Publicação
Qualidade do sono na doença cardiovascular : o papel da reabilitação cardíaca
| Resumo: | A doença cardiovascular permanece como a principal causa de morte e de morbilidade no continente europeu. Visando a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos com doença cardiovascular, têm surgido e têm sido permanentemente melhorados diversos programas de reabilitação cardiovascular. Um dos principais objetivos dos programas de reabilitação cardiovascular é o controlo de fatores de risco. Além dos fatores de risco cardiovascular convencionais, outros fatores têm sido apontados como potencialmente modificadores de risco cardiovascular, sendo o sono um dos que tem vindo a assumir particular relevância. O sono é um estado cerebral reversível de suspensão parcial ou total da consciência, estando associado a vários processos quer fisiológicos, quer comportamentais sendo essencial à vida e saúde humanas. O exercício físico estruturado, nomeadamente exercício físico moderado a intenso com uma frequência de 3 vezes por semana, tem um impacto positivo na qualidade do sono. O objetivo geral deste trabalho é descrever a qualidade do sono dos participantes de um programa de reabilitação cardiovascular de fase II, bem como a sua trajetória, pretendendo correlacionar a qualidade do sono com a capacidade cardiorrespiratória e a qualidade de vida. Secundariamente pretende ainda descrever a qualidade do sono de um grupo de indivíduos em fase III. Os doentes foram recrutados em sessão de reabilitação tendo sido disponibilizado o questionário de avaliação de qualidade do sono de Pittsburgh e de avaliação do estado se saúde SF-36. Em sessão de reabilitação cardíaca fase II foram abordados aqueles que se encontravam na fase precoce do seu programa, tendo sido novamente abordados na sua última semana, contabilizando um seguimento médio entre as dez e as doze semanas. Os dados obtidos a partir do PSQI pré-programa e SF-36 préprograma foram correlacionados com os parâmetros da prova de esforço cardiorrespiratória e ecocardiograma pré-programa. Os doentes de fase III foram abordados num único momento tendo os dados dos questionários sido correlacionados com a avaliação cardiorrespiratória mais recente. Relativamente ao grupo de doentes em fase II, incluíram-se 29 participantes e verificou-se uma diminuição significativa do PSQI score e suas dimensões após o programa de reabilitação, com exceção para a qualidade subjetiva de sono que não apresentou variação significativa. Ao correlacionar o PSQI com o questionário da qualidade de vida SF-36 bem como das suas escalas verificou-se em ambas os períodos de avaliação que quantos mais elevado o PSQI score e o score das suas dimensões, menor o nível de satisfação com a vida. Correlacionando o PSQI score com as variáveis clínicas verificou-se que um menor PSQI score se correlacionou com melhor desempenho na PECR e relativamente ao ecocardiograma não foram verificadas correlações significativas com exceção para a dimensão da aurícula esquerda que se correlacionou de forma significativa com a eficiência habitual do sono. Adicionalmente, avaliou-se um grupo distinto que se encontrava em fase III de reabilitação, tendo-se incluído 39 participantes. Estes participantes apresentavam um PSQI score elevado, sendo a dimensão de eficiência habitual do sono aquela que parece contribuir de forma mais importante revelando uma má qualidade do sono entre estes. Neste grupo correlacionou-se ainda o PSQI com a qualidade de vida recorrendo ao SF-36 tendo-se verificado uma correlação significativa entre as dimensões do PSQI relativas à latência do sono e disfunção diurna com a dimensão de dor corporal do SF-36. Relativamente às variáveis clínicas, verificou-se também neste grupo que os participantes com melhor PSQI score também apresentavam melhor desempenho na PECR. Verificaram-se algumas correlações entre o PSQI e o ecocardiograma neste grupo, com destaque para a correlações positiva moderada entre a latência do sono com a PSAP e as dimensões da aurícula esquerda e o PSQI score. Os doentes em programas de reabilitação cardíaca apresentam baixa qualidade do sono. O programa de reabilitação cardiovascular tem um impacto positivo na qualidade do sono dos seus participantes, sobretudo nas primeiras fases. Parece ser relevante a inclusão de instrumentos de rastreio da qualidade do sono de forma rotineira nos programas de reabilitação cardíaca de modo a potenciar o manejo do risco cardiovascular com intervenções precoces no potencial fator de risco cardiovascular que são as perturbações do sono. |
|---|---|
| Autores principais: | Sequeira, Mafalda Sofia Neto |
| Assunto: | Qualidade do sono Reabilitação cardiovascular Qualidade de vida Risco cardiovascular Teses de mestrado - 2022 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A doença cardiovascular permanece como a principal causa de morte e de morbilidade no continente europeu. Visando a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos com doença cardiovascular, têm surgido e têm sido permanentemente melhorados diversos programas de reabilitação cardiovascular. Um dos principais objetivos dos programas de reabilitação cardiovascular é o controlo de fatores de risco. Além dos fatores de risco cardiovascular convencionais, outros fatores têm sido apontados como potencialmente modificadores de risco cardiovascular, sendo o sono um dos que tem vindo a assumir particular relevância. O sono é um estado cerebral reversível de suspensão parcial ou total da consciência, estando associado a vários processos quer fisiológicos, quer comportamentais sendo essencial à vida e saúde humanas. O exercício físico estruturado, nomeadamente exercício físico moderado a intenso com uma frequência de 3 vezes por semana, tem um impacto positivo na qualidade do sono. O objetivo geral deste trabalho é descrever a qualidade do sono dos participantes de um programa de reabilitação cardiovascular de fase II, bem como a sua trajetória, pretendendo correlacionar a qualidade do sono com a capacidade cardiorrespiratória e a qualidade de vida. Secundariamente pretende ainda descrever a qualidade do sono de um grupo de indivíduos em fase III. Os doentes foram recrutados em sessão de reabilitação tendo sido disponibilizado o questionário de avaliação de qualidade do sono de Pittsburgh e de avaliação do estado se saúde SF-36. Em sessão de reabilitação cardíaca fase II foram abordados aqueles que se encontravam na fase precoce do seu programa, tendo sido novamente abordados na sua última semana, contabilizando um seguimento médio entre as dez e as doze semanas. Os dados obtidos a partir do PSQI pré-programa e SF-36 préprograma foram correlacionados com os parâmetros da prova de esforço cardiorrespiratória e ecocardiograma pré-programa. Os doentes de fase III foram abordados num único momento tendo os dados dos questionários sido correlacionados com a avaliação cardiorrespiratória mais recente. Relativamente ao grupo de doentes em fase II, incluíram-se 29 participantes e verificou-se uma diminuição significativa do PSQI score e suas dimensões após o programa de reabilitação, com exceção para a qualidade subjetiva de sono que não apresentou variação significativa. Ao correlacionar o PSQI com o questionário da qualidade de vida SF-36 bem como das suas escalas verificou-se em ambas os períodos de avaliação que quantos mais elevado o PSQI score e o score das suas dimensões, menor o nível de satisfação com a vida. Correlacionando o PSQI score com as variáveis clínicas verificou-se que um menor PSQI score se correlacionou com melhor desempenho na PECR e relativamente ao ecocardiograma não foram verificadas correlações significativas com exceção para a dimensão da aurícula esquerda que se correlacionou de forma significativa com a eficiência habitual do sono. Adicionalmente, avaliou-se um grupo distinto que se encontrava em fase III de reabilitação, tendo-se incluído 39 participantes. Estes participantes apresentavam um PSQI score elevado, sendo a dimensão de eficiência habitual do sono aquela que parece contribuir de forma mais importante revelando uma má qualidade do sono entre estes. Neste grupo correlacionou-se ainda o PSQI com a qualidade de vida recorrendo ao SF-36 tendo-se verificado uma correlação significativa entre as dimensões do PSQI relativas à latência do sono e disfunção diurna com a dimensão de dor corporal do SF-36. Relativamente às variáveis clínicas, verificou-se também neste grupo que os participantes com melhor PSQI score também apresentavam melhor desempenho na PECR. Verificaram-se algumas correlações entre o PSQI e o ecocardiograma neste grupo, com destaque para a correlações positiva moderada entre a latência do sono com a PSAP e as dimensões da aurícula esquerda e o PSQI score. Os doentes em programas de reabilitação cardíaca apresentam baixa qualidade do sono. O programa de reabilitação cardiovascular tem um impacto positivo na qualidade do sono dos seus participantes, sobretudo nas primeiras fases. Parece ser relevante a inclusão de instrumentos de rastreio da qualidade do sono de forma rotineira nos programas de reabilitação cardíaca de modo a potenciar o manejo do risco cardiovascular com intervenções precoces no potencial fator de risco cardiovascular que são as perturbações do sono. |
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