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Da blusa de brim à touca branca : contributo para a história do ensino de enfermagem em Portugal 1880-1950

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Resumo:Marginalizado durante um longo período, o ensino de enfermagem foi integrado no sistema educativo nacional um século depois de ter sido criada a primeira escola de enfermagem. Um longo caminho foi percorrido acerca do qual pouco se sabe. Esta dissertação pretende ser um contributo para a sua história. O estudo fundamenta-se em documentos de arquivo de escolas de enfermagem, em legislação, publicações de organizações de enfermagem e alguma imprensa médica, além de diversa bibliografia, e está organizado em quatro temas: as escolas, o currículo, os alunos, a relação entre formação e profissão. As escolas nascem e desenvolvem-se dentro dos hospitais como resposta à necessidade de preparar pessoal para desempenhar, com eficiência, o papel de auxiliar do médico. A intervenção do Estado no ensino de enfermagem, no sentido da uniformização e centralização, estende-se também às escolas, oficiais e particulares, que passa a controlar e fiscalizar através de diversos mecanismos. O currículo dos cursos é determinado pelos progressos da medicina e da cirurgia e pelas necessidades mais complexas do trabalho hospitalar. A sua evolução reflecte a transferência, para a esfera do trabalho da enfermeira, de procedimentos terapêuticos e de diagnóstico cuja execução deixa de ter significado para o médico. Os alunos começam por ser "empregados de enfermagem" dos hospitais, alargando-se depois a área de recrutamento. A maioria provém de grupos sociais de baixo estatuto social e um número considerável já tinha tido outras experiências de trabalho. Sendo os homens,entre os diplomados, durante alguns anos, numericamente superiores, a partir de 1930 a enfermagem passa a ser maioritariamente feminina. As associações de enfermagem manifestam, através da sua imprensa, uma contínua preocupação coma a formação. A formação, reconhecida por um diploma, era a única via de legitimação das suas reivindicações, entre elas a de delimitação e exclusividade do seu campo de actividade, e de alguma autonomia perante a profissão médica. Mas não é a história de enfermagem em Portugal que aqui se apresenta. E apenas e tão só um contributo para a história do seu ensino. O ensino de enfermagem em Portugal tem tido um percurso complicado, conflituoso por vezes, não sendo fácil separá-lo da sua prática, porque se interligam e se influenciam mutuamente. Depois de um longo período de marginalização, o ensino de enfermagem foi integrado no sistema educativo nacional, um século depois de ter sido criada a primeira escola de enfermagem. Um longo caminho foi percorrido acerca do qual pouco se sabe e mesmo esse saber é parcelar e disperso. Datam dos últimos anos do século passado a criação das primeiras escolas de enfermagem. Não significa que anteriormente não tenha sido dispensado algum treino ou instrução àqueles que cuidavam dos doentes hospitalizados. No entanto, foi a partir de então que este ensino foi institucionalizado em Portugal. Aliás não se fez mais do que seguir o exemplo de outros países da Europa e da América. Desde sempre foi dado às mulheres o papel de cuidar: cuidar das crianças, cuidar dos adultos, cuidar dos doentes, cuidar dos moribundos, cuidar da família. E as mulheres desempenharam esse papel, primeiro em casa, e depois em instituições, transferindo a sua atenção e cuidado para outros não familiares. Mas só a partir do século XIX se intensificou a actividade das mulheres como prestadoras de cuidados fora da esfera privada e de forma remunerada. É de todos conhecido que foi Florence Nightingale a iniciadora do movimento que, a partir de 1860, se desenvolveu em Inglaterra e passou depois aos Estados Unidos e Canadá, para a criação de escolas onde fosse dada preparação adequada a enfermeiras, tanto para a assistência a doentes nos hospitais, como no domicílio. Histórias de enfermagem começam a aparecer a partir de meados do século XIX, mas na última década, depois do trabalho de Celia Davies tem sido adoptada uma orientação diferente, deslocando o foco das personalidades e acontecimentos marcantes para as questões relacionadas com o sistema de formação, o exercício da enfermagem na sua interrelação com as instituições de saúde e com o desenvolvimento e afirmação profissional, criticando as ideias convencionais e idealizadas da enfermeira e procurando novos materiais e fontes de informação.(...)
Autores principais:Soares, Maria Isabel, 1934-
Assunto:Teses de mestrado - 1993 Processos e estruturas educativas Sistemas educativos Escolas técnicas Escolas de enfermagem Hospitais
Ano:1993
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Marginalizado durante um longo período, o ensino de enfermagem foi integrado no sistema educativo nacional um século depois de ter sido criada a primeira escola de enfermagem. Um longo caminho foi percorrido acerca do qual pouco se sabe. Esta dissertação pretende ser um contributo para a sua história. O estudo fundamenta-se em documentos de arquivo de escolas de enfermagem, em legislação, publicações de organizações de enfermagem e alguma imprensa médica, além de diversa bibliografia, e está organizado em quatro temas: as escolas, o currículo, os alunos, a relação entre formação e profissão. As escolas nascem e desenvolvem-se dentro dos hospitais como resposta à necessidade de preparar pessoal para desempenhar, com eficiência, o papel de auxiliar do médico. A intervenção do Estado no ensino de enfermagem, no sentido da uniformização e centralização, estende-se também às escolas, oficiais e particulares, que passa a controlar e fiscalizar através de diversos mecanismos. O currículo dos cursos é determinado pelos progressos da medicina e da cirurgia e pelas necessidades mais complexas do trabalho hospitalar. A sua evolução reflecte a transferência, para a esfera do trabalho da enfermeira, de procedimentos terapêuticos e de diagnóstico cuja execução deixa de ter significado para o médico. Os alunos começam por ser "empregados de enfermagem" dos hospitais, alargando-se depois a área de recrutamento. A maioria provém de grupos sociais de baixo estatuto social e um número considerável já tinha tido outras experiências de trabalho. Sendo os homens,entre os diplomados, durante alguns anos, numericamente superiores, a partir de 1930 a enfermagem passa a ser maioritariamente feminina. As associações de enfermagem manifestam, através da sua imprensa, uma contínua preocupação coma a formação. A formação, reconhecida por um diploma, era a única via de legitimação das suas reivindicações, entre elas a de delimitação e exclusividade do seu campo de actividade, e de alguma autonomia perante a profissão médica. Mas não é a história de enfermagem em Portugal que aqui se apresenta. E apenas e tão só um contributo para a história do seu ensino. O ensino de enfermagem em Portugal tem tido um percurso complicado, conflituoso por vezes, não sendo fácil separá-lo da sua prática, porque se interligam e se influenciam mutuamente. Depois de um longo período de marginalização, o ensino de enfermagem foi integrado no sistema educativo nacional, um século depois de ter sido criada a primeira escola de enfermagem. Um longo caminho foi percorrido acerca do qual pouco se sabe e mesmo esse saber é parcelar e disperso. Datam dos últimos anos do século passado a criação das primeiras escolas de enfermagem. Não significa que anteriormente não tenha sido dispensado algum treino ou instrução àqueles que cuidavam dos doentes hospitalizados. No entanto, foi a partir de então que este ensino foi institucionalizado em Portugal. Aliás não se fez mais do que seguir o exemplo de outros países da Europa e da América. Desde sempre foi dado às mulheres o papel de cuidar: cuidar das crianças, cuidar dos adultos, cuidar dos doentes, cuidar dos moribundos, cuidar da família. E as mulheres desempenharam esse papel, primeiro em casa, e depois em instituições, transferindo a sua atenção e cuidado para outros não familiares. Mas só a partir do século XIX se intensificou a actividade das mulheres como prestadoras de cuidados fora da esfera privada e de forma remunerada. É de todos conhecido que foi Florence Nightingale a iniciadora do movimento que, a partir de 1860, se desenvolveu em Inglaterra e passou depois aos Estados Unidos e Canadá, para a criação de escolas onde fosse dada preparação adequada a enfermeiras, tanto para a assistência a doentes nos hospitais, como no domicílio. Histórias de enfermagem começam a aparecer a partir de meados do século XIX, mas na última década, depois do trabalho de Celia Davies tem sido adoptada uma orientação diferente, deslocando o foco das personalidades e acontecimentos marcantes para as questões relacionadas com o sistema de formação, o exercício da enfermagem na sua interrelação com as instituições de saúde e com o desenvolvimento e afirmação profissional, criticando as ideias convencionais e idealizadas da enfermeira e procurando novos materiais e fontes de informação.(...)