais:Diniz, Paulo
Assunto:Ensino da Geometria em Moçambique Geometria Espacial Gestão do currículo de Matemática Perspectivas do professor Teses de mestrado - 2010
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação baseia-se nos resultados de uma pesquisa que teve como objectivo compreender a situação do ensino da Geometria, no Ensino Secundário Geral em Moçambique, em particular da Geometria Espacial na 9ª classe, e as práticas de gestão curricular do professor que lhe estão associadas. Para tal, o investigador procurou compreender quais as perspectivas dos professores acerca da Geometria e do seu ensino, como se caracteriza o papel do professor na gestão do currículo de Matemática, em geral e da Geometria, em particular, e que dificuldades enfrentam os professores no ensino da Geometria, bem como a origem destas. Na busca de respostas para as questões de estudo aqui colocadas, o investigador optou por uma pesquisa de cunho interpretativo, seguindo uma abordagem qualitativa e modalidade de estudo de caso. O trabalho de campo foi desenvolvido em Moçambique, contando com a participação de três professores de Matemática do Ensino Secundário Geral, tendo a recolha de dados incidindo na realização de entrevistas e na análise documental. Na perspectiva dos três professores participantes nesta investigação, o ensino da Geometria deve ser efectivado tendo em conta o seu papel dentro da disciplina de Matemática e também tendo em consideração a sua relação com a realidade exterior à Matemática. Contudo, eles acham que o ensino da Geometria tem vindo a assumir um lugar cada vez mais reduzido nas práticas dos professores. Avaliando por aquilo que se vive actualmente, no ensino deste tema, os professores receiam que a médio prazo a Geometria Espacial poderá desaparecer do ensino ou, no mínimo ser tratada superficialmente, por mais que continue a figurar no programa. Os professores acham que alguns dos conteúdos são complexos para os alunos. Os professores sentem que lhes falta uma margem de autonomia para decidir sobre certos aspectos relativos ao seu trabalho. Por exemplo, eles acham que deviam estar directamente envolvidos nas reformas curriculares porque são os principais agentes responsáveis pela implementação do currículo. Apesar disso, os professores fazem a gestão do currículo colectivamente, planificando quinzenalmente ou individualmente, ao planificar cada aula. Os seus níveis de protagonismo variam entre o de imitação-manutenção, procurando reproduzir o que aparece no programa e no manual escolar e o de criação, adaptando alguns aspectos dos documentos apresentados, tendo em conta os seus alunos. O estudo realizado também permitiu conhecer a situação problemática das escolas em Moçambique. Estas não dispõem de recursos didácticos para o ensino da Geometria, tais como, manuais de Geometria para professores, modelos de sólidos geométricos e instrumentos para desenhar, facto que dificulta o trabalho de ensinar. Os professores queixam-se da insuficiência de tempo para abordar na íntegra os conteúdos de Geometria, recomendados no programa. O elevado número de alunos nas turmas constitui um outro constrangimento que dificulta o trabalho dos professores, nomeadamente no acompanhamento aos alunos, na preparação de tarefas e na correcção de trabalhos ou testes. Dado isso, adiantam-se algumas propostas: → A criação de oficinas pedagógicas para a construção de materiais didácticos para as aulas de Matemática em geral e de Geometria, em particular. → O planeamento de um acompanhamento contínuo aos professores, através de seminários ou workshops, em que tenham a oportunidade de analisar os programas de ensino e os manuais escolares e aprofundar os seus conhecimentos didácticos assim como os seus conhecimentos matemáticos.