Publicação
Implementation of a technology transfer system: improving the future by learning from the past
| Resumo: | Todos os anos novos fármacos são testados em ensaios clínicos, abrindo novas oportunidades para o tratamento de doenças que, apesar do desenvolvimento da ciência nas últimas décadas, ainda não possuem cura. Devido à sua maior complexidade comparativamente aos químicos convencionais, cerca de 100 vezes maiores, com uma estrutura mais complexa e atividade biológica associada, estes biofármacos são caracterizados essencialmente pelo seu processo de fabrico. O processo de fabrico de um biofármaco é normalmente dividido em duas partes: a produção, que está associada à cultura e à manutenção das células e a purificação, que é associada à separação física do produto desejado de todas as impurezas e componentes resultantes da produção. Este processo de fabrico necessita de ser reprodutível e confiável, de modo a providenciar um produto final seguro e eficaz para o paciente. Para que isto aconteça, a indústria farmacêutica é regulada pelas Boas Práticas de Fabrico (conhecidas internacionalmente como “GMPs- Good Manufacturing Practices”). Estas boas práticas são um conjunto de regras orientadoras que, não sendo instruções de como fabricar os biofármacos mas sim recomendações por parte das autoridades, devem ser seguidas para assegurar que os biofármacos são consistentemente produzidos e controlados de acordo com os padrões de qualidade. A maioria das empresas ou institutos de investigação que iniciam o desenvolvimento de um produto não possuem instalações para produção do mesmo de acordo com as Boas Práticas de Fabrico e acabam por recorrer à contratação de empresas prestadoras de serviços especializados, como por exemplo a GenIbet Biopharmaceuticals. A GenIbet Biopharmaceuticals, S.A. é uma empresa prestadora de serviços especializados (conhecida internacionalmente como uma “CMO – Contract Manufacturing Organization”) que presta serviços de produção de produtos biofarmacêuticos para terapias avançadas, de acordo com as boas práticas de fabrico. Está localizada em Oeiras, no campus da Estação Agronómica Nacional e foi criada em 2006 tendo obtido o seu primeiro certificado GMP pelo Infarmed em 2009. Transferir a tecnologia necessária para a implementação de um processo de fabrico é um processo complexo, sendo um dos maiores desafios da indústria farmacêutica, que nem sempre recebe as devidas e necessárias considerações de modo a garantir o sucesso nos processos de fabrico. Sendo uma empresa relativamente recente, a GenIbet não possui um sistema eficiente de transferência de tecnologia implementado, o que leva ao aparecimento de alguns problemas e obstáculos aquando da receção e transferência dos processos de clientes, parceiros ou outras empresas. A transferência de tecnologia pode ser definida, de uma forma muito geral, como um procedimento ou um conjunto de procedimentos usados para transferir equipamento, documentação, conhecimento e experiência de um local para outro. O processo de transferência de tecnologia começa com a transferência de um pacote de documentação, que inclui uma descrição detalhada do processo de fabrico, dos métodos analíticos para controlo de qualidade do produto e da história do seu desenvolvimento, terminando com a execução de um lote teste replicando todas as condições e passos críticos do processo. Devido à sua complexidade, não existem estratégias que garantam que a transferência de tecnologia ocorra sem dificuldades. Um mau planeamento, documentação pouco clara ou má comunicação entre as partes envolvidas pode levar a uma transferência pouco eficiente. Os problemas mais comuns que uma empresa enfrenta durante a transferência de um processo pode ir desde ao processo desenvolvido não ser adequado para um aumento de escala, alguns materiais ou matérias-primas não estarem de acordo com as Boas Práticas de Fabrico, fraca documentação sobre a história do desenvolvimento do processo ou até diferença nos métodos de trabalho de ambas as partes, entre outros. Em 2011, o autor desta dissertação fez parte de uma equipa que se deslocou a Espanha para transferir um dos projetos da GenIbet, para a produção de uma vacina canina para a Leishmaniose, para outra empresa com uma maior escala de produção. Durante a transferência do processo de fabrico da vacina, ocorreram falhas técnicas durante a purificação devido a má comunicação entre ambas as equipas. Foram estes problemas que levaram o autor a questionar-se sobre o sistema de transferência de tecnologia da GenIbet e a escrever esta dissertação. Ao longo desta tese, o autor discute algumas das falhas que ocorreram durante a transferência do projeto para uma empresa espanhola e faz uma reavaliação de problemas ocorridos durante a transferência do mesmo projeto da unidade de desenvolvimento para as instalações da GenIbet, onde não foram obtidos resultados comparáveis entre as duas unidades durante a implementação dos métodos analíticos na GenIbet. É também discutido um segundo projeto, para a produção de uma vacina para a febre tifoide, em que os resultados de ensaio à escala de bancada não foram apresentados de uma forma clara, levando a uma má interpretação dos mesmos e, consequentemente, a uma perda de produto e a um baixo rendimento do processo aquando da transferência de tecnologia da unidade de desenvolvimento para a GenIbet. Numa tentativa de perceber quais são os principais problemas do sistema de transferência de tecnologia atualmente existente na GenIbet e qual a melhor maneira de tentar melhorar este mesmo sistema para evitar que problemas como os descritos anteriormente ocorram, membros de vários departamentos da GenIbet (Controlo de Qualidade, Produção, Operações, Garantia da Qualidade e Compras) foram entrevistados. Questões como quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelos clientes quando se deparam com as boas práticas de fabrico pela primeira vez, ou qual o aspeto mais importante a ter em consideração de modo a garantir o sucesso de uma transferência de tecnologia, ou o que pode ser melhorado no atual sistema de transferência de tecnologia, foram colocadas. Após a análise de todos os dados recolhidos e com base no historial da GenIbet verificou-se que durante o processo de transferência de tecnologia, nem sempre a comunicação entre a GenIbet e os clientes é a melhor, com consequências na recolha de informação para a implementação do processo de fabrico. O primeiro contacto de um potencial cliente com a GenIbet começa com o pedido de proposta. A informação necessária para a construção desta proposta é adquirida através de e-mails, telefonemas, teleconferências e quando possível, através de reuniões pessoais. Caso a proposta seja aprovada pelo cliente, o passo seguinte passa pela implementação dos métodos analíticos e pela análise de risco das matérias-primas a usar e do produto final. Outra etapa igualmente importante é a escrita do caderno de produção (“BPR – Batch Production Record”). Tal como na preparação e construção da proposta inicial, a informação é obtida através de e-mails e telefonemas, fazendo o maior número de perguntas possíveis. Estes métodos de troca de informação podem levar muito tempo, no caso dos e-mails, ou ser pouco claros, no caso dos telefonemas. Muitas vezes, a informação dada por telefone nem sempre é entendida da melhor forma para além de não haver um registo formal desta informação. Para além disso, com tanta troca de e-mails, telefonemas e teleconferências, é relativamente fácil a dispersão e perda de informação. Numa primeira abordagem ao melhoramento do sistema de transferência de tecnologia da GenIbet e ao método de recolha de informação, foi criado um conjunto de sete questionários. Cada um destes questionários destina-se a uma fase diferente da implementação do projeto e a um produto ou serviço diferente, consoante o pedido do cliente. Estes questionários têm como objetivo fazer o máximo de perguntas abordando vários tipos de produtos, de modo a facilitar a aquisição de informação por parte da GenIbet e também dar a entender ao potencial cliente quais as necessidades da GenIbet para proceder com a implementação do processo de fabrico. No entanto, até que ponto é que estes questionários são úteis e funcionais? Abrangem realmente toda a informação necessária? Para tentar perceber a funcionalidade do pacote de questionários, estes foram enviados a dois clientes, com dois projetos totalmente diferentes: um para a produção de vírus oncolíticos e outro para a produção de células estaminais para terapia celular. As respostas obtidas foram analisadas e com base nas mesmas foi possível perceber se os questionários são ou não uma melhoria ao sistema de transferência de tecnologia da GenIbet. |
|---|---|
| Autores principais: | Alves, Ana Isabel Mendes |
| Assunto: | Biopharmaceuticals GenIbet Good Manufacturing Practices Manufacturing Processes Technology Transfer Teses de mestrado - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Todos os anos novos fármacos são testados em ensaios clínicos, abrindo novas oportunidades para o tratamento de doenças que, apesar do desenvolvimento da ciência nas últimas décadas, ainda não possuem cura. Devido à sua maior complexidade comparativamente aos químicos convencionais, cerca de 100 vezes maiores, com uma estrutura mais complexa e atividade biológica associada, estes biofármacos são caracterizados essencialmente pelo seu processo de fabrico. O processo de fabrico de um biofármaco é normalmente dividido em duas partes: a produção, que está associada à cultura e à manutenção das células e a purificação, que é associada à separação física do produto desejado de todas as impurezas e componentes resultantes da produção. Este processo de fabrico necessita de ser reprodutível e confiável, de modo a providenciar um produto final seguro e eficaz para o paciente. Para que isto aconteça, a indústria farmacêutica é regulada pelas Boas Práticas de Fabrico (conhecidas internacionalmente como “GMPs- Good Manufacturing Practices”). Estas boas práticas são um conjunto de regras orientadoras que, não sendo instruções de como fabricar os biofármacos mas sim recomendações por parte das autoridades, devem ser seguidas para assegurar que os biofármacos são consistentemente produzidos e controlados de acordo com os padrões de qualidade. A maioria das empresas ou institutos de investigação que iniciam o desenvolvimento de um produto não possuem instalações para produção do mesmo de acordo com as Boas Práticas de Fabrico e acabam por recorrer à contratação de empresas prestadoras de serviços especializados, como por exemplo a GenIbet Biopharmaceuticals. A GenIbet Biopharmaceuticals, S.A. é uma empresa prestadora de serviços especializados (conhecida internacionalmente como uma “CMO – Contract Manufacturing Organization”) que presta serviços de produção de produtos biofarmacêuticos para terapias avançadas, de acordo com as boas práticas de fabrico. Está localizada em Oeiras, no campus da Estação Agronómica Nacional e foi criada em 2006 tendo obtido o seu primeiro certificado GMP pelo Infarmed em 2009. Transferir a tecnologia necessária para a implementação de um processo de fabrico é um processo complexo, sendo um dos maiores desafios da indústria farmacêutica, que nem sempre recebe as devidas e necessárias considerações de modo a garantir o sucesso nos processos de fabrico. Sendo uma empresa relativamente recente, a GenIbet não possui um sistema eficiente de transferência de tecnologia implementado, o que leva ao aparecimento de alguns problemas e obstáculos aquando da receção e transferência dos processos de clientes, parceiros ou outras empresas. A transferência de tecnologia pode ser definida, de uma forma muito geral, como um procedimento ou um conjunto de procedimentos usados para transferir equipamento, documentação, conhecimento e experiência de um local para outro. O processo de transferência de tecnologia começa com a transferência de um pacote de documentação, que inclui uma descrição detalhada do processo de fabrico, dos métodos analíticos para controlo de qualidade do produto e da história do seu desenvolvimento, terminando com a execução de um lote teste replicando todas as condições e passos críticos do processo. Devido à sua complexidade, não existem estratégias que garantam que a transferência de tecnologia ocorra sem dificuldades. Um mau planeamento, documentação pouco clara ou má comunicação entre as partes envolvidas pode levar a uma transferência pouco eficiente. Os problemas mais comuns que uma empresa enfrenta durante a transferência de um processo pode ir desde ao processo desenvolvido não ser adequado para um aumento de escala, alguns materiais ou matérias-primas não estarem de acordo com as Boas Práticas de Fabrico, fraca documentação sobre a história do desenvolvimento do processo ou até diferença nos métodos de trabalho de ambas as partes, entre outros. Em 2011, o autor desta dissertação fez parte de uma equipa que se deslocou a Espanha para transferir um dos projetos da GenIbet, para a produção de uma vacina canina para a Leishmaniose, para outra empresa com uma maior escala de produção. Durante a transferência do processo de fabrico da vacina, ocorreram falhas técnicas durante a purificação devido a má comunicação entre ambas as equipas. Foram estes problemas que levaram o autor a questionar-se sobre o sistema de transferência de tecnologia da GenIbet e a escrever esta dissertação. Ao longo desta tese, o autor discute algumas das falhas que ocorreram durante a transferência do projeto para uma empresa espanhola e faz uma reavaliação de problemas ocorridos durante a transferência do mesmo projeto da unidade de desenvolvimento para as instalações da GenIbet, onde não foram obtidos resultados comparáveis entre as duas unidades durante a implementação dos métodos analíticos na GenIbet. É também discutido um segundo projeto, para a produção de uma vacina para a febre tifoide, em que os resultados de ensaio à escala de bancada não foram apresentados de uma forma clara, levando a uma má interpretação dos mesmos e, consequentemente, a uma perda de produto e a um baixo rendimento do processo aquando da transferência de tecnologia da unidade de desenvolvimento para a GenIbet. Numa tentativa de perceber quais são os principais problemas do sistema de transferência de tecnologia atualmente existente na GenIbet e qual a melhor maneira de tentar melhorar este mesmo sistema para evitar que problemas como os descritos anteriormente ocorram, membros de vários departamentos da GenIbet (Controlo de Qualidade, Produção, Operações, Garantia da Qualidade e Compras) foram entrevistados. Questões como quais são as maiores dificuldades enfrentadas pelos clientes quando se deparam com as boas práticas de fabrico pela primeira vez, ou qual o aspeto mais importante a ter em consideração de modo a garantir o sucesso de uma transferência de tecnologia, ou o que pode ser melhorado no atual sistema de transferência de tecnologia, foram colocadas. Após a análise de todos os dados recolhidos e com base no historial da GenIbet verificou-se que durante o processo de transferência de tecnologia, nem sempre a comunicação entre a GenIbet e os clientes é a melhor, com consequências na recolha de informação para a implementação do processo de fabrico. O primeiro contacto de um potencial cliente com a GenIbet começa com o pedido de proposta. A informação necessária para a construção desta proposta é adquirida através de e-mails, telefonemas, teleconferências e quando possível, através de reuniões pessoais. Caso a proposta seja aprovada pelo cliente, o passo seguinte passa pela implementação dos métodos analíticos e pela análise de risco das matérias-primas a usar e do produto final. Outra etapa igualmente importante é a escrita do caderno de produção (“BPR – Batch Production Record”). Tal como na preparação e construção da proposta inicial, a informação é obtida através de e-mails e telefonemas, fazendo o maior número de perguntas possíveis. Estes métodos de troca de informação podem levar muito tempo, no caso dos e-mails, ou ser pouco claros, no caso dos telefonemas. Muitas vezes, a informação dada por telefone nem sempre é entendida da melhor forma para além de não haver um registo formal desta informação. Para além disso, com tanta troca de e-mails, telefonemas e teleconferências, é relativamente fácil a dispersão e perda de informação. Numa primeira abordagem ao melhoramento do sistema de transferência de tecnologia da GenIbet e ao método de recolha de informação, foi criado um conjunto de sete questionários. Cada um destes questionários destina-se a uma fase diferente da implementação do projeto e a um produto ou serviço diferente, consoante o pedido do cliente. Estes questionários têm como objetivo fazer o máximo de perguntas abordando vários tipos de produtos, de modo a facilitar a aquisição de informação por parte da GenIbet e também dar a entender ao potencial cliente quais as necessidades da GenIbet para proceder com a implementação do processo de fabrico. No entanto, até que ponto é que estes questionários são úteis e funcionais? Abrangem realmente toda a informação necessária? Para tentar perceber a funcionalidade do pacote de questionários, estes foram enviados a dois clientes, com dois projetos totalmente diferentes: um para a produção de vírus oncolíticos e outro para a produção de células estaminais para terapia celular. As respostas obtidas foram analisadas e com base nas mesmas foi possível perceber se os questionários são ou não uma melhoria ao sistema de transferência de tecnologia da GenIbet. |
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