Publicação
As mulheres troianas da Síria. Leituras contemporâneas da tragédia de Eurípides
| Resumo: | A tragédia das mulheres troianas tem sido apreciada praticamente desde sempre e a partir do século XX deixa de ser novidade a representação da tragédia de Eurípides em contexto de guerra. No entanto, quando um grupo de mulheres sírias, refugiadas na Jordânia, sem qualquer experiência de actuação, apresenta ao público a sua própria leitura do drama clássico, intitulada Syrian Trojan Women e com encenação de Omar Abusaada, abre-se um novo capítulo na história da recepção do drama clássico e que assume contornos claramente políticos quando a peça é readaptada e transformada para a sua representação num palco ocidental, agora intitulada de Queens of Syria e com encenação de Zoe Lafferty. Partindo da análise destas duas peças de teatro, esta tese apresenta, por um lado, uma reflexão sobre o motivo da escolha de uma peça incluída no cânone ocidental para representação por um grupo de sírias, o modo como a abordagem terapêutica, que esteve na base do projecto inicial, se reflectiu nas modificações à peça clássica, substituindo-se o conceito de fidelidade pelo conceito de testemunho, e de como a sua transferência para um palco ocidental levou a um processo transformativo que é revelador da importância e influência de um específico contexto social e político e de uma mensagem única que se pretende transmitir e influenciar, afectando a análise de categorias trágicas como a culpa e a responsabilidade e inclusive conduzindo a uma inversão do processo da catarse. Por outro lado, esta tese analisa o modo como estas novas leituras da tragédia de Eurípides, apesar de representadas para um público do século XXI, se interligam com o momento da representação das tragédias na polis, através da procura da recuperação do elo entre o teatro e valores intrínsecos a um sistema democrático, responsabilizando-se directamente o público sobre o resultado das suas escolhas políticas num mundo cada vez mais globalizado. Persiste a procura da resposta à pergunta da esfinge, agora formulada de outra forma, consequência das dificuldades enfrentadas pelas mulheres sírias nos países de acolhimento: “What does it mean to be a human?”. |
|---|---|
| Autores principais: | Vinagre, Sandra Pereira |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A tragédia das mulheres troianas tem sido apreciada praticamente desde sempre e a partir do século XX deixa de ser novidade a representação da tragédia de Eurípides em contexto de guerra. No entanto, quando um grupo de mulheres sírias, refugiadas na Jordânia, sem qualquer experiência de actuação, apresenta ao público a sua própria leitura do drama clássico, intitulada Syrian Trojan Women e com encenação de Omar Abusaada, abre-se um novo capítulo na história da recepção do drama clássico e que assume contornos claramente políticos quando a peça é readaptada e transformada para a sua representação num palco ocidental, agora intitulada de Queens of Syria e com encenação de Zoe Lafferty. Partindo da análise destas duas peças de teatro, esta tese apresenta, por um lado, uma reflexão sobre o motivo da escolha de uma peça incluída no cânone ocidental para representação por um grupo de sírias, o modo como a abordagem terapêutica, que esteve na base do projecto inicial, se reflectiu nas modificações à peça clássica, substituindo-se o conceito de fidelidade pelo conceito de testemunho, e de como a sua transferência para um palco ocidental levou a um processo transformativo que é revelador da importância e influência de um específico contexto social e político e de uma mensagem única que se pretende transmitir e influenciar, afectando a análise de categorias trágicas como a culpa e a responsabilidade e inclusive conduzindo a uma inversão do processo da catarse. Por outro lado, esta tese analisa o modo como estas novas leituras da tragédia de Eurípides, apesar de representadas para um público do século XXI, se interligam com o momento da representação das tragédias na polis, através da procura da recuperação do elo entre o teatro e valores intrínsecos a um sistema democrático, responsabilizando-se directamente o público sobre o resultado das suas escolhas políticas num mundo cada vez mais globalizado. Persiste a procura da resposta à pergunta da esfinge, agora formulada de outra forma, consequência das dificuldades enfrentadas pelas mulheres sírias nos países de acolhimento: “What does it mean to be a human?”. |
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