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Terapêutica farmacológica e complementar na perturbação do espectro do autismo : uma revisão

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é considerada uma perturbação crónica do neurodesenvolvimento, afetando cerca de 1 em cada 160 crianças (com alguma variação geográfica). É caracterizada por défices na interação e comunicação social e por um padrão de comportamentos, interesses e atividades restritivos e repetitivos, afetando grandemente a qualidade de vida dos doentes e seus familiares. A sua fisiopatologia é desconhecida, mas têm sido envolvidos tanto fatores genéticos como ambientais. Presentemente, não foi ainda identificada uma cura para a PEA, sendo o seu tratamento baseado em intervenções comportamentais e educacionais (dirigidas principalmente aos sintomas nucleares desta perturbação) e/ou terapêutica farmacológica. Contudo, a seleção farmacológica tem sido dirigida ao controlo da sintomatologia associada, em detrimento de um tratamento etiológico, e apenas dois antipsicóticos atípicos (risperidona e aripiprazol) foram aprovados pela United States Federal Drug Administration, para o controlo da irritabilidade na PEA. Devido às limitações no tratamento da PEA, diversas outras classes farmacológicas têm sido estudadas quanto ao seu potencial no controlo sintomatológico, incluindo psicostimulantes, antidepressivos, antiepiléticos e ansiolíticos, mas sem grande sucesso, dado a incerteza dos resultados das investigações. Adicionalmente, existe um novo grupo de agentes promissores, como a oxitocina, ainda em fases precoces da investigação, sendo necessários mais estudos para averiguar os seus benefícios. Por outro lado, terapias complementares e alternativas têm sido alvo de uma grande adesão por parte desta população, nomeadamente o recurso a suplementos vitamínicos e dietas restritivas, mas os resultados têm sido infrutíferos. Deste modo, as intervenções comportamentais e educacionais continuam a ser o pilar do tratamento da PEA, tornando-se premente o desenvolvimento de novas terapêuticas eficazes não só no controlo sintomatológico, como na potencial cura da patologia ou na sua prevenção. É, portanto, essencial investir no estudo da patogénese da PEA, de modo a tornar possível um tratamento etiológico.
Autores principais:Silva, Ana Daniela Vieira Bento da
Assunto:Perturbação do espectro do autismo Farmacoterapia Novas terapêuticas Medicina complementar Pediatria
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é considerada uma perturbação crónica do neurodesenvolvimento, afetando cerca de 1 em cada 160 crianças (com alguma variação geográfica). É caracterizada por défices na interação e comunicação social e por um padrão de comportamentos, interesses e atividades restritivos e repetitivos, afetando grandemente a qualidade de vida dos doentes e seus familiares. A sua fisiopatologia é desconhecida, mas têm sido envolvidos tanto fatores genéticos como ambientais. Presentemente, não foi ainda identificada uma cura para a PEA, sendo o seu tratamento baseado em intervenções comportamentais e educacionais (dirigidas principalmente aos sintomas nucleares desta perturbação) e/ou terapêutica farmacológica. Contudo, a seleção farmacológica tem sido dirigida ao controlo da sintomatologia associada, em detrimento de um tratamento etiológico, e apenas dois antipsicóticos atípicos (risperidona e aripiprazol) foram aprovados pela United States Federal Drug Administration, para o controlo da irritabilidade na PEA. Devido às limitações no tratamento da PEA, diversas outras classes farmacológicas têm sido estudadas quanto ao seu potencial no controlo sintomatológico, incluindo psicostimulantes, antidepressivos, antiepiléticos e ansiolíticos, mas sem grande sucesso, dado a incerteza dos resultados das investigações. Adicionalmente, existe um novo grupo de agentes promissores, como a oxitocina, ainda em fases precoces da investigação, sendo necessários mais estudos para averiguar os seus benefícios. Por outro lado, terapias complementares e alternativas têm sido alvo de uma grande adesão por parte desta população, nomeadamente o recurso a suplementos vitamínicos e dietas restritivas, mas os resultados têm sido infrutíferos. Deste modo, as intervenções comportamentais e educacionais continuam a ser o pilar do tratamento da PEA, tornando-se premente o desenvolvimento de novas terapêuticas eficazes não só no controlo sintomatológico, como na potencial cura da patologia ou na sua prevenção. É, portanto, essencial investir no estudo da patogénese da PEA, de modo a tornar possível um tratamento etiológico.