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Padrões de desflorestação e sua relação com redes rodoviárias e ferroviárias

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O continente Africano é detentor da segunda maior floresta tropical do mundo. As condições históricas do continente levaram a situações socioeconómicas e políticas que na maioria dos países resultaram numa rede rodoviária limitada e de uso temporário. Devido à governança vigente na região, existe atualmente uma incerteza e um desconhecimento relativo à sua situação infraestrutural. Com o crescimento populacional que o continente irá sofrer nas próximas décadas, torna-se imperativo aliviar a pobreza da região através de crescimento económico, o que implica um desenvolvimento infraestrutural. Neste momento existem vários projetos de desenvolvimento infraestrutural na região, que incluem 33 corredores de desenvolvimento, que consistem em infraestruturas lineares como rodovias e ferrovias. No seu total, estes projetos irão atravessar 400 áreas protegidas, deixando-as suscetíveis à desflorestação e colonização, entrando em conflito com a conservação dos biomas tropicais do continente. De momento, os impactos associados a rodovias em biomas tropicais já se encontram bastante estudados nos restantes continentes tropicais, mas o conhecimento relativo à ecologia de ferrovias encontra-se ainda severamente limitado. Como tal, torna-se imperativo expandir o conhecimento relativo aos impactos das ferrovias, de modo a determinar se poderão funcionar como uma alternativa às rodovias relativamente à questão da desflorestação, uma vez que, comparativamente às rodovias, são uma infraestrutura mais isolada. Ou se, em alternativa, será preferível aplicar uma política de prevenção do primeiro corte para garantir a conservação das florestas do continente Africano. Recorrendo à plataforma “OpenStreetMap” foram obtidos ficheiros vetoriais (em formato shapefile) resultantes de uma colaboração coletiva (crowdsourcing) referentes às infraestruturas rodoviárias e ferroviárias de vários países Africanos. Estes ficheiros foram então utilizados para selecionar pontos de amostragem e de controlo para cada país. Os pontos foram então exportados para a plataforma “Google Earth Engine”, onde, recorrendo às bases de dados de Hansen (Global Forest Change Data), foram identificadas as coberturas florestais no ano 2000 e a desflorestação dentro do período 2000-2018. A aplicação de testes de hipóteses revelou que ambos os tipos de infraestrutura induzem positivamente a desflorestação, o que indica que uma política de prevenção do primeiro corte poderá ser a melhor alternativa para o continente. No entanto, não podemos esquecer que a origem da informação referente às vias de comunicação utilizada poderá influenciar os resultados, assim como a incerteza associada ao continente Africano. Torna-se então imperativo repetir este estudo recorrendo a informação oficial relativa às vias de comunicação, assim como expandir este tipo de estudo para os restantes continentes com biomas tropicais, para ser possível definir planos oficiais de atuação e perceber a existência ou não de variabilidade ao nível do continente.
Autores principais:Sismeiro, Pedro Afonso Perdigão
Assunto:Ecologia de rodovias Ecologia de ferrovias Infraestruturas lineares Biomas tropicais Teses de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O continente Africano é detentor da segunda maior floresta tropical do mundo. As condições históricas do continente levaram a situações socioeconómicas e políticas que na maioria dos países resultaram numa rede rodoviária limitada e de uso temporário. Devido à governança vigente na região, existe atualmente uma incerteza e um desconhecimento relativo à sua situação infraestrutural. Com o crescimento populacional que o continente irá sofrer nas próximas décadas, torna-se imperativo aliviar a pobreza da região através de crescimento económico, o que implica um desenvolvimento infraestrutural. Neste momento existem vários projetos de desenvolvimento infraestrutural na região, que incluem 33 corredores de desenvolvimento, que consistem em infraestruturas lineares como rodovias e ferrovias. No seu total, estes projetos irão atravessar 400 áreas protegidas, deixando-as suscetíveis à desflorestação e colonização, entrando em conflito com a conservação dos biomas tropicais do continente. De momento, os impactos associados a rodovias em biomas tropicais já se encontram bastante estudados nos restantes continentes tropicais, mas o conhecimento relativo à ecologia de ferrovias encontra-se ainda severamente limitado. Como tal, torna-se imperativo expandir o conhecimento relativo aos impactos das ferrovias, de modo a determinar se poderão funcionar como uma alternativa às rodovias relativamente à questão da desflorestação, uma vez que, comparativamente às rodovias, são uma infraestrutura mais isolada. Ou se, em alternativa, será preferível aplicar uma política de prevenção do primeiro corte para garantir a conservação das florestas do continente Africano. Recorrendo à plataforma “OpenStreetMap” foram obtidos ficheiros vetoriais (em formato shapefile) resultantes de uma colaboração coletiva (crowdsourcing) referentes às infraestruturas rodoviárias e ferroviárias de vários países Africanos. Estes ficheiros foram então utilizados para selecionar pontos de amostragem e de controlo para cada país. Os pontos foram então exportados para a plataforma “Google Earth Engine”, onde, recorrendo às bases de dados de Hansen (Global Forest Change Data), foram identificadas as coberturas florestais no ano 2000 e a desflorestação dentro do período 2000-2018. A aplicação de testes de hipóteses revelou que ambos os tipos de infraestrutura induzem positivamente a desflorestação, o que indica que uma política de prevenção do primeiro corte poderá ser a melhor alternativa para o continente. No entanto, não podemos esquecer que a origem da informação referente às vias de comunicação utilizada poderá influenciar os resultados, assim como a incerteza associada ao continente Africano. Torna-se então imperativo repetir este estudo recorrendo a informação oficial relativa às vias de comunicação, assim como expandir este tipo de estudo para os restantes continentes com biomas tropicais, para ser possível definir planos oficiais de atuação e perceber a existência ou não de variabilidade ao nível do continente.