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Autorregulação do comportamento alimentar na idade escolar

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Resumo:As capacidades de autorregulação alimentar são essenciais para a prevenção da obesidade. A idade escolar é um período crítico, pela maior autonomia, contudo, sabe-se menos sobre a regulação da ingestão alimentar nesta fase. Não foram identificadas medidas de relato dos pais ou de autorrelato da criança adaptadas para a população portuguesa. Este trabalho pretendeu: estudar dois instrumentos que avaliam a autorregulação alimentar, através do relato dos pais e das crianças; caracterizar a autorregulação alimentar das crianças em idade escolar, considerando dimensões das crianças e dos pais; e identificar os preditores da autorregulação alimentar. A amostra incluiu pais e crianças entre os seis e os 10 anos. Para avaliar a autorregulação alimentar foram utilizados dois instrumentos adaptados: Questionário de Autorregulação Alimentar em Crianças e Tarefa Individual de Avaliação da Autorregulação Alimentar com a Criança. Foram também avaliados o estatuto nutricional das crianças e dos pais, comportamento alimentar e temperamento da criança, e práticas parentais relacionadas com a alimentação. A amostra total incluiu 188 respostas ao questionário, 117 à tarefa, e 73 respostas emparelhadas pais-crianças. Os pais percecionam boas capacidades de autorregulação alimentar nos filhos, e o mesmo se verifica com o relato das crianças, embora com valores médios mais baixos. Os pais percecionam poucos comportamentos alimentares desregulados nos filhos, com o prazer em comer mais referido. Os dois instrumentos estudados mostraram valores adequados de consistência interna. O questionário apresentou indicadores positivos de validade convergente, através da associação com as subescalas de comportamento alimentar, e de validade de critério, através da associação com as subescalas do temperamento. O mesmo não foi verificado para a tarefa com a criança. Os preditores da autorregulação alimentar na idade escolar foram a resposta à comida, o prazer em comer e o controlo inibitório. Os resultados obtidos reforçam a necessidade de se continuar a estudar a autorregulação alimentar nesta faixa etária, bem como o estudo de outras dimensões das crianças e do ambiente que possam influenciar esta dimensão.
Autores principais:André, Mariana Nunes
Assunto:Autorregulação Comportamento alimentar Idade escolar Práticas parentais Crianças Impulsividade Dissertações de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As capacidades de autorregulação alimentar são essenciais para a prevenção da obesidade. A idade escolar é um período crítico, pela maior autonomia, contudo, sabe-se menos sobre a regulação da ingestão alimentar nesta fase. Não foram identificadas medidas de relato dos pais ou de autorrelato da criança adaptadas para a população portuguesa. Este trabalho pretendeu: estudar dois instrumentos que avaliam a autorregulação alimentar, através do relato dos pais e das crianças; caracterizar a autorregulação alimentar das crianças em idade escolar, considerando dimensões das crianças e dos pais; e identificar os preditores da autorregulação alimentar. A amostra incluiu pais e crianças entre os seis e os 10 anos. Para avaliar a autorregulação alimentar foram utilizados dois instrumentos adaptados: Questionário de Autorregulação Alimentar em Crianças e Tarefa Individual de Avaliação da Autorregulação Alimentar com a Criança. Foram também avaliados o estatuto nutricional das crianças e dos pais, comportamento alimentar e temperamento da criança, e práticas parentais relacionadas com a alimentação. A amostra total incluiu 188 respostas ao questionário, 117 à tarefa, e 73 respostas emparelhadas pais-crianças. Os pais percecionam boas capacidades de autorregulação alimentar nos filhos, e o mesmo se verifica com o relato das crianças, embora com valores médios mais baixos. Os pais percecionam poucos comportamentos alimentares desregulados nos filhos, com o prazer em comer mais referido. Os dois instrumentos estudados mostraram valores adequados de consistência interna. O questionário apresentou indicadores positivos de validade convergente, através da associação com as subescalas de comportamento alimentar, e de validade de critério, através da associação com as subescalas do temperamento. O mesmo não foi verificado para a tarefa com a criança. Os preditores da autorregulação alimentar na idade escolar foram a resposta à comida, o prazer em comer e o controlo inibitório. Os resultados obtidos reforçam a necessidade de se continuar a estudar a autorregulação alimentar nesta faixa etária, bem como o estudo de outras dimensões das crianças e do ambiente que possam influenciar esta dimensão.