Publicação
La rehabilitación de la red ferroviaria patrimonial del Ecuador y sus efectos en la transformación del territorio
| Resumo: | Esta investigação procede a uma análise empírica da reabilitação da rede ferroviária equatoriana e dos seus efeitos na geração de novas dinâmicas socioeconómicas e na transformação dos territórios. O marco teórico utiliza uma aproximação conceptual sobre a preservação do património e os seus usos contemporâneos a partir da Teoria Ator-Rede (TAR) de Bruno Latour (2008), o que significa que o caminho-de-ferro patrimonial equatoriano é entendido como actante nas redes territoriais. A investigação divide-se em três partes: i) enquadramento teórico; ii) enquadramento histórico: construção e consolidação da rede ferroviária; iii) o papel da reabilitação do caminho-de-ferro na transformação territorial, sublinhada por um estudo de caso. O estudo de caso na zona de Alausí revela os agenciamentos do caminho-de-ferro e os seus efeitos nas dinâmicas territoriais. A abordagem teórica e metodológica utilizada permitiu analisar e avaliar a participação e atuação do caminho-de-ferro na configuração do território nacional equatoriano e o agenciamento daquele nas dinâmicas sociais e económicas das populações. O enquadramento teórico (capítulos segundo e terceiro), desenvolve-se em torno de dois eixos teóricos sobre os quais se analisam os efeitos do caminho-de-ferro na transformação dos territórios. Propõe-se uma abordagem teórica aos patrimónios, utilizações e benefícios sociais daqueles (Canclini, 1999), procurando relacioná-los com processos territoriais. O modelo de análise às transformações nos territórios inscreve-se na TAR, procurando apresentar o papel dos patrimónios como actantes nas transformações territoriais e a forma como o agenciamento daqueles afecta as relações que se estabelecem entre os diferentes atores no espaço da rede ferroviária equatoriana. O segundo capítulo, revê a teoria sobre o património e os processos de patrimonialização,, analisando as diferentes perspectivas sobre a preservação e o uso do património, enquadrado no turismo patrimonial. Nesse capítulo equaciona-se o reconhecimento dos patrimónios nos territórios como um processo de reapropriação do espaço e de revalorização da cultura local, potenciadora de alterações nos modelos de desenvolvimento local. O capítulo terceiro, desenvolve a TAR, sublinhando-se a importância de analisar as transformações nos territórios de um ponto de vista amplo, de redes heterogéneas, nas quais se reconhece a participação de atores humanos e não humanos, apresentando as redes territoriais como o conjunto de associações que melhor revelam participantes, conexões e ensambles sociais. A partir do marco teórico desenvolvido, analisa-se a declaração patrimonial do caminho-de-ferro e o processo de reabilitação daquele à luz da TAR. Com base na relacionalidade horizontal e nas redes híbridas propostas por Latour (1999, 2008), descrevem-se as diferentes redes territoriais nas quais o caminho-de-ferro participa como actante, revelando os territórios e participantes de um ponto de vista de organizativo que se eleva para além de modelos hierarquizados de atuação, propondo redes de composição heterogénea. No enquadramento histórico (capítulo quarto), a partir de uma cronologia descritiva, aborda-se o processo de construção do caminho-de-ferro desde finais do século XIX, a sua consolidação, e posteriormente a sua deterioração ao longo do século XX. Esta cronologia serve o propósito de sistematizar a parte da história do Equador relacionada com o caminho-de-ferro, um actante territorial, a participação e o relacionamento daquele com outros atores, e o seu papel na configuração do território equatoriano. O capítulo quarto, trata da construção e operação da ferrovia. Procede-se a uma caracterização dos atores mais importantes na conformação da rede ferroviária e os diferentes momentos desta, relacionados com a história equatoriana. A partir da segunda metade do século XX, mudanças na economia nacional equatoriana e avanços tecnológicos reconfiguraram o território de forma que o caminho-de-ferro deixou de ser o principal meio de transporte e comunicação, conduzindo à sua deterioração e estagnação. Nesse capítulo, apresentam-se os vários atores e acontecimentos que condicionaram o desenvolvimento do país, relevando a participação do caminho-deferro nesses processos. Quanto à reabilitação do caminho-de-ferro na transformação territorial (capítulo quinto), trata-se de analisar a reabilitação do caminho-de-ferro com fins turísticos patrimoniais a partir da declaração que o instituiu como património nacional equatoriano. No capítulo quinto, procede-se a uma contextualização, no que às últimas décadas do país diz respeito, descrevendo a participação de vários atores estratégicos no período 2007-2014 e as transformações operadas a nível político, social e económico. Num contexto nacional em que foram recuperados sectores estratégicos em benefício das populações, o reconhecimento e revitalização dos patrimónios foi uma prioridade estatal, construindo espaços de atuação para atores públicos e privados, promovendo abordagens de pontos de vista vários. Em abril de 2008, o governo nacional equatoriano declarou a rede ferroviária parte do património nacional, iniciando o seu processo de reabilitação e ativação com fins turísticos, reconhecendo a importância histórica e potencialidade daquele na promoção de transformações nos modos de vida das populações próximas da via férrea. A partir da sua reabilitação, o caminho-de-ferro consolidou-se uma vez mais como um actante territorial. Os agenciamentos do caminho-de-ferro engendraram alterações e transformações nas redes territoriais, abrindo espaço à participação de novos atores em novos modelos de desenvolvimento local. O caminho-de-ferro propiciou a consolidação de uma rede heterogénea de atores que participam no serviço ferroviário com fins turísticos patrimoniais, criando oportunidades e melhores condições de vida para as populações próximas da via férrea. Nesse capítulo, apresenta-se um estudo de caso realizado entre o mês de janeiro e fevereiro de 2015, na área de Alausí, situada ao Sul da rede ferroviária equatoriana (a operação do caminho-de-ferro está organizada em três zonas: Norte, Centro e Sul). Num primeiro momento, com a intenção de realizar um enquadramento da presença do caminho-de-ferro no território, apresentam-se resultados da análise sobre a articulação interinstitucional do caminho-de-ferro com os Governos Autónomos Descentralizados (GAD) dos municípios de Ambato, Riobamba e Alausí (relevantes pela sua população e história ferroviária na zona sul da rede). Posteriormente, a investigação centra atenções no tramo da ferrovia Alausi-Sibambe, reconhecendo a sua importância histórica como ponto onde a montanha encontra o mar (ponto de conexão entre a costa e a serra). Nesta área, encontra-se uma das atrações mais visitadas da rede ferroviária (a descida desde a serra até à costa, num trajeto de 13 km, conhecida como “Nariz del Diablo”), geradora de transformações nas dinâmicas sociais e económicas nas várias comunidades locais. A presença do caminho-de-ferro patrimonial com fins turísticos agenciou a conformação de redes territoriais de composição heterogénea, engendrou espaços de participação de novos atores, estruturou novos modelos de desenvolvimento, nos quais a cultura e o património local constroem oportunidades de criatividade e desenvolvimento, e onde as populações desenvolvem atividade vinculada ao funcionamento de uma rede ferroviária patrimonial. |
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| Autores principais: | Barreno Lalama, Andrés |
| Assunto: | Rede ferroviária - património - Equador Ordenamento do território - Equador Teses de mestrado - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | espanhol |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta investigação procede a uma análise empírica da reabilitação da rede ferroviária equatoriana e dos seus efeitos na geração de novas dinâmicas socioeconómicas e na transformação dos territórios. O marco teórico utiliza uma aproximação conceptual sobre a preservação do património e os seus usos contemporâneos a partir da Teoria Ator-Rede (TAR) de Bruno Latour (2008), o que significa que o caminho-de-ferro patrimonial equatoriano é entendido como actante nas redes territoriais. A investigação divide-se em três partes: i) enquadramento teórico; ii) enquadramento histórico: construção e consolidação da rede ferroviária; iii) o papel da reabilitação do caminho-de-ferro na transformação territorial, sublinhada por um estudo de caso. O estudo de caso na zona de Alausí revela os agenciamentos do caminho-de-ferro e os seus efeitos nas dinâmicas territoriais. A abordagem teórica e metodológica utilizada permitiu analisar e avaliar a participação e atuação do caminho-de-ferro na configuração do território nacional equatoriano e o agenciamento daquele nas dinâmicas sociais e económicas das populações. O enquadramento teórico (capítulos segundo e terceiro), desenvolve-se em torno de dois eixos teóricos sobre os quais se analisam os efeitos do caminho-de-ferro na transformação dos territórios. Propõe-se uma abordagem teórica aos patrimónios, utilizações e benefícios sociais daqueles (Canclini, 1999), procurando relacioná-los com processos territoriais. O modelo de análise às transformações nos territórios inscreve-se na TAR, procurando apresentar o papel dos patrimónios como actantes nas transformações territoriais e a forma como o agenciamento daqueles afecta as relações que se estabelecem entre os diferentes atores no espaço da rede ferroviária equatoriana. O segundo capítulo, revê a teoria sobre o património e os processos de patrimonialização,, analisando as diferentes perspectivas sobre a preservação e o uso do património, enquadrado no turismo patrimonial. Nesse capítulo equaciona-se o reconhecimento dos patrimónios nos territórios como um processo de reapropriação do espaço e de revalorização da cultura local, potenciadora de alterações nos modelos de desenvolvimento local. O capítulo terceiro, desenvolve a TAR, sublinhando-se a importância de analisar as transformações nos territórios de um ponto de vista amplo, de redes heterogéneas, nas quais se reconhece a participação de atores humanos e não humanos, apresentando as redes territoriais como o conjunto de associações que melhor revelam participantes, conexões e ensambles sociais. A partir do marco teórico desenvolvido, analisa-se a declaração patrimonial do caminho-de-ferro e o processo de reabilitação daquele à luz da TAR. Com base na relacionalidade horizontal e nas redes híbridas propostas por Latour (1999, 2008), descrevem-se as diferentes redes territoriais nas quais o caminho-de-ferro participa como actante, revelando os territórios e participantes de um ponto de vista de organizativo que se eleva para além de modelos hierarquizados de atuação, propondo redes de composição heterogénea. No enquadramento histórico (capítulo quarto), a partir de uma cronologia descritiva, aborda-se o processo de construção do caminho-de-ferro desde finais do século XIX, a sua consolidação, e posteriormente a sua deterioração ao longo do século XX. Esta cronologia serve o propósito de sistematizar a parte da história do Equador relacionada com o caminho-de-ferro, um actante territorial, a participação e o relacionamento daquele com outros atores, e o seu papel na configuração do território equatoriano. O capítulo quarto, trata da construção e operação da ferrovia. Procede-se a uma caracterização dos atores mais importantes na conformação da rede ferroviária e os diferentes momentos desta, relacionados com a história equatoriana. A partir da segunda metade do século XX, mudanças na economia nacional equatoriana e avanços tecnológicos reconfiguraram o território de forma que o caminho-de-ferro deixou de ser o principal meio de transporte e comunicação, conduzindo à sua deterioração e estagnação. Nesse capítulo, apresentam-se os vários atores e acontecimentos que condicionaram o desenvolvimento do país, relevando a participação do caminho-deferro nesses processos. Quanto à reabilitação do caminho-de-ferro na transformação territorial (capítulo quinto), trata-se de analisar a reabilitação do caminho-de-ferro com fins turísticos patrimoniais a partir da declaração que o instituiu como património nacional equatoriano. No capítulo quinto, procede-se a uma contextualização, no que às últimas décadas do país diz respeito, descrevendo a participação de vários atores estratégicos no período 2007-2014 e as transformações operadas a nível político, social e económico. Num contexto nacional em que foram recuperados sectores estratégicos em benefício das populações, o reconhecimento e revitalização dos patrimónios foi uma prioridade estatal, construindo espaços de atuação para atores públicos e privados, promovendo abordagens de pontos de vista vários. Em abril de 2008, o governo nacional equatoriano declarou a rede ferroviária parte do património nacional, iniciando o seu processo de reabilitação e ativação com fins turísticos, reconhecendo a importância histórica e potencialidade daquele na promoção de transformações nos modos de vida das populações próximas da via férrea. A partir da sua reabilitação, o caminho-de-ferro consolidou-se uma vez mais como um actante territorial. Os agenciamentos do caminho-de-ferro engendraram alterações e transformações nas redes territoriais, abrindo espaço à participação de novos atores em novos modelos de desenvolvimento local. O caminho-de-ferro propiciou a consolidação de uma rede heterogénea de atores que participam no serviço ferroviário com fins turísticos patrimoniais, criando oportunidades e melhores condições de vida para as populações próximas da via férrea. Nesse capítulo, apresenta-se um estudo de caso realizado entre o mês de janeiro e fevereiro de 2015, na área de Alausí, situada ao Sul da rede ferroviária equatoriana (a operação do caminho-de-ferro está organizada em três zonas: Norte, Centro e Sul). Num primeiro momento, com a intenção de realizar um enquadramento da presença do caminho-de-ferro no território, apresentam-se resultados da análise sobre a articulação interinstitucional do caminho-de-ferro com os Governos Autónomos Descentralizados (GAD) dos municípios de Ambato, Riobamba e Alausí (relevantes pela sua população e história ferroviária na zona sul da rede). Posteriormente, a investigação centra atenções no tramo da ferrovia Alausi-Sibambe, reconhecendo a sua importância histórica como ponto onde a montanha encontra o mar (ponto de conexão entre a costa e a serra). Nesta área, encontra-se uma das atrações mais visitadas da rede ferroviária (a descida desde a serra até à costa, num trajeto de 13 km, conhecida como “Nariz del Diablo”), geradora de transformações nas dinâmicas sociais e económicas nas várias comunidades locais. A presença do caminho-de-ferro patrimonial com fins turísticos agenciou a conformação de redes territoriais de composição heterogénea, engendrou espaços de participação de novos atores, estruturou novos modelos de desenvolvimento, nos quais a cultura e o património local constroem oportunidades de criatividade e desenvolvimento, e onde as populações desenvolvem atividade vinculada ao funcionamento de uma rede ferroviária patrimonial. |
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