Publicação
Espondilodiscite por Coxiella burnetii
| Resumo: | Coxiella burnetii é o agente etiológico da Febre Q, uma zoonose com distribuição quase global, que pode ser responsável tanto por manifestações agudas como crónicas. O fenótipo mais comum da Febre Q crónica é a endocardite e o envolvimento osteo-articular é bastante incomum. Descreve-se um caso de espondilodiscite por Coxiella burnetii. Um doente do género masculino, com 82 anos de idade, apresentava quadro de paraparésia de predomínio distal com 3 anos de evolução e agravamento recente. Concomitantemente, referia lombalgia com irradiação para os membros inferiores, com cerca de 1 ano de evolução, e estava algaliado, desde há 7 meses, por retenção urinária. Não tinha antecedentes de cirurgia ortopédica e negava traumatismo da coluna. Não apresentava epidemiologia sugestiva de zoonose. Analiticamente destacavam-se velocidade de sedimentação elevada e aumento discreto da proteína C-reactiva. Os achados da tomografia computorizada da coluna foram sugestivos de espondilodiscite de L2-L3. As hemoculturas foram negativas. Foi realizada biópsia do tecido disco-vertebral e os achados histopatológicos sugeriam inflamação granulomatosa. A pesquisa de microorganismos por método de cultura e histoquímica, no produto da biópsia, foi negativa. A serologia para Coxiella burnetii revelou títulos de anticorpos elevados (IgG anti-fase I 1/2048 e IgG anti-fase II 1/1024) sugestivos de infecção crónica. Assumiu-se o diagnóstico de Febre Q crónica e iniciou-se terapêutica com doxiciclina e hidroxicloroquina. A espondilodiscite por Coxiella burnetti é uma entidade muito rara e o seu diagnóstico é dificultado pela inespecificidade da sintomatologia. Esta infecção deve ser equacionada nos casos de osteomielite crónica com evolução insidiosa, evidência histológica de inflamação granulomatosa e quando a pesquisa de microorganismos, incluindo micobactérias, é negativa. Os testes serológicos e a pesquisa do agente, por técnica de reacção em cadeia da polimerase, são métodos diagnósticos de referência. |
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| Autores principais: | Borralho, João Miguel Rodrigues |
| Assunto: | Febre Q Espondilodiscite Infecção osteo-articular Infecção granulomatosa Coxiella burnetii |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Coxiella burnetii é o agente etiológico da Febre Q, uma zoonose com distribuição quase global, que pode ser responsável tanto por manifestações agudas como crónicas. O fenótipo mais comum da Febre Q crónica é a endocardite e o envolvimento osteo-articular é bastante incomum. Descreve-se um caso de espondilodiscite por Coxiella burnetii. Um doente do género masculino, com 82 anos de idade, apresentava quadro de paraparésia de predomínio distal com 3 anos de evolução e agravamento recente. Concomitantemente, referia lombalgia com irradiação para os membros inferiores, com cerca de 1 ano de evolução, e estava algaliado, desde há 7 meses, por retenção urinária. Não tinha antecedentes de cirurgia ortopédica e negava traumatismo da coluna. Não apresentava epidemiologia sugestiva de zoonose. Analiticamente destacavam-se velocidade de sedimentação elevada e aumento discreto da proteína C-reactiva. Os achados da tomografia computorizada da coluna foram sugestivos de espondilodiscite de L2-L3. As hemoculturas foram negativas. Foi realizada biópsia do tecido disco-vertebral e os achados histopatológicos sugeriam inflamação granulomatosa. A pesquisa de microorganismos por método de cultura e histoquímica, no produto da biópsia, foi negativa. A serologia para Coxiella burnetii revelou títulos de anticorpos elevados (IgG anti-fase I 1/2048 e IgG anti-fase II 1/1024) sugestivos de infecção crónica. Assumiu-se o diagnóstico de Febre Q crónica e iniciou-se terapêutica com doxiciclina e hidroxicloroquina. A espondilodiscite por Coxiella burnetti é uma entidade muito rara e o seu diagnóstico é dificultado pela inespecificidade da sintomatologia. Esta infecção deve ser equacionada nos casos de osteomielite crónica com evolução insidiosa, evidência histológica de inflamação granulomatosa e quando a pesquisa de microorganismos, incluindo micobactérias, é negativa. Os testes serológicos e a pesquisa do agente, por técnica de reacção em cadeia da polimerase, são métodos diagnósticos de referência. |
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