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Corpos estranhos no trato gastrointestinal de cães e gatos a propósito de 32 casos clínicos

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Resumo:Os animais de companhia ingerem frequentemente objetos que causam obstrução, e que corresponde a uma das causas mais comuns de problemas no trato gastrointestinal necessitando de tratamento cirúrgico. Com este estudo retrospetivo pretendeu-se estudar e caracterizar uma amostra de 32 casos (16 cães e 16 gatos), com um corpo estranho localizado entre o estômago e intestino delgado, quanto à sua idade aquando apresentação, sinais clínicos, tipo e localização do corpo estranho, procedimentos cirúrgicos necessário para a remoção do objeto, dias de hospitalização e complicações desenvolvidas após a cirurgia. Estes casos representaram cerca de 4% dos procedimentos cirúrgicos de um hospital veterinário de referência no período de 13 meses. A idade média aquando apresentação foi de 4,94 anos nos cães e 3.40 anos nos gatos. Os sinais clínicos estavam presentes em 75% dos animais, com os mais comuns sendo de vómito, anorexia, prostração e dor abdominal. A alteração laboratorial analítica mais encontrada foi o aumento do hematócrito e hipocaliémia em 68% e 60% dos animais, respetivamente. Os cães demostraram a ingestão de um maior número de corpos estranhos não lineares (68.8%), enquanto os gatos ingeriram mais frequentemente corpos estranhos lineares (56.2%). Contudo, não se verificou uma relação estatística entre a espécie e o tipo de corpo estranho. A localização do corpo estranho mais prevalente nos cães revelou ser o estômago, com maior número de gastrotomias realizadas (p=0.02), em contraste com os gatos onde o objeto se encontrou mais no jejuno, com necessidade de realização de mais enterotomias neste grupo (p=0.03). Os corpos estranhos lineares necessitaram de maior número de procedimentos cirúrgicos para a sua remoção (p= 0.0005), e os animais ficaram internados durante mais dias, embora esta última variável sem correlação estatística (p=0.16). A taxa de sobrevivência foi de 90.6%, com desenvolvimento de complicações pós cirúrgicas tais como deiscência de sutura, peritonite, perfuração, entre outras, em 37.5% dos cães e 25% dos gatos. Foi encontrada uma relação entre os animais que realizaram um maior número de procedimentos cirúrgicos para resolução da obstrução, e o desenvolvimento de complicações (p=0.03). Apesar do tratamento geralmente mais complexo em corpos estranhos lineares, não se conseguiu demostrar estar associado a um pior desfecho do caso no presente estudo, embora a conformação do objeto seja de facto um fator importante para o maneio do caso
Autores principais:Silva, Inês Beatriz Nunes
Assunto:Corpo estranho Cirurgia Gastrointestinal Foreign body Surgery Gastrointestina
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os animais de companhia ingerem frequentemente objetos que causam obstrução, e que corresponde a uma das causas mais comuns de problemas no trato gastrointestinal necessitando de tratamento cirúrgico. Com este estudo retrospetivo pretendeu-se estudar e caracterizar uma amostra de 32 casos (16 cães e 16 gatos), com um corpo estranho localizado entre o estômago e intestino delgado, quanto à sua idade aquando apresentação, sinais clínicos, tipo e localização do corpo estranho, procedimentos cirúrgicos necessário para a remoção do objeto, dias de hospitalização e complicações desenvolvidas após a cirurgia. Estes casos representaram cerca de 4% dos procedimentos cirúrgicos de um hospital veterinário de referência no período de 13 meses. A idade média aquando apresentação foi de 4,94 anos nos cães e 3.40 anos nos gatos. Os sinais clínicos estavam presentes em 75% dos animais, com os mais comuns sendo de vómito, anorexia, prostração e dor abdominal. A alteração laboratorial analítica mais encontrada foi o aumento do hematócrito e hipocaliémia em 68% e 60% dos animais, respetivamente. Os cães demostraram a ingestão de um maior número de corpos estranhos não lineares (68.8%), enquanto os gatos ingeriram mais frequentemente corpos estranhos lineares (56.2%). Contudo, não se verificou uma relação estatística entre a espécie e o tipo de corpo estranho. A localização do corpo estranho mais prevalente nos cães revelou ser o estômago, com maior número de gastrotomias realizadas (p=0.02), em contraste com os gatos onde o objeto se encontrou mais no jejuno, com necessidade de realização de mais enterotomias neste grupo (p=0.03). Os corpos estranhos lineares necessitaram de maior número de procedimentos cirúrgicos para a sua remoção (p= 0.0005), e os animais ficaram internados durante mais dias, embora esta última variável sem correlação estatística (p=0.16). A taxa de sobrevivência foi de 90.6%, com desenvolvimento de complicações pós cirúrgicas tais como deiscência de sutura, peritonite, perfuração, entre outras, em 37.5% dos cães e 25% dos gatos. Foi encontrada uma relação entre os animais que realizaram um maior número de procedimentos cirúrgicos para resolução da obstrução, e o desenvolvimento de complicações (p=0.03). Apesar do tratamento geralmente mais complexo em corpos estranhos lineares, não se conseguiu demostrar estar associado a um pior desfecho do caso no presente estudo, embora a conformação do objeto seja de facto um fator importante para o maneio do caso