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Os contornos do emprego e do trabalho na economia social : estudos de caso nos distritos de Viseu e da Guarda

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Resumo:A globalização da economia, a crise do Estado-providência, a precarização do trabalho e do emprego, as desigualdades sociais, o aumento do desemprego, a nova pobreza, a exclusão social e laboral, entre outros aspectos, suscitaram/suscitam a emergência de novos problemas sociais para os quais é importante encontrar respostas. Neste contexto, a economia social é chamada a participar e a sua evolução mais recente não só confirma a sua capacidade na resolução destes novos problemas, como reforça a sua posição nas áreas mais tradicionais da sua intervenção. Consequentemente, a economia social parece abrir caminho à possibilidade de dinamizar um modelo diferente de desenvolvimento. Um modelo que se deseja mais humanizado e sustentável. Um dos objectivos centrais deste estudo é o de problematizar a economia social, valorizando uma das suas “atractividades” mais recentes: a capacidade de criar e promover o emprego e a sua importância enquanto vector de inserção e integração no mercado de trabalho e de emprego de certos grupos de trabalhadores (grupos vulneráveis/em desvantagem). No entanto, estas “atractividades” não nos impedem de argumentar que qualquer uma delas comporta vantagens e “riscos/armadilhas”. A presente dissertação está organizada em duas partes. A Parte I é dedicada à contextualização da problemática e ao enquadramento teórico. Partindo de um quadro teóricoconceptual alicerçado nas transformações socioeconómicas, analisámos o debate e a contribuição plural da economia social, não esquecendo a sua diversidade europeia e nacional (que os dados estatísticos também ajudam a comprovar) e o seu potencial empregador. O estudo empírico (Parte II) incide sobre as organizações da economia social, numa dupla componente: componente social (instituições particulares de solidariedade social) e componente cooperativa (cooperativas) e articula dois níveis de análise: análise quantitativa (dados estatísticos e informação recolhida através do inquérito por questionário) e a análise qualitativa (resultante da realização de diferentes guiões de entrevista). O âmbito geográfico do estudo abrange concelhos de dois distritos: Viseu e Guarda. Em relação à economia social, a articulação entre os dois níveis de análise referidos anteriormente permitiu, entre outros aspectos, constatar: a diversidade (natureza jurídica; número de trabalhadores; ramos cooperativos; actividades desenvolvidas; etc.); o potencial empregador, particularmente dos grupos vulneráveis/em desvantagem; a feminização do emprego; a diversidade dos recursos humanos (trabalhadores remunerados e trabalhadores voluntários); a estabilidade do vínculo contratual; a proximidade da intervenção; os contributos (entre eles: a criação de emprego; a satisfação das necessidades locais; a dinamização da economia local; a fixação das pessoas no meio e a promoção do desenvolvimento local) e os problemas específicos (por exemplo: as dificuldades de gestão; a burocracia; a qualificação e a formação dos recursos humanos; a falta de reconhecimento da economia social e a sua “invisibilidade”; etc.); os baixos salários; os pontos fortes, os pontos fracos, as oportunidades e as ameaças. A economia social para além de ser uma relevante empregadora de mão-de-obra local tem também um significado importante enquanto primeiro emprego. Registe-se que, na grande maioria dos casos, a economia social não fez parte do percurso laboral/profissional daqueles trabalhadores para quem o emprego actual não foi o primeiro emprego.
Autores principais:Sousa, Maria Teresa de
Assunto:economia social trabalho e emprego grupos vulneráveis/em desvantagem percurso pessoal e profissional/laboral criação de emprego inserção e integração feminização do emprego instituições particulares de solidariedade social cooperativas crise do Estado-Providência social economy work and employment vulnerable/disadvantaged groups personal and professional/work path creation of employment insertion and integration feminization of employment private social solidarity institutions cooperatives crisis of the Welfare-State
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A globalização da economia, a crise do Estado-providência, a precarização do trabalho e do emprego, as desigualdades sociais, o aumento do desemprego, a nova pobreza, a exclusão social e laboral, entre outros aspectos, suscitaram/suscitam a emergência de novos problemas sociais para os quais é importante encontrar respostas. Neste contexto, a economia social é chamada a participar e a sua evolução mais recente não só confirma a sua capacidade na resolução destes novos problemas, como reforça a sua posição nas áreas mais tradicionais da sua intervenção. Consequentemente, a economia social parece abrir caminho à possibilidade de dinamizar um modelo diferente de desenvolvimento. Um modelo que se deseja mais humanizado e sustentável. Um dos objectivos centrais deste estudo é o de problematizar a economia social, valorizando uma das suas “atractividades” mais recentes: a capacidade de criar e promover o emprego e a sua importância enquanto vector de inserção e integração no mercado de trabalho e de emprego de certos grupos de trabalhadores (grupos vulneráveis/em desvantagem). No entanto, estas “atractividades” não nos impedem de argumentar que qualquer uma delas comporta vantagens e “riscos/armadilhas”. A presente dissertação está organizada em duas partes. A Parte I é dedicada à contextualização da problemática e ao enquadramento teórico. Partindo de um quadro teóricoconceptual alicerçado nas transformações socioeconómicas, analisámos o debate e a contribuição plural da economia social, não esquecendo a sua diversidade europeia e nacional (que os dados estatísticos também ajudam a comprovar) e o seu potencial empregador. O estudo empírico (Parte II) incide sobre as organizações da economia social, numa dupla componente: componente social (instituições particulares de solidariedade social) e componente cooperativa (cooperativas) e articula dois níveis de análise: análise quantitativa (dados estatísticos e informação recolhida através do inquérito por questionário) e a análise qualitativa (resultante da realização de diferentes guiões de entrevista). O âmbito geográfico do estudo abrange concelhos de dois distritos: Viseu e Guarda. Em relação à economia social, a articulação entre os dois níveis de análise referidos anteriormente permitiu, entre outros aspectos, constatar: a diversidade (natureza jurídica; número de trabalhadores; ramos cooperativos; actividades desenvolvidas; etc.); o potencial empregador, particularmente dos grupos vulneráveis/em desvantagem; a feminização do emprego; a diversidade dos recursos humanos (trabalhadores remunerados e trabalhadores voluntários); a estabilidade do vínculo contratual; a proximidade da intervenção; os contributos (entre eles: a criação de emprego; a satisfação das necessidades locais; a dinamização da economia local; a fixação das pessoas no meio e a promoção do desenvolvimento local) e os problemas específicos (por exemplo: as dificuldades de gestão; a burocracia; a qualificação e a formação dos recursos humanos; a falta de reconhecimento da economia social e a sua “invisibilidade”; etc.); os baixos salários; os pontos fortes, os pontos fracos, as oportunidades e as ameaças. A economia social para além de ser uma relevante empregadora de mão-de-obra local tem também um significado importante enquanto primeiro emprego. Registe-se que, na grande maioria dos casos, a economia social não fez parte do percurso laboral/profissional daqueles trabalhadores para quem o emprego actual não foi o primeiro emprego.