Publicação
Novas Ruínas : o insucesso de projetos imobiliários turísticos em Portugal e no Brasil
| Resumo: | A busca pela satisfação da necessidade de lazer e ócio faz surgir, nos territórios, espaços que podem ser consumidos a partir da prática do turismo, através da compra ou uso de residências secundárias durante o período de férias e/ou descanso. Para entender este fenómeno foram estudados dois territórios com um acentuado número de residências utilizadas ocasionalmente: o município de Óbidos, em Portugal, e o município de Tibau do Sul, no Brasil. Devido a inconsistências do sistema capitalista e a conjunturas particulares, alguns empreendimentos inseridos nestes territórios voltados para as residências secundárias fracassaram, produzindo novas ruínas. Assim, o objetivo desse trabalho foi compreender a atividade imobiliária-turística dessas localidades e perceber como os territórios foram escolhidos e estruturados para receber investimentos em imóveis para uso turístico. A partir dessa compreensão, buscou-se investigar junto aos stakeholders locais as causas dos fracassos dos empreendimentos e como a crise global de 2008 impactou cada localidade, além dos efeitos produzidos nas paisagens e comunidades locais. Foram encontrados quatro empreendimentos em ruínas em cada município. Em Óbidos, as inconsistências financeiras dos investidores representaram uma das principais causas das falências dos empreendimentos, enquanto em Tibau do Sul foram apontadas causas variadas. Já em relação aos efeitos da crise económica de 2008, Tibau do Sul apresentou-se menos vulnerável às oscilações do capital, enquanto Óbidos teve influência direta da crise na falência de estruturas e decadência da paisagem. Os efeitos e as consequências das falências dos empreendimentos no territórios e na comunidade foram semelhantes. As expectativas geradas em relação à contribuição na dinamização da economia local com a implementação dos empreendimentos não foram alcançadas, ainda que o espaço territorial dos municípios já tivesse sido alienado. As ruínas estudadas neste trabalho revelaram a fragilidade do mercado imobiliário-turístico quando dependente do financiamento bancário para o escoamento da produção (de imóveis), quer seja pela instabilidade do próprio sistema, quer seja pela crença num mundo globalizado e sem fronteiras para os investimentos. |
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| Autores principais: | Nunes, Maria Rita |
| Assunto: | Novas Ruínas Imobiliário-turístico Residência Secundária Turismo |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A busca pela satisfação da necessidade de lazer e ócio faz surgir, nos territórios, espaços que podem ser consumidos a partir da prática do turismo, através da compra ou uso de residências secundárias durante o período de férias e/ou descanso. Para entender este fenómeno foram estudados dois territórios com um acentuado número de residências utilizadas ocasionalmente: o município de Óbidos, em Portugal, e o município de Tibau do Sul, no Brasil. Devido a inconsistências do sistema capitalista e a conjunturas particulares, alguns empreendimentos inseridos nestes territórios voltados para as residências secundárias fracassaram, produzindo novas ruínas. Assim, o objetivo desse trabalho foi compreender a atividade imobiliária-turística dessas localidades e perceber como os territórios foram escolhidos e estruturados para receber investimentos em imóveis para uso turístico. A partir dessa compreensão, buscou-se investigar junto aos stakeholders locais as causas dos fracassos dos empreendimentos e como a crise global de 2008 impactou cada localidade, além dos efeitos produzidos nas paisagens e comunidades locais. Foram encontrados quatro empreendimentos em ruínas em cada município. Em Óbidos, as inconsistências financeiras dos investidores representaram uma das principais causas das falências dos empreendimentos, enquanto em Tibau do Sul foram apontadas causas variadas. Já em relação aos efeitos da crise económica de 2008, Tibau do Sul apresentou-se menos vulnerável às oscilações do capital, enquanto Óbidos teve influência direta da crise na falência de estruturas e decadência da paisagem. Os efeitos e as consequências das falências dos empreendimentos no territórios e na comunidade foram semelhantes. As expectativas geradas em relação à contribuição na dinamização da economia local com a implementação dos empreendimentos não foram alcançadas, ainda que o espaço territorial dos municípios já tivesse sido alienado. As ruínas estudadas neste trabalho revelaram a fragilidade do mercado imobiliário-turístico quando dependente do financiamento bancário para o escoamento da produção (de imóveis), quer seja pela instabilidade do próprio sistema, quer seja pela crença num mundo globalizado e sem fronteiras para os investimentos. |
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