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Epopeia e paródia na literatura grega antiga: recursos paródicos e imitação homérica na Batracomiomaquia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A paródia germina da tradição épica antiga como forma baixa que lhe é subsidiária, dela aproveitando o prestígio de género e a familiaridade dos recursos canónicos. Embora pouco conceituados na sua génese, os cantos paródicos proliferam na literatura grega, ao longo da qual adoptam diferentes configurações, mediante os géneros com que se cruzam e as variadas circunstâncias que os enquadram. Proteica e polissémica na relação subversora com a poesia homérica, a paródia torna-se indefinível no seu percurso evolutivo, constantemente aberto a múltiplas transformações. Alguns aspectos, contudo, persistem em acompanhá-la, como a justaposição de realidades antagónicas, que se traduz na incongruência entre a gravidade do estilo e a vulgarização do conteúdo. Esta polaridade de opostos, do âmbito da paródia, originou o surgimento de um novo género na cultura europeia, a poesia herói-cómica. A Batracomiomaquia alcançou tamanha celebridade na literatura grega a ponto de ter sido tomada como clímax inaugurador do género herói-cómico. Este poema, de que não se conhecem com exactidão o autor, a data, a extensão e o próprio título, recria os recursos homéricos tradicionais, que o público não teria dificuldade em reconhecer por detrás das subversões efectuadas. São deslocados do contexto épico para o paródico os temas odisseicos das viagens e da hospitalidade, bem como os temas iliádicos da guerra e do desempenho heróico. Outros aspectos da epopeia antiga, comuns às duas grandes narrativas homéricas, recebem igualmente um tratamento renovado no novo contexto: a maquinaria divina e o estilo formular. O elevado surge diminuído em estatuto quando aplicado a figuras anti-heróicas – animalejos como ratos e rãs –, ao mesmo tempo que o baixo vem magnificado, pela preeminência do modelo, os poemas de Homero.
Autores principais:Fonseca, Rui Carlos Reis, 1984-
Assunto:Batracomiomaquia Homero, 08..?-08..? a.C. - Paródias, pastiches Epopeias gregas - História e crítica Paródia antigas - História e crítica Paródia (Literatura) - História e crítica Heróis (Literatura) Teses de doutoramento - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A paródia germina da tradição épica antiga como forma baixa que lhe é subsidiária, dela aproveitando o prestígio de género e a familiaridade dos recursos canónicos. Embora pouco conceituados na sua génese, os cantos paródicos proliferam na literatura grega, ao longo da qual adoptam diferentes configurações, mediante os géneros com que se cruzam e as variadas circunstâncias que os enquadram. Proteica e polissémica na relação subversora com a poesia homérica, a paródia torna-se indefinível no seu percurso evolutivo, constantemente aberto a múltiplas transformações. Alguns aspectos, contudo, persistem em acompanhá-la, como a justaposição de realidades antagónicas, que se traduz na incongruência entre a gravidade do estilo e a vulgarização do conteúdo. Esta polaridade de opostos, do âmbito da paródia, originou o surgimento de um novo género na cultura europeia, a poesia herói-cómica. A Batracomiomaquia alcançou tamanha celebridade na literatura grega a ponto de ter sido tomada como clímax inaugurador do género herói-cómico. Este poema, de que não se conhecem com exactidão o autor, a data, a extensão e o próprio título, recria os recursos homéricos tradicionais, que o público não teria dificuldade em reconhecer por detrás das subversões efectuadas. São deslocados do contexto épico para o paródico os temas odisseicos das viagens e da hospitalidade, bem como os temas iliádicos da guerra e do desempenho heróico. Outros aspectos da epopeia antiga, comuns às duas grandes narrativas homéricas, recebem igualmente um tratamento renovado no novo contexto: a maquinaria divina e o estilo formular. O elevado surge diminuído em estatuto quando aplicado a figuras anti-heróicas – animalejos como ratos e rãs –, ao mesmo tempo que o baixo vem magnificado, pela preeminência do modelo, os poemas de Homero.