Publicação
Crianças acolhidas em lar residencial : representações de vinculação, desenvolvimento, competências sociais e comportamento
| Resumo: | O presente estudo, dirigido para crianças em acolhimento residencial, tem três objectivos principais: (1) a caracterização da situação de acolhimento institucional; (2) a caracterização das representações de vinculação, do desenvolvimento, das competências sociais e do comportamento (3) a análise da relação entre representações de vinculação, desenvolvimento, competências sociais e comportamento e variáveis relativas ao acolhimento institucional. Procede-se também à caracterização do mau-trato e negligência. Participaram no estudo 50 crianças (com idades entre 4 e 5 anos), tendo-se constituído dois grupos: Grupo 1 - crianças integradas em meio institucional (n=25), Grupo 2 - crianças integradas em meio familiar (n=25). Excluíram-se situações de abuso sexual, deficiência mental ou psicopatologia. No Grupo 2 controlou-se a idade, sexo e raça das crianças, a frequência de Jardim-de-Infância, a escolaridade dos pais, e o grupo profissional do pai, controlando-se ainda a presença de situações de mau-trato e negligência. Utilizaram-se quatro instrumentos e uma Ficha de Caracterização da Criança (com duas versões - meio institucional e meio familiar), construída com vista à recolha de informação específica face a cada criança. Os resultados mostram que a maioria das crianças integradas em meio institucional está bem adaptada ao Lar Residencial, mantém relações positivas com técnicos e crianças, e tem relações preferenciais (adultos/crianças), ainda que face a 1/3 não se identifiquem adultos como figuras de referência. A maioria das crianças contacta com os familiares de forma regular (mas cerca de 1/4 encontra-se em abandono institucional, ou passou por períodos em que tal aconteceu). Verifica-se que os grupos se diferenciam significativamente nas variáveis em estudo. As crianças do Grupo 1 apresentam um padrão de vinculação mais de tipo inseguro, pior competência na compreensão e expressão linguística, e mais problemas de comportamento, revelando, contudo, melhores competências sociais. As variáveis que melhor discriminam os grupos são as Interacções Sociais e o Total de Problemas de Comportamento. Sobressai ainda que há dimensões do desenvolvimento que se relacionam com dimensões do comportamento e das competências sociais, salientando-se igualmente relações entre o mau-trato/ negligência e as representações de vinculação. Por último, observam-se várias relações significativas entre as variáveis em estudo (incluindo o mau-trato e a negligência) e variáveis do acolhimento institucional que remetem para a admissão, a situação jurídica da criança, o contacto com familiares e a adaptação ao Lar Residencial. |
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| Autores principais: | Marques, Rita Tropa Alves dos Santos, 1977- |
| Assunto: | Teses de mestrado - 2006 Psicologia clínica Acolhimento Crianças institucionalizadas Vinculação Competências sociais |
| Ano: | 2006 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente estudo, dirigido para crianças em acolhimento residencial, tem três objectivos principais: (1) a caracterização da situação de acolhimento institucional; (2) a caracterização das representações de vinculação, do desenvolvimento, das competências sociais e do comportamento (3) a análise da relação entre representações de vinculação, desenvolvimento, competências sociais e comportamento e variáveis relativas ao acolhimento institucional. Procede-se também à caracterização do mau-trato e negligência. Participaram no estudo 50 crianças (com idades entre 4 e 5 anos), tendo-se constituído dois grupos: Grupo 1 - crianças integradas em meio institucional (n=25), Grupo 2 - crianças integradas em meio familiar (n=25). Excluíram-se situações de abuso sexual, deficiência mental ou psicopatologia. No Grupo 2 controlou-se a idade, sexo e raça das crianças, a frequência de Jardim-de-Infância, a escolaridade dos pais, e o grupo profissional do pai, controlando-se ainda a presença de situações de mau-trato e negligência. Utilizaram-se quatro instrumentos e uma Ficha de Caracterização da Criança (com duas versões - meio institucional e meio familiar), construída com vista à recolha de informação específica face a cada criança. Os resultados mostram que a maioria das crianças integradas em meio institucional está bem adaptada ao Lar Residencial, mantém relações positivas com técnicos e crianças, e tem relações preferenciais (adultos/crianças), ainda que face a 1/3 não se identifiquem adultos como figuras de referência. A maioria das crianças contacta com os familiares de forma regular (mas cerca de 1/4 encontra-se em abandono institucional, ou passou por períodos em que tal aconteceu). Verifica-se que os grupos se diferenciam significativamente nas variáveis em estudo. As crianças do Grupo 1 apresentam um padrão de vinculação mais de tipo inseguro, pior competência na compreensão e expressão linguística, e mais problemas de comportamento, revelando, contudo, melhores competências sociais. As variáveis que melhor discriminam os grupos são as Interacções Sociais e o Total de Problemas de Comportamento. Sobressai ainda que há dimensões do desenvolvimento que se relacionam com dimensões do comportamento e das competências sociais, salientando-se igualmente relações entre o mau-trato/ negligência e as representações de vinculação. Por último, observam-se várias relações significativas entre as variáveis em estudo (incluindo o mau-trato e a negligência) e variáveis do acolhimento institucional que remetem para a admissão, a situação jurídica da criança, o contacto com familiares e a adaptação ao Lar Residencial. |
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