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Prevalência da infeção ativa por vírus da hepatite C em indivíduos integrados num programa de metadona da cidade de Lisboa

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Summary:O vírus da hepatite C (VHC) afeta cerca de 150 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo a principal causa de doença hepática. A infeção está principalmente associada a populações com comportamentos de risco no consumo de drogas ilícitas. O VHC apresenta uma elevada diversidade genética, representada pelos múltiplos genótipos e subtipos do VHC com diferentes padrões de distribuição epidemiológica no mundo. Os diferentes genótipos influenciam a progressão da doença e a resposta à terapêutica, tornando-se essencial a classificação do VHC antes de se iniciar o tratamento. O presente estudo, englobado num projeto mais abrangente, teve como principais objetivos a caracterização da hepatite C num grupo de utilizadores de drogas ilícitas, quer através de dados recolhidos num questionário (demográficos, educacionais, socioeconómicos, epidemiológicos e clínicos), quer pela determinação da prevalência da infeção ativa com identificação dos subtipos do VHC. Neste trabalho foram analisados 449 plasmas de indivíduos com anticorpos para o VHC. Realizou-se a extração de RNA viral, seguindo-se a síntese de cDNA, a amplificação e sequenciação da região NS5B. Nas amostras em que se verificou ser necessário esclarecer a classificação do VHC, foram também analisadas as regiões NS3 e C/E1. Efetuou-se uma análise das sequências por BLAST, de forma a identificar os subtipos de VHC na população. Em 87 amostras selecionadas foram construídas sequências de consenso para posterior análise filogenética. A população apresentou idade média de 44 anos, a maioria homens portugueses de baixo nível de escolaridade (78,6% com frequência inferior ao 3º ciclo do ensino básico), estando 73,5% dos indivíduos desempregados. Os consumos de drogas ilícitas são na maioria por via endovenosa com comportamento de risco de partilha de material de injeção (apenas 18,7% consumia drogas exclusivamente por via inalada ou fumada). Dos indivíduos estudados, 68,4% apresentava infeção ativa pelo VHC, caracterizada por alteração dos níveis de ALT (mediana 42U/L). A frequência encontrada para os diversos subtipos na população foi a seguinte: 44,6% de subtipo 1a, 29,3% de subtipo 3a, 10,8% de subtipo 1b, 7,5% de pelo subtipo 4a, 7,2% de subtipo 4d, 0,3% de subtipo 2ª. Foi ainda identificado um caso de infeção pelo RF_2k/1b. Verificou-se que, cerca de metade dos indivíduos conheceram a sua situação de serologia positiva para o VHC, entre 2001 e 2010, no entanto, 81,1% não fez tratamento para a hepatite C. Os resultados obtidos neste estudo revelam a necessidade da implementar uma estratégia que proporcione aos indivíduos um acesso facilitado ao tratamento, que resultará na maior adesão e melhoria individual do estado clínico dos indivíduos, e deste modo, evitar a disseminação do vírus na comunidade. Reforçar os programas de educação para a saúde sobre hepatite C e prevenção da infeção são também cruciais nesta população com comportamentos de risco e qua não adere aos serviços de saúde convencionais.
Main Authors:Balsa, Catarina Filipe Parreira
Subject:Vírus da Hepatite C (VHC) Subtipagem Lisboa Utilizadores de drogas ilícitas (UDI) Teses de mestrado - 2016
Year:2016
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:O vírus da hepatite C (VHC) afeta cerca de 150 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo a principal causa de doença hepática. A infeção está principalmente associada a populações com comportamentos de risco no consumo de drogas ilícitas. O VHC apresenta uma elevada diversidade genética, representada pelos múltiplos genótipos e subtipos do VHC com diferentes padrões de distribuição epidemiológica no mundo. Os diferentes genótipos influenciam a progressão da doença e a resposta à terapêutica, tornando-se essencial a classificação do VHC antes de se iniciar o tratamento. O presente estudo, englobado num projeto mais abrangente, teve como principais objetivos a caracterização da hepatite C num grupo de utilizadores de drogas ilícitas, quer através de dados recolhidos num questionário (demográficos, educacionais, socioeconómicos, epidemiológicos e clínicos), quer pela determinação da prevalência da infeção ativa com identificação dos subtipos do VHC. Neste trabalho foram analisados 449 plasmas de indivíduos com anticorpos para o VHC. Realizou-se a extração de RNA viral, seguindo-se a síntese de cDNA, a amplificação e sequenciação da região NS5B. Nas amostras em que se verificou ser necessário esclarecer a classificação do VHC, foram também analisadas as regiões NS3 e C/E1. Efetuou-se uma análise das sequências por BLAST, de forma a identificar os subtipos de VHC na população. Em 87 amostras selecionadas foram construídas sequências de consenso para posterior análise filogenética. A população apresentou idade média de 44 anos, a maioria homens portugueses de baixo nível de escolaridade (78,6% com frequência inferior ao 3º ciclo do ensino básico), estando 73,5% dos indivíduos desempregados. Os consumos de drogas ilícitas são na maioria por via endovenosa com comportamento de risco de partilha de material de injeção (apenas 18,7% consumia drogas exclusivamente por via inalada ou fumada). Dos indivíduos estudados, 68,4% apresentava infeção ativa pelo VHC, caracterizada por alteração dos níveis de ALT (mediana 42U/L). A frequência encontrada para os diversos subtipos na população foi a seguinte: 44,6% de subtipo 1a, 29,3% de subtipo 3a, 10,8% de subtipo 1b, 7,5% de pelo subtipo 4a, 7,2% de subtipo 4d, 0,3% de subtipo 2ª. Foi ainda identificado um caso de infeção pelo RF_2k/1b. Verificou-se que, cerca de metade dos indivíduos conheceram a sua situação de serologia positiva para o VHC, entre 2001 e 2010, no entanto, 81,1% não fez tratamento para a hepatite C. Os resultados obtidos neste estudo revelam a necessidade da implementar uma estratégia que proporcione aos indivíduos um acesso facilitado ao tratamento, que resultará na maior adesão e melhoria individual do estado clínico dos indivíduos, e deste modo, evitar a disseminação do vírus na comunidade. Reforçar os programas de educação para a saúde sobre hepatite C e prevenção da infeção são também cruciais nesta população com comportamentos de risco e qua não adere aos serviços de saúde convencionais.