Publicação
Mecanismos de oncogénese viral
| Resumo: | Segundo a Organização Mundial da Saúde, o cancro é a primeira ou segunda principal causa de morte antes dos 70 anos, representando um grande problema de saúde pública a nível mundial. A possibilidade de que o cancro poderia ter uma etiologia infeciosa foi identificada no início do século XX, mas só anos mais tarde, em 1964, foi estabelecida uma relação entre o aparecimento de cancro e as infeções virais aquando da deteção de partículas virais em células tumorais derivadas do Linfoma de Burkitt. Atualmente, sete vírus são classificados como vírus oncogénicos humanos, nomeadamente, Vírus Epstein-Barr, Vírus do Papiloma Humano, Vírus da Hepatite B, Vírus da Hepatite C, Herpesvírus associado ao Sarcoma de Kaposi, Vírus Linfotrópico de células T Humanas do Tipo 1 e Poliomavírus das Células de Merkel. A oncogénese viral consiste num processo complexo que compreende inúmeros eventos genéticos induzidos pelos vírus oncogénicos, os quais possuem capacidade de modular diversas vias de transdução de sinal, tais como Pi3K-AKT-mTOR, MAPK, NOTCH, WNT/β-catenina, NF-κB e resposta a danos no DNA. A interferência destas vias pode dever-se às proteínas oncogénicas específicas de cada vírus (mecanismo direto) ou ser resultado da inflamação crónica provocada pela libertação de citocinas, quimiocinas e espécies reativas de oxigénio (mecanismo indireto). Existe ainda a teoria “Hit-and-Run”, a qual sugere que os vírus oncogénicos desencadeiam a formação de cancro após a acumulação de inúmeras mutações por parte das células hospedeiras, mesmo que o genoma viral seja, entretanto, totalmente perdido. Apesar de haver evidências que suportem esta hipótese, são necessários mais estudos que a possam comprovar. De entre todos os vírus oncogénicos humanos, destacam-se o vírus Epstein Barr, vírus do Papiloma Humano, vírus da Hepatite B e vírus da Hepatite C, visto que apresentam uma maior prevalência a nível global. Deste modo, serão aprofundados os respetivos mecanismos oncogénicos envolvendo as vias de sinalização referidas anteriormente, assim como as abordagens terapêuticas e perspetivas futuras. |
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| Autores principais: | Fadista, Inês Isabel Bicho |
| Assunto: | Oncogénese viral EBV HCV HBV HPV Mestrado Integrado - 2023 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Segundo a Organização Mundial da Saúde, o cancro é a primeira ou segunda principal causa de morte antes dos 70 anos, representando um grande problema de saúde pública a nível mundial. A possibilidade de que o cancro poderia ter uma etiologia infeciosa foi identificada no início do século XX, mas só anos mais tarde, em 1964, foi estabelecida uma relação entre o aparecimento de cancro e as infeções virais aquando da deteção de partículas virais em células tumorais derivadas do Linfoma de Burkitt. Atualmente, sete vírus são classificados como vírus oncogénicos humanos, nomeadamente, Vírus Epstein-Barr, Vírus do Papiloma Humano, Vírus da Hepatite B, Vírus da Hepatite C, Herpesvírus associado ao Sarcoma de Kaposi, Vírus Linfotrópico de células T Humanas do Tipo 1 e Poliomavírus das Células de Merkel. A oncogénese viral consiste num processo complexo que compreende inúmeros eventos genéticos induzidos pelos vírus oncogénicos, os quais possuem capacidade de modular diversas vias de transdução de sinal, tais como Pi3K-AKT-mTOR, MAPK, NOTCH, WNT/β-catenina, NF-κB e resposta a danos no DNA. A interferência destas vias pode dever-se às proteínas oncogénicas específicas de cada vírus (mecanismo direto) ou ser resultado da inflamação crónica provocada pela libertação de citocinas, quimiocinas e espécies reativas de oxigénio (mecanismo indireto). Existe ainda a teoria “Hit-and-Run”, a qual sugere que os vírus oncogénicos desencadeiam a formação de cancro após a acumulação de inúmeras mutações por parte das células hospedeiras, mesmo que o genoma viral seja, entretanto, totalmente perdido. Apesar de haver evidências que suportem esta hipótese, são necessários mais estudos que a possam comprovar. De entre todos os vírus oncogénicos humanos, destacam-se o vírus Epstein Barr, vírus do Papiloma Humano, vírus da Hepatite B e vírus da Hepatite C, visto que apresentam uma maior prevalência a nível global. Deste modo, serão aprofundados os respetivos mecanismos oncogénicos envolvendo as vias de sinalização referidas anteriormente, assim como as abordagens terapêuticas e perspetivas futuras. |
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