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Contraceção hormonal masculina: uma mudança de paradigma na saúde reprodutiva?

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Resumo:Nos últimos 50 anos têm-se verificado progressos científicos significativos no estudo da contraceção feminina. Porém, a população mundial continua a crescer rapidamente, acarretando consequências ambientais devastadoras, como o aquecimento global. Além disso, quase metade de todas as gravidezes permanecem indesejadas ou não planeadas. A gravidez indesejada é um problema de saúde pública mundial. Apesar da existência de uma variedade de opções contracetivas femininas, as opções contracetivas masculinas limitam-se ao preservativo e à vasectomia. O preservativo tem elevada taxa de insucesso e a vasectomia não é totalmente reversível. Desta forma, a necessidade e o desejo global por novos métodos contracetivos masculinos são inegáveis. Os métodos contracetivos hormonais foram os que mais progrediram no desenvolvimento clínico e as formulações de androgénios em combinação com progestinas prometem ser uma solução contracetiva reversível e comercializável na próxima década. Os ensaios clínicos demonstraram a segurança e reversibilidade da contraceção hormonal masculina, embora efeitos secundários como aumento de peso, acne, alterações de humor e alterações da líbido tenham sido reportados. Apesar de um progresso mais lento, os métodos contracetivos não hormonais masculinos, como os métodos de obstrução dos vasos deferentes, estão atualmente em ensaios clínicos em alguns países. Desafios como a falta de investimento por parte da indústria farmacêutica, preocupações com possíveis efeitos secundários, assim como questões de eficácia, reversibilidade e aceitabilidade dificultam o desenvolvimento e disponibilidade de novos métodos contracetivos masculinos. Contudo, a sua eventual disponibilidade pode representar um marco crucial na redução das taxas de gravidezes indesejadas e um avanço rumo à justiça reprodutiva e equidade no planeamento familiar. No entanto, até que isso aconteça, as mulheres continuarão a ser responsáveis pelo fardo da contraceção, perpetuando a disparidade de género no planeamento familiar.
Autores principais:Lopes, Ana Carolina Teixeira Medeiros
Assunto:Contraceção masculina Contraceção hormonal masculina Contraceção não hormonal masculina Planeamento familiar Saúde reprodutiva Mestrado Integrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nos últimos 50 anos têm-se verificado progressos científicos significativos no estudo da contraceção feminina. Porém, a população mundial continua a crescer rapidamente, acarretando consequências ambientais devastadoras, como o aquecimento global. Além disso, quase metade de todas as gravidezes permanecem indesejadas ou não planeadas. A gravidez indesejada é um problema de saúde pública mundial. Apesar da existência de uma variedade de opções contracetivas femininas, as opções contracetivas masculinas limitam-se ao preservativo e à vasectomia. O preservativo tem elevada taxa de insucesso e a vasectomia não é totalmente reversível. Desta forma, a necessidade e o desejo global por novos métodos contracetivos masculinos são inegáveis. Os métodos contracetivos hormonais foram os que mais progrediram no desenvolvimento clínico e as formulações de androgénios em combinação com progestinas prometem ser uma solução contracetiva reversível e comercializável na próxima década. Os ensaios clínicos demonstraram a segurança e reversibilidade da contraceção hormonal masculina, embora efeitos secundários como aumento de peso, acne, alterações de humor e alterações da líbido tenham sido reportados. Apesar de um progresso mais lento, os métodos contracetivos não hormonais masculinos, como os métodos de obstrução dos vasos deferentes, estão atualmente em ensaios clínicos em alguns países. Desafios como a falta de investimento por parte da indústria farmacêutica, preocupações com possíveis efeitos secundários, assim como questões de eficácia, reversibilidade e aceitabilidade dificultam o desenvolvimento e disponibilidade de novos métodos contracetivos masculinos. Contudo, a sua eventual disponibilidade pode representar um marco crucial na redução das taxas de gravidezes indesejadas e um avanço rumo à justiça reprodutiva e equidade no planeamento familiar. No entanto, até que isso aconteça, as mulheres continuarão a ser responsáveis pelo fardo da contraceção, perpetuando a disparidade de género no planeamento familiar.