Publicação
Modulação das funções da célula dendrítica por variantes clonais de Burkholderia cenocepacia isoladas de um doente com fibrose quística
| Resumo: | As bactérias do complexo Burkholderia cepacia (Bcc) são responsáveis por infeções respiratórias severas em indivíduos suscetíveis, em particular doentes com fibrose quística (FQ). Estas bactérias são especialmente temidas devido à sua elevada transmissibilidade, à sua inerente resistência à terapia antimicrobiana e ao risco de síndrome da cepacia. Tem sido descrito que Burkholderia cenocepacia, uma das bactérias mais virulentas do Bcc, possui mecanismos que lhe permite evadir a resposta imune do hospedeiro, através da modulação das funções de células fagocíticas. De entre estas, as células dendríticas (DCs) desempenham um papel essencial na defesa do hospedeiro contra agentes patogénicos invasores, relacionando a resposta imune inata e adaptativa. Contudo, o seu papel no desenvolvimento da estratégia evasiva de B. cenocepacia ao sistema imune do hospedeiro, permanece pouco esclarecido. Para clarificar esta questão, neste trabalho foi estudada a interação das DCs com 4 variantes clonais de B. cenocepacia, isoladas de um mesmo doente com FQ. Concretamente, pretendeu-se verificar se existiam diferenças entre estas variantes ao nível de: internalização pelas DCs, capacidade de inibirem e/ou induzirem o processo de maturação das DCs, efeito na viabilidade das DCs e a consequência imunológica, em termos da ativação da resposta adaptativa. Demonstrou-se então que as variantes clonais consideradas mais virulentas, com base em dados anteriores, são as mais internalizadas pelas DCs. Todas as variantes, mas especialmente a última isolada imediatamente antes da morte do doente não induzem a maturação das DCs, processo que normalmente acontece nestas células em resposta a patogénios e que é essencial para ativar uma resposta adaptativa efetora. Foi também a última variante clonal isolada do doente que induziu mais morte celular (apoptose) nas DCs, reforçando a ideia de que é a variante mais virulenta. Apesar destes resultados, as DCs após internalização das várias bactérias, mas especialmente com a última variante, são capazes de estimular a expressão de IFN-γ em células T, sugerindo a indução de uma resposta adaptativa efetora. No entanto, este resultado não exclui a hipótese de que a modulação das funções das DCs pelos isolados de B. cenocepacia seja um importante contributo para restringir, pelo menos parte desta resposta, sendo necessário mais estudos para esclarecer este assunto. |
|---|---|
| Autores principais: | Pereira, Marília de Jesus Santos, 1990- |
| Assunto: | Fibrose quística Burkholderia cenocepacia Células dendríticas Teses de mestrado - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As bactérias do complexo Burkholderia cepacia (Bcc) são responsáveis por infeções respiratórias severas em indivíduos suscetíveis, em particular doentes com fibrose quística (FQ). Estas bactérias são especialmente temidas devido à sua elevada transmissibilidade, à sua inerente resistência à terapia antimicrobiana e ao risco de síndrome da cepacia. Tem sido descrito que Burkholderia cenocepacia, uma das bactérias mais virulentas do Bcc, possui mecanismos que lhe permite evadir a resposta imune do hospedeiro, através da modulação das funções de células fagocíticas. De entre estas, as células dendríticas (DCs) desempenham um papel essencial na defesa do hospedeiro contra agentes patogénicos invasores, relacionando a resposta imune inata e adaptativa. Contudo, o seu papel no desenvolvimento da estratégia evasiva de B. cenocepacia ao sistema imune do hospedeiro, permanece pouco esclarecido. Para clarificar esta questão, neste trabalho foi estudada a interação das DCs com 4 variantes clonais de B. cenocepacia, isoladas de um mesmo doente com FQ. Concretamente, pretendeu-se verificar se existiam diferenças entre estas variantes ao nível de: internalização pelas DCs, capacidade de inibirem e/ou induzirem o processo de maturação das DCs, efeito na viabilidade das DCs e a consequência imunológica, em termos da ativação da resposta adaptativa. Demonstrou-se então que as variantes clonais consideradas mais virulentas, com base em dados anteriores, são as mais internalizadas pelas DCs. Todas as variantes, mas especialmente a última isolada imediatamente antes da morte do doente não induzem a maturação das DCs, processo que normalmente acontece nestas células em resposta a patogénios e que é essencial para ativar uma resposta adaptativa efetora. Foi também a última variante clonal isolada do doente que induziu mais morte celular (apoptose) nas DCs, reforçando a ideia de que é a variante mais virulenta. Apesar destes resultados, as DCs após internalização das várias bactérias, mas especialmente com a última variante, são capazes de estimular a expressão de IFN-γ em células T, sugerindo a indução de uma resposta adaptativa efetora. No entanto, este resultado não exclui a hipótese de que a modulação das funções das DCs pelos isolados de B. cenocepacia seja um importante contributo para restringir, pelo menos parte desta resposta, sendo necessário mais estudos para esclarecer este assunto. |
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