Publicação
A investigação-acção colaborativa como estratégia de formação para a mediação de conflitos em contexto de educação de infância
| Resumo: | O presente trabalho desenvolveu-se com base na constatação da escassez de estudos sobre a mediação de conflitos na educação de infância e da convicção da pertinência e premência em conhecer, problematizar, utilizar e aprofundar tal processo por parte das educadoras, com vista à aquisição de competências sociais básicas, pelas crianças. Entende-se, ainda, que as educadoras podem, em contexto de formação contínua, construir colaborativamente conhecimento sobre essas temáticas, relevante para si própria, para os outros com quem interagem quotidianamente, mas também para outros profissionais do campo educativo. Situando-se na área da formação de professores, esta investigação tem como principais objectivos compreender como é que a investigação-acção em contexto colaborativo se constitui como modalidade de formação de educadoras participantes no domínio da gestão de conflitos; promover uma atitude investigativa nas educadoras participantes pela análise reflexiva da sua prática e compreender as repercussões da formação, nomeadamente no conhecimento e práticas das educadoras participantes; e aferir o impacto da formação para as educadoras participantes. Este estudo inscreve-se no paradigma qualitativo, de natureza interpretativa e sociocrítica. Organiza-se na forma de um estudo de caso, e segue uma estratégia de investigação-acção, pela qual a investigadora e um grupo de educadoras se envolvem num processo de formação contínua. A investigação decorreu num Colégio da grande Lisboa, envolvendo todas as (onze) educadoras: quatro afectas à valência da creche e sete ao jardim-de-infância. O trabalho no terreno teve a duração de cerca de quinze meses e, passados dezasseis meses, a investigadora-formadora voltou ao terreno para realizar entrevistas de follow up. O estudo empírico organizou-se em torno de um processo formativo, tendo este sido desenvolvido em duas fases, a primeira das quais seguiu a modalidade de círculo de estudos e a segunda correspondeu a um processo mais informal e no qual se desenvolveram alguns projectos de investigação-acção. No decorrer da formação foram utilizados diversos processos de investigação, alguns dos quais serviram, simultaneamente, à planificação e desenvolvimento da formação e à intervenção das educadoras, tendo a investigação, a intervenção e a formação evoluído em ciclos recursivos. Destacam-se, aqui, a aplicação e análise de um questionário de desenvolvimento profissional (em três momentos distintos); a realização de entrevistas de focus group; o registo e análise de auto e hetero-observações entre as educadoras e diversos registos reflexivos produzidos ao longo da formação. A partilha, o questionamento, a observação e a constante reflexão sobre as práticas, apoiados num suporte teórico, possibilitaram uma formação contínua com benefícios para o desenvolvimento profissional das educadoras e para a melhoria das suas práticas e da própria dinâmica da instituição educativa durante, e após a formação concluída, observou-se o aprofundamento de uma cultura colaborativa através do estabelecimento de uma maior proximidade entre as educadoras das diferentes valências, do envolvimento das auxiliares e dos pais no processo formativo e pela criação de equipas pedagógicas na escola; o desenvolvimento de práticas reflexivas, no sentido de uma maior consciencialização da actuação das educadoras como mediadoras de conflitos entre crianças. Os resultados apontam, ainda, para mudanças a nível do conhecimento das educadoras, nomeadamente sobre o conflito e a mediação de conflitos. Trata-se de mudanças onde as esferas profissional e pessoal se interligam e onde os níveis individuais, interpessoais e organizacionais se desenvolvem conjugadamente. |
|---|---|
| Autores principais: | Sobral, Catarina |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2014 |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente trabalho desenvolveu-se com base na constatação da escassez de estudos sobre a mediação de conflitos na educação de infância e da convicção da pertinência e premência em conhecer, problematizar, utilizar e aprofundar tal processo por parte das educadoras, com vista à aquisição de competências sociais básicas, pelas crianças. Entende-se, ainda, que as educadoras podem, em contexto de formação contínua, construir colaborativamente conhecimento sobre essas temáticas, relevante para si própria, para os outros com quem interagem quotidianamente, mas também para outros profissionais do campo educativo. Situando-se na área da formação de professores, esta investigação tem como principais objectivos compreender como é que a investigação-acção em contexto colaborativo se constitui como modalidade de formação de educadoras participantes no domínio da gestão de conflitos; promover uma atitude investigativa nas educadoras participantes pela análise reflexiva da sua prática e compreender as repercussões da formação, nomeadamente no conhecimento e práticas das educadoras participantes; e aferir o impacto da formação para as educadoras participantes. Este estudo inscreve-se no paradigma qualitativo, de natureza interpretativa e sociocrítica. Organiza-se na forma de um estudo de caso, e segue uma estratégia de investigação-acção, pela qual a investigadora e um grupo de educadoras se envolvem num processo de formação contínua. A investigação decorreu num Colégio da grande Lisboa, envolvendo todas as (onze) educadoras: quatro afectas à valência da creche e sete ao jardim-de-infância. O trabalho no terreno teve a duração de cerca de quinze meses e, passados dezasseis meses, a investigadora-formadora voltou ao terreno para realizar entrevistas de follow up. O estudo empírico organizou-se em torno de um processo formativo, tendo este sido desenvolvido em duas fases, a primeira das quais seguiu a modalidade de círculo de estudos e a segunda correspondeu a um processo mais informal e no qual se desenvolveram alguns projectos de investigação-acção. No decorrer da formação foram utilizados diversos processos de investigação, alguns dos quais serviram, simultaneamente, à planificação e desenvolvimento da formação e à intervenção das educadoras, tendo a investigação, a intervenção e a formação evoluído em ciclos recursivos. Destacam-se, aqui, a aplicação e análise de um questionário de desenvolvimento profissional (em três momentos distintos); a realização de entrevistas de focus group; o registo e análise de auto e hetero-observações entre as educadoras e diversos registos reflexivos produzidos ao longo da formação. A partilha, o questionamento, a observação e a constante reflexão sobre as práticas, apoiados num suporte teórico, possibilitaram uma formação contínua com benefícios para o desenvolvimento profissional das educadoras e para a melhoria das suas práticas e da própria dinâmica da instituição educativa durante, e após a formação concluída, observou-se o aprofundamento de uma cultura colaborativa através do estabelecimento de uma maior proximidade entre as educadoras das diferentes valências, do envolvimento das auxiliares e dos pais no processo formativo e pela criação de equipas pedagógicas na escola; o desenvolvimento de práticas reflexivas, no sentido de uma maior consciencialização da actuação das educadoras como mediadoras de conflitos entre crianças. Os resultados apontam, ainda, para mudanças a nível do conhecimento das educadoras, nomeadamente sobre o conflito e a mediação de conflitos. Trata-se de mudanças onde as esferas profissional e pessoal se interligam e onde os níveis individuais, interpessoais e organizacionais se desenvolvem conjugadamente. |
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