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Utilização de modelos multi-evento captura-marcação-recaptura para determinar parâmetros epidemiológicos e o desempenho de testes de diagnóstico serológicos : exemplo da mixomatose e doença hemorrágica viral do coelho

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O coelho bravo é uma espécie chave sendo responsável pelo equilíbrio de inúmeros ecossistemas, bem como pela manutenção de muitas espécies. Com o aparecimento da Mixomatose e da Doença Hemorrágica Viral, verificou-se um declínio muito acentuado do número de coelhos, o que levou a que esta espécie fosse considerada em risco de extinção. Os estudos realizados em vida selvagem podem-se basear em estudos longitudinais, estimando parâmetros eco epidemiológicos. A grande maioria destes ensaios depende de dados serológicos e da exatidão dos testes de diagnóstico utilizados. As abordagens clássicas para estimar o desempenho diagnóstico dependem de outro ensaio assumido como referência ou de amostras de estado de infeção conhecido. Contudo, em estudos de vida selvagem ou com patógenos recentes, as abordagens descritas raramente se encontram disponíveis. Os dados recolhidos de ensaios longitudinais podem ser analisados através de modelos multi-eventos de captura-marcação-recaptura (MECMR), contabilizando a incerteza na atribuição do estado, enquanto determinam os parâmetros epidemiológicos pretendidos. Com este estudo, procurou-se confirmar a hipótese de que, ao contabilizar a incerteza na atribuição de estados, os MECMR conseguem estimar o desempenho diagnóstico dos ensaios serológicos. Avaliou-se esta hipótese utilizando dados obtidos de duas populações da subespécie do sudoeste ibérico de coelho bravo (Oryctolagus cuniculus algirus). As amostras recolhidas foram utilizadas para realizar um teste serológico para o vírus mixoma (MYXV) e três testes serológicos para o vírus da doença hemorrágica do coelho (DHV), dois para a variante GI.1 e um para a variante GI.2. Foi utilizado um método já comprovado, modelos de mistura finita, para determinar o ponto de corte ótimo e a Sensibilidade (Se) e a Especificidade (Sp) de cada um dos testes. Utilizou-se os MECMR para determinar qual o teste serológico mais eficaz, sendo este aquele que apresenta os valores de Se e Sp mais elevados. Por fim, comparou-se, num intervalo de pontos de corte, a variação da Se e da Sp entre os modelos MECMR e de mistura finita. O teste serológico empregando antigénios GI.2 foi o mais eficaz para o vírus da DHV, apresentando resultados mais realistas quando comparado com os restantes testes. Nos pontos de corte ideais, as estimativas da Se e Sp foram totalmente concordantes entre os modelos MECMR e de mistura finita. A sobrevivência dos coelhos europeus seropositivos para MYXV ou DHV foi superior à dos coelhos seronegativos. Conclui-se que os modelos MECMR podem estimar, de forma fiável, o desempenho diagnóstico dos ensaios serológicos.
Autores principais:Pacheco, Henrique Manuel Coelho
Assunto:Coelho bravo Mixomatose Doença Hemorrágica Viral MECMR Modelos de mistura finita Wild rabbit Myxomatosis Rabbit Haemorrhagic Viral Disease MECMR Finite mixture models
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O coelho bravo é uma espécie chave sendo responsável pelo equilíbrio de inúmeros ecossistemas, bem como pela manutenção de muitas espécies. Com o aparecimento da Mixomatose e da Doença Hemorrágica Viral, verificou-se um declínio muito acentuado do número de coelhos, o que levou a que esta espécie fosse considerada em risco de extinção. Os estudos realizados em vida selvagem podem-se basear em estudos longitudinais, estimando parâmetros eco epidemiológicos. A grande maioria destes ensaios depende de dados serológicos e da exatidão dos testes de diagnóstico utilizados. As abordagens clássicas para estimar o desempenho diagnóstico dependem de outro ensaio assumido como referência ou de amostras de estado de infeção conhecido. Contudo, em estudos de vida selvagem ou com patógenos recentes, as abordagens descritas raramente se encontram disponíveis. Os dados recolhidos de ensaios longitudinais podem ser analisados através de modelos multi-eventos de captura-marcação-recaptura (MECMR), contabilizando a incerteza na atribuição do estado, enquanto determinam os parâmetros epidemiológicos pretendidos. Com este estudo, procurou-se confirmar a hipótese de que, ao contabilizar a incerteza na atribuição de estados, os MECMR conseguem estimar o desempenho diagnóstico dos ensaios serológicos. Avaliou-se esta hipótese utilizando dados obtidos de duas populações da subespécie do sudoeste ibérico de coelho bravo (Oryctolagus cuniculus algirus). As amostras recolhidas foram utilizadas para realizar um teste serológico para o vírus mixoma (MYXV) e três testes serológicos para o vírus da doença hemorrágica do coelho (DHV), dois para a variante GI.1 e um para a variante GI.2. Foi utilizado um método já comprovado, modelos de mistura finita, para determinar o ponto de corte ótimo e a Sensibilidade (Se) e a Especificidade (Sp) de cada um dos testes. Utilizou-se os MECMR para determinar qual o teste serológico mais eficaz, sendo este aquele que apresenta os valores de Se e Sp mais elevados. Por fim, comparou-se, num intervalo de pontos de corte, a variação da Se e da Sp entre os modelos MECMR e de mistura finita. O teste serológico empregando antigénios GI.2 foi o mais eficaz para o vírus da DHV, apresentando resultados mais realistas quando comparado com os restantes testes. Nos pontos de corte ideais, as estimativas da Se e Sp foram totalmente concordantes entre os modelos MECMR e de mistura finita. A sobrevivência dos coelhos europeus seropositivos para MYXV ou DHV foi superior à dos coelhos seronegativos. Conclui-se que os modelos MECMR podem estimar, de forma fiável, o desempenho diagnóstico dos ensaios serológicos.