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Mecanismos de resistência à fosfomicina em bactérias uropatogénicas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A fosfomicina trometamol é um antibiótico cujas propriedades farmacodinâmicas e cinéticas tornam-no particularmente eficaz no tratamento de infecções urinárias, as infecções bacterianas mais frequentes. Este estudo teve como objectivo conhecer e caracterizar os mecanismos de resistência à fosfomicina, assim como a resistência associada a outros antibióticos, de modo a explicar a viabilizar este antibiótico como alternativa no tratamento de infecções urinárias. Foram estudados inicialmente 533 isolados bacterianos de Gram negativo provenientes de urinas analisadas em laboratórios da comunidade e seleccionado um grupo de 23 isolados para prosseguir com a caracterização molecular da resistência aos antibióticos. O perfil de susceptibilidade aos antibióticos foi obtido por método de difusão em disco e a Concentração Mínima Inibitória da fosfomicina por E-test. Os genes de resistência foram pesquisados por PCR, os plasmídeos agrupados por Replicon Typing e o perfil genómico por ERIC-PCR. O transporte da fosfomicina foi avaliado usando meios mínimos com o substrato de cada transportador como única fonte de carbono. E. coli foi o agente etiológico com maior prevalência. No grupo heterogéneo de 533 bactérias, a susceptibilidade à fosfomicina foi superior a 90%. Nos 23 isolados caracterizados molecularmente, a resistência deu-se essencialmente por alterações no transporte da fosfomicina (14 em 23), mutações estas que afectam o fitness bacteriano in vivo, apesar do gene fosA estar presente em 10 isolados. No entanto, a presença deste gene em isolados sem alterações no transporte do antibiótico não foi suficiente para causar resistência. Não parece haver resistência cruzada com outras classes de antibióticos, o que pode estar relacionado com a resistência ser maioritariamente cromossomal. Estes resultados demonstram o potencial que este antibiótico pode ter na era da resistência globalizada a várias classes de antimicrobianos, nomeadamente β-lactâmicos, quinolonas e trimetoprim/sulfametoxazole, não só no tratamento de infecções urinárias, mas para além do tracto urinário.
Autores principais:Narciso, Ana Rita da Cruz, 1988-
Assunto:Microbiologia Resistência aos antibióticos Infecções urinárias Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A fosfomicina trometamol é um antibiótico cujas propriedades farmacodinâmicas e cinéticas tornam-no particularmente eficaz no tratamento de infecções urinárias, as infecções bacterianas mais frequentes. Este estudo teve como objectivo conhecer e caracterizar os mecanismos de resistência à fosfomicina, assim como a resistência associada a outros antibióticos, de modo a explicar a viabilizar este antibiótico como alternativa no tratamento de infecções urinárias. Foram estudados inicialmente 533 isolados bacterianos de Gram negativo provenientes de urinas analisadas em laboratórios da comunidade e seleccionado um grupo de 23 isolados para prosseguir com a caracterização molecular da resistência aos antibióticos. O perfil de susceptibilidade aos antibióticos foi obtido por método de difusão em disco e a Concentração Mínima Inibitória da fosfomicina por E-test. Os genes de resistência foram pesquisados por PCR, os plasmídeos agrupados por Replicon Typing e o perfil genómico por ERIC-PCR. O transporte da fosfomicina foi avaliado usando meios mínimos com o substrato de cada transportador como única fonte de carbono. E. coli foi o agente etiológico com maior prevalência. No grupo heterogéneo de 533 bactérias, a susceptibilidade à fosfomicina foi superior a 90%. Nos 23 isolados caracterizados molecularmente, a resistência deu-se essencialmente por alterações no transporte da fosfomicina (14 em 23), mutações estas que afectam o fitness bacteriano in vivo, apesar do gene fosA estar presente em 10 isolados. No entanto, a presença deste gene em isolados sem alterações no transporte do antibiótico não foi suficiente para causar resistência. Não parece haver resistência cruzada com outras classes de antibióticos, o que pode estar relacionado com a resistência ser maioritariamente cromossomal. Estes resultados demonstram o potencial que este antibiótico pode ter na era da resistência globalizada a várias classes de antimicrobianos, nomeadamente β-lactâmicos, quinolonas e trimetoprim/sulfametoxazole, não só no tratamento de infecções urinárias, mas para além do tracto urinário.