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Rastreio parasitológico em aves selvagens de zonas periurbanas do litoral e interior de Portugal

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Resumo:Os hemoparasitas, os helmintes e os ectoparasitas, nomeadamente os malófagos, são parasitas comuns de aves selvagens apresentando uma distribuição relativamente cosmopolita. Considerando a escassez de estudos nesta temática em Portugal, pretendeu-se com este trabalho contribuir para o aumento do conhecimento sobre a prevalência de hemoparasitas, helmintes e ectoparasitas em aves selvagens e da forma com esta é influenciada pela região de proveniência dos indíviuos, a sua ordem, idade, fenologia e conduta social das aves. Entre Setembro e Dezembro de 2013 foram recolhidas, amostras de sangue, ectoparasitas e helmintes de aves selvagens pertencentes a 11 ordens (Accipitriformes, Anseriformes, Bucerotiformes, Caprimulgiformes, Charadriiformes, Gruiformes, Passeriformes, Pelecaniformes, Phoenicopteriformes, Strigiformes e Suliformes) admitidas no Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS), e capturadas em duas sessões de anilhagem científica no Parque Natural da Ria Formosa. Estas amostras foram devidamente conservadas, processadas e analisadas com recurso a técnicas microscópicas. A prevalência total de infecção por pelo menos um hemoprotozoário foi de 33,59% (43/128), tendo sido identificados 4 géneros: Haemoproteus, Leucocytozoon, Plasmodium e Trypanosoma. A prevalência total de infestações por malófagos foi de 21,31% (26/122), tendo sido identificadas 18 espécies. A prevalência total de infecção por helmintes foi de 54,55% (12/22), tendo sido identificados 9 géneros de nemátodes e 3 géneros de céstodes. Verificaram-se associações estatisticamente significativas na prevalência de hemoparasitas consoante a ordem, a idade e a região de proveniência das aves bem como na prevalência de malófagos consoante a ordem das aves e a sua conduta social. Embora a maioria das associações parasita-hospedeiro identificadas neste estudo já se encontrarem descritas na literatura internacional, identificaram-se o que se sabe, pela primeira vez a nível mundial, um coleóptero da tribo Ptiliini num Grifo (Gyps fulvus) e um nemátode do género Porrocaecum numa Águia-de-Bonelli (Aquila fasciata). Ao que se sabe trata-se da primeira identificação em Portugal, do ácaro Alloptes calidridis bem como de todas as espécies de malófagos (Actornithophilus piceus lari, Actornithophilus umbrinus, Austromenopon lutescens, Colpocephalum heterossoma, Colpocephalum turbinatum, Craspedorrhynchus platystomus, Degeeriella fulva, Eidmanniella pustulosa, Falcolipeurus quadripustulatus, Laemobothrion maximum, Laemobothrion vulturis, Lunaceps schismatus, Nosopon casteli, Pectinopygus bassani, Pseudomenopon pilosum, Strigiphilus sp., Trinoton querquedulae e Trinoton femoratum) e de helmintes (Contracaecum sp., Porrocaecum sp., Synhimantus (Dispharynx) nasuta, Synhimantus (S.) laticeps, Desportesius invaginatus, Cosmocephalus obvelatus. Neyraia sp., e Diplophallus sp.), com excepção do género Tetrabothrius, já identificado em outro hospedeiro. Estes resultados contribuem de forma inequívoca para uma visão alargada sobre a infecção por hemosporídeos e helmintes, e as infestações por malófagos, de aves selvagens em Portugal.
Autores principais:Tomás, André Filipe Ventura, 1988-
Assunto:Aves Parasitas Portugal Teses de mestrado - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os hemoparasitas, os helmintes e os ectoparasitas, nomeadamente os malófagos, são parasitas comuns de aves selvagens apresentando uma distribuição relativamente cosmopolita. Considerando a escassez de estudos nesta temática em Portugal, pretendeu-se com este trabalho contribuir para o aumento do conhecimento sobre a prevalência de hemoparasitas, helmintes e ectoparasitas em aves selvagens e da forma com esta é influenciada pela região de proveniência dos indíviuos, a sua ordem, idade, fenologia e conduta social das aves. Entre Setembro e Dezembro de 2013 foram recolhidas, amostras de sangue, ectoparasitas e helmintes de aves selvagens pertencentes a 11 ordens (Accipitriformes, Anseriformes, Bucerotiformes, Caprimulgiformes, Charadriiformes, Gruiformes, Passeriformes, Pelecaniformes, Phoenicopteriformes, Strigiformes e Suliformes) admitidas no Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS), e capturadas em duas sessões de anilhagem científica no Parque Natural da Ria Formosa. Estas amostras foram devidamente conservadas, processadas e analisadas com recurso a técnicas microscópicas. A prevalência total de infecção por pelo menos um hemoprotozoário foi de 33,59% (43/128), tendo sido identificados 4 géneros: Haemoproteus, Leucocytozoon, Plasmodium e Trypanosoma. A prevalência total de infestações por malófagos foi de 21,31% (26/122), tendo sido identificadas 18 espécies. A prevalência total de infecção por helmintes foi de 54,55% (12/22), tendo sido identificados 9 géneros de nemátodes e 3 géneros de céstodes. Verificaram-se associações estatisticamente significativas na prevalência de hemoparasitas consoante a ordem, a idade e a região de proveniência das aves bem como na prevalência de malófagos consoante a ordem das aves e a sua conduta social. Embora a maioria das associações parasita-hospedeiro identificadas neste estudo já se encontrarem descritas na literatura internacional, identificaram-se o que se sabe, pela primeira vez a nível mundial, um coleóptero da tribo Ptiliini num Grifo (Gyps fulvus) e um nemátode do género Porrocaecum numa Águia-de-Bonelli (Aquila fasciata). Ao que se sabe trata-se da primeira identificação em Portugal, do ácaro Alloptes calidridis bem como de todas as espécies de malófagos (Actornithophilus piceus lari, Actornithophilus umbrinus, Austromenopon lutescens, Colpocephalum heterossoma, Colpocephalum turbinatum, Craspedorrhynchus platystomus, Degeeriella fulva, Eidmanniella pustulosa, Falcolipeurus quadripustulatus, Laemobothrion maximum, Laemobothrion vulturis, Lunaceps schismatus, Nosopon casteli, Pectinopygus bassani, Pseudomenopon pilosum, Strigiphilus sp., Trinoton querquedulae e Trinoton femoratum) e de helmintes (Contracaecum sp., Porrocaecum sp., Synhimantus (Dispharynx) nasuta, Synhimantus (S.) laticeps, Desportesius invaginatus, Cosmocephalus obvelatus. Neyraia sp., e Diplophallus sp.), com excepção do género Tetrabothrius, já identificado em outro hospedeiro. Estes resultados contribuem de forma inequívoca para uma visão alargada sobre a infecção por hemosporídeos e helmintes, e as infestações por malófagos, de aves selvagens em Portugal.