Publicação
O Paradoxo da Participação Política dos Jovens em Portugal: desinteresse político ou transformação dos repertórios participativos?
| Resumo: | A sustentabilidade das democracias contemporâneas enfrenta o desafio crítico do afastamento eleitoral das novas gerações. A presente dissertação investiga o caso português, analisando se a baixa afluência às urnas traduz um desinteresse estrutural pela causa pública ou uma reconfiguração dos modos de cidadania. Através de uma abordagem quantitativa e dedutiva, sustentada num inquérito nacional realizado em 2023 coordenado pelo CAPP-ISCSP, o estudo desconstrói o paradoxo da participação juvenil. Os resultados evidenciam que o acentuado abstencionismo na faixa etária dos 18 aos 24 anos não é sinónimo de apatia, mas coexiste com uma predominância significativa em formas de participação política não convencional. Contrariando a tese do alheamento cívico, demonstra-se que os jovens portugueses substituíram a passividade institucional por um ativismo de causas, superando as gerações mais velhas em ações de protesto e mobilização direta. A investigação revela ainda uma dualidade nos determinantes do voto: enquanto na fase de transição para a idade adulta (18-24 anos) a abstenção é explicada por défices de recursos e instabilidade residencial, nos jovens adultos (25-34 anos) o comportamento eleitoral passa a ser regido por atitudes políticas consolidadas e pela confiança institucional. Conclui-se que a reintegração política desta geração não passa por medidas coercivas, como o voto obrigatório, que recolhem fraco apoio juvenil. Em vez disso, os dados sugerem que o caminho para o regresso às urnas reside na qualificação da democracia através de incentivos educacionais e de uma maior abertura do sistema político à representação substantiva dos interesses juvenis. |
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| Autores principais: | Fernandes,Rita Santos |
| Assunto: | Participação Política Juventude Voto Participação Não Convencional Portugal Political Participation Youth Vote Non-conventional Participation |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A sustentabilidade das democracias contemporâneas enfrenta o desafio crítico do afastamento eleitoral das novas gerações. A presente dissertação investiga o caso português, analisando se a baixa afluência às urnas traduz um desinteresse estrutural pela causa pública ou uma reconfiguração dos modos de cidadania. Através de uma abordagem quantitativa e dedutiva, sustentada num inquérito nacional realizado em 2023 coordenado pelo CAPP-ISCSP, o estudo desconstrói o paradoxo da participação juvenil. Os resultados evidenciam que o acentuado abstencionismo na faixa etária dos 18 aos 24 anos não é sinónimo de apatia, mas coexiste com uma predominância significativa em formas de participação política não convencional. Contrariando a tese do alheamento cívico, demonstra-se que os jovens portugueses substituíram a passividade institucional por um ativismo de causas, superando as gerações mais velhas em ações de protesto e mobilização direta. A investigação revela ainda uma dualidade nos determinantes do voto: enquanto na fase de transição para a idade adulta (18-24 anos) a abstenção é explicada por défices de recursos e instabilidade residencial, nos jovens adultos (25-34 anos) o comportamento eleitoral passa a ser regido por atitudes políticas consolidadas e pela confiança institucional. Conclui-se que a reintegração política desta geração não passa por medidas coercivas, como o voto obrigatório, que recolhem fraco apoio juvenil. Em vez disso, os dados sugerem que o caminho para o regresso às urnas reside na qualificação da democracia através de incentivos educacionais e de uma maior abertura do sistema político à representação substantiva dos interesses juvenis. |
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