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Institucionalização da educação pré-escolar em Portugal : 1880-1950

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A institucionalização da criança em idade pré-escolar só recentemente se constituiu em objecto de estudo da História da Educação, sendo poucos os estudos realizados acerca desta temática em Portugal. Partindo do princípio de que, por um lado, a preocupação com a educação formal da criança em idade pré-escolar está intimamente relacionado com as (re)construções dos conceitos de família, de maternidade e de infância e, por outro, de que o processo de institucionalização da educação pré-escolar se insere num movimento mais vasto de institucionalização da educação, constitui objectivo desta dissertação a análise do processo de institucionalização da educação pré-escolar em Portugal, entre 1880 e 1950. Para tal recorreu-se à análise de conteúdo de artigos, publicados na imprensa pedagógica, sobre a educação pré-escolar. Os dados assim obtidos foram analisados através de procedimentos quantitativos (análise de ocorrências e análise estrutural) e qualitativos (comparação vertical e horizontal das unidades de registo incluídas em cada categoria/subcategoria). Os resultados obtidos permitem concluir que na origem das instituições de educação pré-escolar se encontram dois objectivos, que embora distintos estão intimamente relacionados: os objectivos sociais, centrados na família e na sociedade, e os objectivos educativos, centrados nas crianças. A prevalência de um determinado tipo de objectivos é determinante na forma como as instituições se organizam: de um lado, temos as instituições educativas, destinadas às crianças das classes mais favorecidas e onde predominam os objectivos educativos e, no outro, as instituições assistenciais, que têm como público-alvo as crianças pobres, filhas de mães trabalhadoras e onde são privilegiados os objectivos sociais. É ainda de referir que o processo de institucionalização da educação pré-escolar em Portugal se deve essencialmente à iniciativa privada, sendo o funcionamento das instituições assegurado por mulheres, pois a educação de infância é entendida como uma profissão feminina.
Autores principais:Vilhena, Carla Isabel Franco da Cruz Cardoso, 1970-
Assunto:Teses de mestrado - 2002 Educação pré-escolar - Portugal Institucionalização Objectivos sociais Educação - Fins e objectivos
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A institucionalização da criança em idade pré-escolar só recentemente se constituiu em objecto de estudo da História da Educação, sendo poucos os estudos realizados acerca desta temática em Portugal. Partindo do princípio de que, por um lado, a preocupação com a educação formal da criança em idade pré-escolar está intimamente relacionado com as (re)construções dos conceitos de família, de maternidade e de infância e, por outro, de que o processo de institucionalização da educação pré-escolar se insere num movimento mais vasto de institucionalização da educação, constitui objectivo desta dissertação a análise do processo de institucionalização da educação pré-escolar em Portugal, entre 1880 e 1950. Para tal recorreu-se à análise de conteúdo de artigos, publicados na imprensa pedagógica, sobre a educação pré-escolar. Os dados assim obtidos foram analisados através de procedimentos quantitativos (análise de ocorrências e análise estrutural) e qualitativos (comparação vertical e horizontal das unidades de registo incluídas em cada categoria/subcategoria). Os resultados obtidos permitem concluir que na origem das instituições de educação pré-escolar se encontram dois objectivos, que embora distintos estão intimamente relacionados: os objectivos sociais, centrados na família e na sociedade, e os objectivos educativos, centrados nas crianças. A prevalência de um determinado tipo de objectivos é determinante na forma como as instituições se organizam: de um lado, temos as instituições educativas, destinadas às crianças das classes mais favorecidas e onde predominam os objectivos educativos e, no outro, as instituições assistenciais, que têm como público-alvo as crianças pobres, filhas de mães trabalhadoras e onde são privilegiados os objectivos sociais. É ainda de referir que o processo de institucionalização da educação pré-escolar em Portugal se deve essencialmente à iniciativa privada, sendo o funcionamento das instituições assegurado por mulheres, pois a educação de infância é entendida como uma profissão feminina.