Publicação

Europa : paisagem e pensamento : um excurso sobre Teixeira de Pascoaes, Friedrich Hölderlin, José Marinho e Martin Heidegger

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A tese «Europa: Paisagem e Pensamento. Um excurso sobre Teixeira de Pascoaes, Friedrich Hölderlin, José Marinho e Martin Heidegger» pertence ao âmbito das investigações filosóficas e literárias sobre a identidade da Europa numa época de profunda crise civilizacional. Embora se insira nesta temática, diferencia-se pelo modo de considerar uma suposta identidade através da relação entre poesia e filosofia em autores alemães e portugueses. Para este efeito o estudo começa com uma interpretação da Europa enquanto Terra do Poente ou Abendland para reconsiderar Europa no contexto da Poesia, da Filosofia da Paisagem e da Ontologia. A razão para a escolha dos autores principais fundamenta-se por um lado na importância extraordinária da paisagem nas poesias de Teixeira de Pascoaes e Friedrich Hölderlin e, por outro lado, no valor central da poesia destes poetas para os pensamentos filosóficos de José Marinho, no caso de Pascoaes, e Martin Heidegger, no caso de Hölderlin. Encontramos, além disso, não apenas nos poetas mas também nos filósofos uma vizinhança que permite repensar um suposto perpasso da noção da natureza como paisagem para a poesia e da poesia para a filosofia como também o significado profundo da terra do crepúsculo vespertino como cifra de um tempo que está simultaneamente em declínio e em expectativa de um novo amanhã. Ao apresentar o presente trabalho como um movimento do concreto para o abstracto, da contemplação da paisagem para a teoria, da aisthesis para a alétheia e da experiência ôntica para a experiência ontológica, apontamos para as características essenciais da cultura europeia que se desvelam no presente estudo a partir do diálogo entre a margem e o centro geográfico do continente. Patenteia-se nesta interpretação a importância da memória, do crepúsculo, da paisagem, do caminho, da cisão e da crise mas também do aparecer, da de-cisão e da liberdade. O pensamento da terra do poente, que emerge da poesia, desdobra-se num pensamento cujo centro de gravitação é o enigma do ser e da verdade, sendo profundamente consciente da cisão e da crise como dinâmica contínua para um futuro possível. Entre Teixeira de Pascoaes e Friedrich Hölderlin, como também entre José Marinho e Martin Heidegger ergue-se uma tradição remota da poesia e do pensar especulativo prestes para responder à nossa actualidade. Aceitar o crepúsculo como momento de plenificação de todas as possibilidades e rejeitar a noção apoética e aporética da crise é um dos principais contributos dos autores aqui investigados.
Autores principais:Hennrich, Dirk Michael
Assunto:Pascoais, Teixeira de, pseud. - Crítica e interpretação Hölderlin, Friedrich, 1770-1843 - Crítica e interpretação Marinho, José, 1904-1975 - Crítica e interpretação Heidegger, Martin, 1889-1976 - Crítica e interpretação Europa - Identidade colectiva Paisagem - Filosofia Natureza (Estética) Poesia portuguesa - séc.19-20 - História e crítica Poesia alemã - séc.18-19 - História e crítica Filosofia - Portugal - séc.20 Filosofia - Alemanha - séc.20 Teses de doutoramento - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A tese «Europa: Paisagem e Pensamento. Um excurso sobre Teixeira de Pascoaes, Friedrich Hölderlin, José Marinho e Martin Heidegger» pertence ao âmbito das investigações filosóficas e literárias sobre a identidade da Europa numa época de profunda crise civilizacional. Embora se insira nesta temática, diferencia-se pelo modo de considerar uma suposta identidade através da relação entre poesia e filosofia em autores alemães e portugueses. Para este efeito o estudo começa com uma interpretação da Europa enquanto Terra do Poente ou Abendland para reconsiderar Europa no contexto da Poesia, da Filosofia da Paisagem e da Ontologia. A razão para a escolha dos autores principais fundamenta-se por um lado na importância extraordinária da paisagem nas poesias de Teixeira de Pascoaes e Friedrich Hölderlin e, por outro lado, no valor central da poesia destes poetas para os pensamentos filosóficos de José Marinho, no caso de Pascoaes, e Martin Heidegger, no caso de Hölderlin. Encontramos, além disso, não apenas nos poetas mas também nos filósofos uma vizinhança que permite repensar um suposto perpasso da noção da natureza como paisagem para a poesia e da poesia para a filosofia como também o significado profundo da terra do crepúsculo vespertino como cifra de um tempo que está simultaneamente em declínio e em expectativa de um novo amanhã. Ao apresentar o presente trabalho como um movimento do concreto para o abstracto, da contemplação da paisagem para a teoria, da aisthesis para a alétheia e da experiência ôntica para a experiência ontológica, apontamos para as características essenciais da cultura europeia que se desvelam no presente estudo a partir do diálogo entre a margem e o centro geográfico do continente. Patenteia-se nesta interpretação a importância da memória, do crepúsculo, da paisagem, do caminho, da cisão e da crise mas também do aparecer, da de-cisão e da liberdade. O pensamento da terra do poente, que emerge da poesia, desdobra-se num pensamento cujo centro de gravitação é o enigma do ser e da verdade, sendo profundamente consciente da cisão e da crise como dinâmica contínua para um futuro possível. Entre Teixeira de Pascoaes e Friedrich Hölderlin, como também entre José Marinho e Martin Heidegger ergue-se uma tradição remota da poesia e do pensar especulativo prestes para responder à nossa actualidade. Aceitar o crepúsculo como momento de plenificação de todas as possibilidades e rejeitar a noção apoética e aporética da crise é um dos principais contributos dos autores aqui investigados.