Publicação
Traumatismos medulares em canídeos
| Resumo: | Os traumatismos medulares representam uma parte importante da casuística de um hospital veterinário. As causas destes traumatismos podem ser intrínsecas e extrínsecas. A principal causa intrínseca é a extrusão do material do disco intervertebral (Hérnia discal tipo I de Hansen). As principais causas extrínsecas são fracturas, luxações e subluxações vertebrais secundárias a eventos traumáticos. As lesões de origem vascular (tromboembolismo de uma artéria medular terminal ou embolismo fibrocartilaginoso) são incluídas nos traumatismos medulares porque a patofisiologia destas lesões é semelhante à das lesões de origem mecânica. A fisiopatologia dos traumatismos medulares caracteriza-se pela existência de uma lesão primária mecânica (compressão e/ou concussão) que desencadeia uma avalanche de lesões secundárias mediadas pela existência de radicais livres de oxigénio, alteração das concentrações de neurotransmissores, iões e ácidos aminados excitatórios e pela alterações de outros factores bioquímicos, culminando em redução do fluxo sanguíneo medular, isquémia e necrose. O diagnóstico diferencial das causas de traumatismo medular deve ser feito com base nas informações recolhidas na história pregressa, no exame físico e no exame neurológico. Os principais meios auxiliares de diagnóstico utilizados são o exame radiográfico da coluna vertebral, com recurso a mielografia na maioria dos casos, e a análise do líquido cefaloraquidiano. Ocasionalmente são utilizadas técnicas de imagem avançadas como TAC e RM. O diagnóstico de embolia fibrocartilaginosa pode ser feito por RM e a confirmação com exame histopatológico post mortem da medula espinhal lesada. O tratamento inicial dos traumatismos medulares envolvia em regra a administração de doses elevadas de corticosteróides nas primeiras horas após o trauma, no entanto, actualmente, este conceito está a cair em desuso devido à falta de ensaios clínicos que demonstrem com clareza os efeitos desta terapêutica. As fracturas, luxações e subluxações vertebrais, e as hérnias discais de tipo I podem ter uma terapêutica médica ou cirúrgica dependendo das características de cada caso. Nas embolias fibrocartilaginosas o tratamento é sempre médico. A fisioterapia é uma parte importante da terapêutica dos casos de traumatismo medular. O estudo de novas terapêuticas para as lesões medulares é uma área em constante expansão que tem o potencial de beneficiar pacientes humanos através da realização de ensaios clínicos em canídeos. |
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| Autores principais: | Jorge, Salomé Mariana Candeias |
| Assunto: | Traumatismo medular Medula espinhal Hérnia discal Embolia fibrocartilaginosa Cães Spinal trauma Spinal cord Intervertebral disk disease Fibrocartilaginous |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | trabalho de fim de curso |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os traumatismos medulares representam uma parte importante da casuística de um hospital veterinário. As causas destes traumatismos podem ser intrínsecas e extrínsecas. A principal causa intrínseca é a extrusão do material do disco intervertebral (Hérnia discal tipo I de Hansen). As principais causas extrínsecas são fracturas, luxações e subluxações vertebrais secundárias a eventos traumáticos. As lesões de origem vascular (tromboembolismo de uma artéria medular terminal ou embolismo fibrocartilaginoso) são incluídas nos traumatismos medulares porque a patofisiologia destas lesões é semelhante à das lesões de origem mecânica. A fisiopatologia dos traumatismos medulares caracteriza-se pela existência de uma lesão primária mecânica (compressão e/ou concussão) que desencadeia uma avalanche de lesões secundárias mediadas pela existência de radicais livres de oxigénio, alteração das concentrações de neurotransmissores, iões e ácidos aminados excitatórios e pela alterações de outros factores bioquímicos, culminando em redução do fluxo sanguíneo medular, isquémia e necrose. O diagnóstico diferencial das causas de traumatismo medular deve ser feito com base nas informações recolhidas na história pregressa, no exame físico e no exame neurológico. Os principais meios auxiliares de diagnóstico utilizados são o exame radiográfico da coluna vertebral, com recurso a mielografia na maioria dos casos, e a análise do líquido cefaloraquidiano. Ocasionalmente são utilizadas técnicas de imagem avançadas como TAC e RM. O diagnóstico de embolia fibrocartilaginosa pode ser feito por RM e a confirmação com exame histopatológico post mortem da medula espinhal lesada. O tratamento inicial dos traumatismos medulares envolvia em regra a administração de doses elevadas de corticosteróides nas primeiras horas após o trauma, no entanto, actualmente, este conceito está a cair em desuso devido à falta de ensaios clínicos que demonstrem com clareza os efeitos desta terapêutica. As fracturas, luxações e subluxações vertebrais, e as hérnias discais de tipo I podem ter uma terapêutica médica ou cirúrgica dependendo das características de cada caso. Nas embolias fibrocartilaginosas o tratamento é sempre médico. A fisioterapia é uma parte importante da terapêutica dos casos de traumatismo medular. O estudo de novas terapêuticas para as lesões medulares é uma área em constante expansão que tem o potencial de beneficiar pacientes humanos através da realização de ensaios clínicos em canídeos. |
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