Publicação
Áreas sintáticas no território português
| Resumo: | Este trabalho investiga o papel da sintaxe na classificação dos dialetos portugueses e estuda, em particular, a competição gerúndio/a+infinitivo em perífrases aspetuais atestada no português dialetal (PD). A tese inscreve-se na área da sintaxe dialetal comparada e segue uma abordagem geolinguística. Tenho como base empírica o CORDIAL-SIN – Corpus Dialetal para o Estudo da Sintaxe. Recorri, para a análise comparativa, a material do Corpus de Referência do Português Contemporâneo (CRPC) e a dados do galego extraídos do Corpus de Referencia do Galego Actual (CORGA) e do Tesouro Informatizado da Lingua Galega (TILG). A dissertação tem duas partes centrais. Na Parte I, o objetivo é delimitar áreas sintáticas em Portugal e confrontar esses dados com a divisão dialetal portuguesa proposta pela dialetologia tradicional a partir do léxico e da fonologia. Na Parte II, centro-me na alternância entre gerúndio e a+infinitivo em perífrases aspetuais, estudada numa perspetiva teórica e comparativa que inclui dados do galego, com o objetivo de caracterizar a variação e explicar, particularmente, a competição em perífrases com estar. Mostro que é possível identificar seis tipos básicos de áreas sintáticas em Portugal. Observa-se paralelismo entre estas divisões e as propostas pela dialetologia tradicional, mas também novas configurações, que incluem os dialetos insulares. Quanto à competição estar+gerúndio/a+infinitivo, defendo que a variação é influenciada por aspetos semânticos e pragmáticos: (i) pela tipologia semântica do verbo principal (cf. Halliday 1994); (ii) pelos traços de duratividade e telicidade inerentes ao verbo e (iii) pelo grau de fisicidade das entidades que representa. Concluo que os aspetos que influenciam a variação são mais evidentes no galego do que no PD e atribuo esse facto a um estádio mais inicial dessa língua, comparativamente ao português, no percurso de substituição de gerúndio por a+infinitivo. Defendo que a variação sincrónica observada no PD e no galego reflete uma mudança linguística e é explicada de uma perspetiva diacrónica. O trabalho desenvolvido evidencia o contributo da sintaxe dialetal comparada para a geolinguística e para a teorização sobre a alternância entre gerúndio e a+infinitivo no seio das línguas românicas. |
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| Autores principais: | Pereira, Sílvia Afonso |
| Assunto: | Língua portuguesa - Sintaxe Língua portuguesa - Variação linguística Língua portuguesa - Dialectos Língua galega - Sintaxe Língua galega - Variação linguística Língua galega - Dialectos Linguística comparada Teses de doutoramento - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este trabalho investiga o papel da sintaxe na classificação dos dialetos portugueses e estuda, em particular, a competição gerúndio/a+infinitivo em perífrases aspetuais atestada no português dialetal (PD). A tese inscreve-se na área da sintaxe dialetal comparada e segue uma abordagem geolinguística. Tenho como base empírica o CORDIAL-SIN – Corpus Dialetal para o Estudo da Sintaxe. Recorri, para a análise comparativa, a material do Corpus de Referência do Português Contemporâneo (CRPC) e a dados do galego extraídos do Corpus de Referencia do Galego Actual (CORGA) e do Tesouro Informatizado da Lingua Galega (TILG). A dissertação tem duas partes centrais. Na Parte I, o objetivo é delimitar áreas sintáticas em Portugal e confrontar esses dados com a divisão dialetal portuguesa proposta pela dialetologia tradicional a partir do léxico e da fonologia. Na Parte II, centro-me na alternância entre gerúndio e a+infinitivo em perífrases aspetuais, estudada numa perspetiva teórica e comparativa que inclui dados do galego, com o objetivo de caracterizar a variação e explicar, particularmente, a competição em perífrases com estar. Mostro que é possível identificar seis tipos básicos de áreas sintáticas em Portugal. Observa-se paralelismo entre estas divisões e as propostas pela dialetologia tradicional, mas também novas configurações, que incluem os dialetos insulares. Quanto à competição estar+gerúndio/a+infinitivo, defendo que a variação é influenciada por aspetos semânticos e pragmáticos: (i) pela tipologia semântica do verbo principal (cf. Halliday 1994); (ii) pelos traços de duratividade e telicidade inerentes ao verbo e (iii) pelo grau de fisicidade das entidades que representa. Concluo que os aspetos que influenciam a variação são mais evidentes no galego do que no PD e atribuo esse facto a um estádio mais inicial dessa língua, comparativamente ao português, no percurso de substituição de gerúndio por a+infinitivo. Defendo que a variação sincrónica observada no PD e no galego reflete uma mudança linguística e é explicada de uma perspetiva diacrónica. O trabalho desenvolvido evidencia o contributo da sintaxe dialetal comparada para a geolinguística e para a teorização sobre a alternância entre gerúndio e a+infinitivo no seio das línguas românicas. |
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