Publicação

Isolamento de compostos bioativos de Arbutus unedo e de Corema album e avaliação das suas propriedades antimicrobianas contra microrganismos relevantes na indústria alimentar

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Desde tempos imemoriais, as plantas têm sido utilizadas de inúmeras formas, desde a alimentação, à medicina e até nos rituais fúnebres. Os extratos vegetais e óleos essenciais contêm uma variedade de compostos bioativos que apresentam um conjunto de propriedades benéficas, entre elas a capacidade de inibir e eliminar microrganismos, tornando-se assim numa possibilidade para utilização na indústria alimentar, como desinfetantes ou aditivos alimentares. De facto, a presença de microrganismos patogénicos em alimentos, bem como a capacidade de estes formarem biofilmes, tem impulsionado a comunidade científica na busca de alternativas aos desinfetantes. Neste contexto, no presente estudo foram extraídos compostos bioactivos de duas espécies vegetais, Arbutus unedo e Corema album, recorrendo a diferentes solventes orgânicos e água. Os extratos obtidos foram de seguida analisados quanto ao seu potencial antimicrobiano, sobre bactérias relevantes na indústria alimentar (Aeromonas hydrophila, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Salmonella enterica, Bacillus cereus, Enterococcus faecalis, Listeria monocytogenes, Stapylococcus aureus), tanto na sua forma planctónica como na forma de biofilme. Foi ainda avaliada a capacidade de erradicação de biofilmes já formados. Os ensaios foram realizados com 24, 48 e 72 h de incubação, utilizando duas temperaturas, 10 e 37 ºC, de forma a simular condições associadas à indústria alimentar e ao Homem (enquanto consumidor de alimentos potencialmente contaminados com microrganismos patogénicos). Para os extratos que revelaram possuir maior capacidade antimicrobiana, recorreu-se ao método da microdiluição para determinação da concentração mínima inibitória (CMI), concentração mínima bactericida (CMB) e concentração mínima de erradicação de biofilme (CMEB). Os resultados obtidos revelaram diferentes padrões de formação de biofilme entre os isolados em estudo, com clara influência da temperatura e do período de incubação. Ficou ainda demonstrado que os extratos resultantes das folhas da camarinheira possuem atividade antibacteriana contra L. monocytogenes na forma planctónica, mas não sobre biofilmes pré-existentes. Em conclusão, foi possível confirmar a potencialidade da utilização de extratos de origem vegetal como antimicrobianos. No entanto, é fundamental realizar estudos mais detalhados, nomeadamente recorrendo a modelos alimentares “in food model”, de modo a simular condições mais próximas da realidade.
Autores principais:Félix, Vanessa Isabel Pires
Assunto:Arbutus unedo Corema album Propriedade antimicrobiana Biofilme Segurança dos alimentos Arbutus unedo Corema album Antimicrobial properties Biofilm Food safety
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Desde tempos imemoriais, as plantas têm sido utilizadas de inúmeras formas, desde a alimentação, à medicina e até nos rituais fúnebres. Os extratos vegetais e óleos essenciais contêm uma variedade de compostos bioativos que apresentam um conjunto de propriedades benéficas, entre elas a capacidade de inibir e eliminar microrganismos, tornando-se assim numa possibilidade para utilização na indústria alimentar, como desinfetantes ou aditivos alimentares. De facto, a presença de microrganismos patogénicos em alimentos, bem como a capacidade de estes formarem biofilmes, tem impulsionado a comunidade científica na busca de alternativas aos desinfetantes. Neste contexto, no presente estudo foram extraídos compostos bioactivos de duas espécies vegetais, Arbutus unedo e Corema album, recorrendo a diferentes solventes orgânicos e água. Os extratos obtidos foram de seguida analisados quanto ao seu potencial antimicrobiano, sobre bactérias relevantes na indústria alimentar (Aeromonas hydrophila, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Salmonella enterica, Bacillus cereus, Enterococcus faecalis, Listeria monocytogenes, Stapylococcus aureus), tanto na sua forma planctónica como na forma de biofilme. Foi ainda avaliada a capacidade de erradicação de biofilmes já formados. Os ensaios foram realizados com 24, 48 e 72 h de incubação, utilizando duas temperaturas, 10 e 37 ºC, de forma a simular condições associadas à indústria alimentar e ao Homem (enquanto consumidor de alimentos potencialmente contaminados com microrganismos patogénicos). Para os extratos que revelaram possuir maior capacidade antimicrobiana, recorreu-se ao método da microdiluição para determinação da concentração mínima inibitória (CMI), concentração mínima bactericida (CMB) e concentração mínima de erradicação de biofilme (CMEB). Os resultados obtidos revelaram diferentes padrões de formação de biofilme entre os isolados em estudo, com clara influência da temperatura e do período de incubação. Ficou ainda demonstrado que os extratos resultantes das folhas da camarinheira possuem atividade antibacteriana contra L. monocytogenes na forma planctónica, mas não sobre biofilmes pré-existentes. Em conclusão, foi possível confirmar a potencialidade da utilização de extratos de origem vegetal como antimicrobianos. No entanto, é fundamental realizar estudos mais detalhados, nomeadamente recorrendo a modelos alimentares “in food model”, de modo a simular condições mais próximas da realidade.