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Estágio no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais : avaliação do estado nutricional e da capacidade funcional de doentes com diagnóstico clínico de AVC

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Está descrito que a frequência de desnutrição associada à doença afeta cerca de 30 a 60% dos doentes no momento da admissão hospitalar. A desnutrição tem vindo a ser associada a graves consequências, como ao maior risco de infeções e de disfunção de órgãos e a um aumento significativo, não só da morbilidade e mortalidade, como da frequência e dos custos com os cuidados de saúde. A falta de reconhecimento e da monitorização dos aspetos relacionados com o estado nutricional têm sido apontados como fatores que contribuem para o aumento da frequência de desnutrição, durante o internamento hospitalar. O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte em Portugal. Nestes doentes, a apoplexia cerebral provoca várias alterações que conduzem a dificuldades alimentares, diminuição da ingestão alimentar, infeção, febre e outras complicações que induzem um aumento do catabolismo e, por conseguinte, um pior estado nutricional. A capacidade funcional é um dos importantes marcadores de qualidade de vida. A perda dessa capacidade está associada a predição de fragilidade, dependência, institucionalização, risco aumentado de quedas, morte e problemas de mobilidade, trazendo complicações ao longo do tempo e gerando cuidados de longa permanência e alto custo. O estágio desenvolvido no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, teve como objetivo, avaliar o estado nutricional dos doentes e implementar uma terapêutica nutricional adequada. Foram avaliados 102 doentes, sendo que 54% eram do sexo feminino e 46% do sexo masculino, com uma média de idades de 68,5± 15,65 anos. Foi aplicado o instrumento de identificação de risco nutricional MUST (Malnutrition Universal Screening Tool), obtendo-se os seguintes resultados: 69,6% dos indivíduos apresentaram baixo risco de desnutrição; 9,8% apresentaram risco médio; 20,6% apresentaram alto risco de desnutrição. Foi ainda realizado um estudo em que se pretendeu conhecer e avaliar o estado nutricional de doentes com diagnóstico clínico de AVC e relacionar esse estado nutricional com a sua capacidade funcional. Tratou-se de um estudo observacional, analítico, transversal, quantitativo e correlacional. O estudo desenvolveu-se na Unidade de Cuidados Continuados de Convalescença do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais durante o período de estágio, de dezembro de 2015 a março de 2016. Foram recolhidos dados de saúde e realizada avaliação nutricional e da capacidade funcional. A amostra foi constituída por 31 doentes com diagnóstico clínico de AVC, 55% do sexo masculino e 45% do sexo feminino, com uma média de idades de 67± 12 anos. Foi possível caracterizar e estimar a prevalência da desnutrição e do risco de desnutrição na admissão hospitalar e à oitava semana de internamento, bem como avaliar a capacidade funcional no mesmo período de tempo. No que diz respeito ao registo de saúde, dos 31 doentes em estudo, 67,7% correspondiam ao AVC do tipo isquémico e 32,3% ao AVC do tipo hemorrágico. Os fatores de risco com maior destaque foram a hipertensão arterial (82,1%), a dislipidémia (42,9%) e a obesidade (32,1%). Relativamente à disfagia, esta teve presente em 41,9% dos doentes. No que concerne à caracterização antropométrica: O cálculo do índice de massa corporal (IMC) mostrou-se pouco sensível na identificação de doentes desnutridos ou em risco de desnutrição, tendo identificado apenas 12,9% dos doentes na avaliação inicial e 13% na avaliação final. A adequação do perímetro braquial (PB) identificou desnutrição em mais de metade dos doentes (51,6%/54,9%) no momento inicial e final, respetivamente. Por outro lado, a prega cutânea tricipital (PCT) revelou elevados valores de massa gorda, com 51,6% dos doentes a apresentarem excesso de peso ou obesidade em ambos os momentos de avaliação. A adequação do perímetro muscular braquial (PMB) revelou ser um forte indicador de desnutrição, sendo que 80,7% dos doentes apresentaram esta classificação em ambas as avaliações. O perímetro da pantorrilha (PP) identificou 64,6%/64,5% (momento inicial/final, respetivamente) de doentes com desnutrição e relacionou-se positivamente com um maior desempenho funcional. O Mini Nutrirional Assessment (MNA) manifestou ser um instrumento de referência na identificação de desnutrição e risco nutricional, tendo identificado 93,6% dos casos na primeira avaliação. A aplicação do MNA forneceu dados sobre aspetos funcionais, nutricionais e ponderais, parecendo ser um bom preditor do estado funcional dos doentes. Relativamente à caracterização nutricional, os valores médios encontrados para os parâmetros plasmáticos estudados revelaram-se dentro do recomendável, exceto o LDL (Low Density Lipoprotein), que se apresentou abaixo das recomendações. A albumina foi o parâmetro plasmático que mais se associou à capacidade funcional. Foi realizada avaliação da capacidade funcional através do Índice de Barthel (IB) e da Medida de Independência Funcional (MIF). Pelo IB, 27 doentes melhoraram a sua capacidade funcional e 4 mantiveram a sua dependência da primeira para a última avaliação. Pela MIF, 30 doentes melhoraram e 1 doente manteve o seu grau de dependência. Pela análise da ingestão alimentar, verificou-se um desperdício alimentar elevado (23,9%). Os resultados obtidos sinalizam a elevada prevalência de desnutrição e alertam para a necessidade de procedimentos protocolados de avaliação e intervenção nutricional. O acompanhamento nutricional de doentes hospitalizados é um fator determinante e fundamental na recuperação/ reabilitação dos mesmos.
Autores principais:Boieiro, Inês Mónica, 1991-
Assunto:Avaliação do estado nutricional Avaliação da capacidade funcional Desnutrição Acidente vascular cerebral Relatórios de estágio de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Está descrito que a frequência de desnutrição associada à doença afeta cerca de 30 a 60% dos doentes no momento da admissão hospitalar. A desnutrição tem vindo a ser associada a graves consequências, como ao maior risco de infeções e de disfunção de órgãos e a um aumento significativo, não só da morbilidade e mortalidade, como da frequência e dos custos com os cuidados de saúde. A falta de reconhecimento e da monitorização dos aspetos relacionados com o estado nutricional têm sido apontados como fatores que contribuem para o aumento da frequência de desnutrição, durante o internamento hospitalar. O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte em Portugal. Nestes doentes, a apoplexia cerebral provoca várias alterações que conduzem a dificuldades alimentares, diminuição da ingestão alimentar, infeção, febre e outras complicações que induzem um aumento do catabolismo e, por conseguinte, um pior estado nutricional. A capacidade funcional é um dos importantes marcadores de qualidade de vida. A perda dessa capacidade está associada a predição de fragilidade, dependência, institucionalização, risco aumentado de quedas, morte e problemas de mobilidade, trazendo complicações ao longo do tempo e gerando cuidados de longa permanência e alto custo. O estágio desenvolvido no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, teve como objetivo, avaliar o estado nutricional dos doentes e implementar uma terapêutica nutricional adequada. Foram avaliados 102 doentes, sendo que 54% eram do sexo feminino e 46% do sexo masculino, com uma média de idades de 68,5± 15,65 anos. Foi aplicado o instrumento de identificação de risco nutricional MUST (Malnutrition Universal Screening Tool), obtendo-se os seguintes resultados: 69,6% dos indivíduos apresentaram baixo risco de desnutrição; 9,8% apresentaram risco médio; 20,6% apresentaram alto risco de desnutrição. Foi ainda realizado um estudo em que se pretendeu conhecer e avaliar o estado nutricional de doentes com diagnóstico clínico de AVC e relacionar esse estado nutricional com a sua capacidade funcional. Tratou-se de um estudo observacional, analítico, transversal, quantitativo e correlacional. O estudo desenvolveu-se na Unidade de Cuidados Continuados de Convalescença do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais durante o período de estágio, de dezembro de 2015 a março de 2016. Foram recolhidos dados de saúde e realizada avaliação nutricional e da capacidade funcional. A amostra foi constituída por 31 doentes com diagnóstico clínico de AVC, 55% do sexo masculino e 45% do sexo feminino, com uma média de idades de 67± 12 anos. Foi possível caracterizar e estimar a prevalência da desnutrição e do risco de desnutrição na admissão hospitalar e à oitava semana de internamento, bem como avaliar a capacidade funcional no mesmo período de tempo. No que diz respeito ao registo de saúde, dos 31 doentes em estudo, 67,7% correspondiam ao AVC do tipo isquémico e 32,3% ao AVC do tipo hemorrágico. Os fatores de risco com maior destaque foram a hipertensão arterial (82,1%), a dislipidémia (42,9%) e a obesidade (32,1%). Relativamente à disfagia, esta teve presente em 41,9% dos doentes. No que concerne à caracterização antropométrica: O cálculo do índice de massa corporal (IMC) mostrou-se pouco sensível na identificação de doentes desnutridos ou em risco de desnutrição, tendo identificado apenas 12,9% dos doentes na avaliação inicial e 13% na avaliação final. A adequação do perímetro braquial (PB) identificou desnutrição em mais de metade dos doentes (51,6%/54,9%) no momento inicial e final, respetivamente. Por outro lado, a prega cutânea tricipital (PCT) revelou elevados valores de massa gorda, com 51,6% dos doentes a apresentarem excesso de peso ou obesidade em ambos os momentos de avaliação. A adequação do perímetro muscular braquial (PMB) revelou ser um forte indicador de desnutrição, sendo que 80,7% dos doentes apresentaram esta classificação em ambas as avaliações. O perímetro da pantorrilha (PP) identificou 64,6%/64,5% (momento inicial/final, respetivamente) de doentes com desnutrição e relacionou-se positivamente com um maior desempenho funcional. O Mini Nutrirional Assessment (MNA) manifestou ser um instrumento de referência na identificação de desnutrição e risco nutricional, tendo identificado 93,6% dos casos na primeira avaliação. A aplicação do MNA forneceu dados sobre aspetos funcionais, nutricionais e ponderais, parecendo ser um bom preditor do estado funcional dos doentes. Relativamente à caracterização nutricional, os valores médios encontrados para os parâmetros plasmáticos estudados revelaram-se dentro do recomendável, exceto o LDL (Low Density Lipoprotein), que se apresentou abaixo das recomendações. A albumina foi o parâmetro plasmático que mais se associou à capacidade funcional. Foi realizada avaliação da capacidade funcional através do Índice de Barthel (IB) e da Medida de Independência Funcional (MIF). Pelo IB, 27 doentes melhoraram a sua capacidade funcional e 4 mantiveram a sua dependência da primeira para a última avaliação. Pela MIF, 30 doentes melhoraram e 1 doente manteve o seu grau de dependência. Pela análise da ingestão alimentar, verificou-se um desperdício alimentar elevado (23,9%). Os resultados obtidos sinalizam a elevada prevalência de desnutrição e alertam para a necessidade de procedimentos protocolados de avaliação e intervenção nutricional. O acompanhamento nutricional de doentes hospitalizados é um fator determinante e fundamental na recuperação/ reabilitação dos mesmos.