Publicação
Desenvolvimento não clínico de fármacos para utilização pediátrica: relevância de estudos pré-clínicos em animais jovens como modelos de desenvolvimento humano
| Resumo: | Muitos medicamentos são ainda actualmente utilizados em crianças sem terem sido suficientemente estudados nesta população. A utilização incorrecta dos medicamentos em pediatria, pode provocar riscos significativos, incluindo falta de eficácia e/ou efeitos adversos inesperados. O presente trabalho apresenta uma panorâmica das actuais iniciativas regulamentares relativas ao desenvolvimento de medicamentos em pediatria, bem como as bases do conhecimento actual relativo à farmacologia pediátrica, especialmente os parâmetros farmacocinéticos que poderão influenciar a biodisponibilidade pediátrica. Apresenta ainda os aspectos mais relevantes relativos aos estudos de avaliação não clínica da segurança, com vista à utilização dos ensaios não clínicos em animais jovens, como modelo para avaliação do risco em pediatria. O principal objectivo deste trabalho foi a revisão crítica da literatura científica existente sobre o uso e utilidade de animais jovens no processo de avaliação da segurança de medicamentos pediátricos. Os sistemas orgânicos com um significativo desenvolvimento pós-natal têm um maior risco de apresentar toxicidade farmacológica. Assim, a exposição durante os “intervalos críticos” e sensíveis do desenvolvimento, deverá merecer uma atenção especial e ser integrada na avaliação do risco em medicamentos para crianças. Como os animais jovens apresentam normalmente características de desenvolvimento idênticas às da população pediátrica, poderão ser considerados modelos adequados para a avaliação do efeito farmacológico nesta população. Foi desenvolvido um estudo descritivo, com carácter retrospectivo, com a finalidade de caracterizar os medicamentos aprovados pelo procedimento centralizado de autorização de introdução no mercado, relativamente à sua informação em pediatria. A metodologia utilizada recorre à sistematização e avaliação da informação regulamentar (Resumo das características do medicamento e Relatório público europeu de avaliação) relativa aos estudos de segurança em animais jovens, como forma de prever efeitos em Pediatria. No total de 226 medicamentos aprovados, verificou-se que 72 (31,9%) possuem “Informação pediátrica”: 40 (17,7%) são especificamente indicados em pediatria e 32 (14,2%) poderão ser potencialmente utilizados em pediatria. A maioria destes medicamentos (57,6%) encontram-se indicados em idades superiores a 2 anos, incluindo os escalões etários das crianças e adolescentes. A área terapêutica com maior número de medicamentos com informação pediátrica (32/72, 44,4%) e a referente aos Anti-infecciosos. Foram identificados 22 medicamentos (9,7% do total) com ensaios não clínicos em animais jovens, incluídos no seu desenvolvimento pré-clínico: 11 (50%) com indicação terapêutica em pediatria, 4 (18,2%) com posologia pediátrica e potencial utilização em pediatria e 7 (31,8%) contra-indicados na população pediátrica. A maioria destes medicamentos são anti-retrovirais, aprovados em idades superiores a 2 anos. A maior parte destes ensaios avaliam a toxicidade ou toxicocinética, sendo o rato a espécie mais prevalente. Os resultados mostram que a informação pediátrica nos medicamentos aprovados pelo procedimento centralizado e insuficiente em relação as necessidades em pediatria. Os resultados dos ensaios não clínicos em animais jovens parecem revelar-se úteis, especialmente na previsão de efeitos adversos e/ou tóxicos, na população pediátrica. O impacto destes ensaios na decisão da indicação terapêutica em pediatria não pode ser estabelecido através da análise dos resultados apresentados, mas existem algumas situações que comprovam a sua utilidade. A necessidade de iniciar estes ensaios em medicamentos pediátricos, devera assim ser avaliada caso a caso. Desta forma, concluímos que os ensaios não clínicos em animais jovens devem ser considerados quando os resultados de segurança clínica e os resultados de ensaios não clínicos se revelarem insuficientes para a avaliação da segurança, numa determinada sub-população pediátrica. |
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| Autores principais: | Duarte, Dinah Marçal Verdugo, 1967- |
| Assunto: | Teses de mestrado Farmacologia Pediatria Farmacocinética Fármacos |
| Ano: | 2007 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Muitos medicamentos são ainda actualmente utilizados em crianças sem terem sido suficientemente estudados nesta população. A utilização incorrecta dos medicamentos em pediatria, pode provocar riscos significativos, incluindo falta de eficácia e/ou efeitos adversos inesperados. O presente trabalho apresenta uma panorâmica das actuais iniciativas regulamentares relativas ao desenvolvimento de medicamentos em pediatria, bem como as bases do conhecimento actual relativo à farmacologia pediátrica, especialmente os parâmetros farmacocinéticos que poderão influenciar a biodisponibilidade pediátrica. Apresenta ainda os aspectos mais relevantes relativos aos estudos de avaliação não clínica da segurança, com vista à utilização dos ensaios não clínicos em animais jovens, como modelo para avaliação do risco em pediatria. O principal objectivo deste trabalho foi a revisão crítica da literatura científica existente sobre o uso e utilidade de animais jovens no processo de avaliação da segurança de medicamentos pediátricos. Os sistemas orgânicos com um significativo desenvolvimento pós-natal têm um maior risco de apresentar toxicidade farmacológica. Assim, a exposição durante os “intervalos críticos” e sensíveis do desenvolvimento, deverá merecer uma atenção especial e ser integrada na avaliação do risco em medicamentos para crianças. Como os animais jovens apresentam normalmente características de desenvolvimento idênticas às da população pediátrica, poderão ser considerados modelos adequados para a avaliação do efeito farmacológico nesta população. Foi desenvolvido um estudo descritivo, com carácter retrospectivo, com a finalidade de caracterizar os medicamentos aprovados pelo procedimento centralizado de autorização de introdução no mercado, relativamente à sua informação em pediatria. A metodologia utilizada recorre à sistematização e avaliação da informação regulamentar (Resumo das características do medicamento e Relatório público europeu de avaliação) relativa aos estudos de segurança em animais jovens, como forma de prever efeitos em Pediatria. No total de 226 medicamentos aprovados, verificou-se que 72 (31,9%) possuem “Informação pediátrica”: 40 (17,7%) são especificamente indicados em pediatria e 32 (14,2%) poderão ser potencialmente utilizados em pediatria. A maioria destes medicamentos (57,6%) encontram-se indicados em idades superiores a 2 anos, incluindo os escalões etários das crianças e adolescentes. A área terapêutica com maior número de medicamentos com informação pediátrica (32/72, 44,4%) e a referente aos Anti-infecciosos. Foram identificados 22 medicamentos (9,7% do total) com ensaios não clínicos em animais jovens, incluídos no seu desenvolvimento pré-clínico: 11 (50%) com indicação terapêutica em pediatria, 4 (18,2%) com posologia pediátrica e potencial utilização em pediatria e 7 (31,8%) contra-indicados na população pediátrica. A maioria destes medicamentos são anti-retrovirais, aprovados em idades superiores a 2 anos. A maior parte destes ensaios avaliam a toxicidade ou toxicocinética, sendo o rato a espécie mais prevalente. Os resultados mostram que a informação pediátrica nos medicamentos aprovados pelo procedimento centralizado e insuficiente em relação as necessidades em pediatria. Os resultados dos ensaios não clínicos em animais jovens parecem revelar-se úteis, especialmente na previsão de efeitos adversos e/ou tóxicos, na população pediátrica. O impacto destes ensaios na decisão da indicação terapêutica em pediatria não pode ser estabelecido através da análise dos resultados apresentados, mas existem algumas situações que comprovam a sua utilidade. A necessidade de iniciar estes ensaios em medicamentos pediátricos, devera assim ser avaliada caso a caso. Desta forma, concluímos que os ensaios não clínicos em animais jovens devem ser considerados quando os resultados de segurança clínica e os resultados de ensaios não clínicos se revelarem insuficientes para a avaliação da segurança, numa determinada sub-população pediátrica. |
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