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Núcleo accumbens humano : da anatomia à imagiologia e clínica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O Núcleo Accumbens Humano (Acc) é a principal estrutura do Estriado Ventral. Constitui uma interface límbico-motora e tem um papel central nos circuitos de recompensa cerebral. Cumpre funções emocionais, motivacionais e psicomotoras, estando envolvido em diversas patologias neuropsiquiátricas. Este núcleo, bem caracterizado nos animais de experiência, não tem os seus limites, relações anatómicas e significado funcional bem estabelecidos na espécie humana. Contudo, tornou-se um alvo para a estimulação cerebral profunda (ECP) no tratamento de algumas doenças psiquiátricas, refratárias ao tratamento médico. O desenvolvimento e refinamento destas técnicas neurocirúrgicas depende de uma investigação rigorosa e abrangente da anatomia e características imagiológicas do Acc. O presente estudo estabeleceu que o Acc representa, na nossa espécie, uma entidade morfológica independente. Registou a sua conformação e tamanho médios, determinou as suas coordenadas estereotáxicas e assim, a sua localização no cérebro humano. Recorrendo a estes dados, foi construído um modelo tridimensional, definindo um alvo preciso para a ECP. O estudo anatómico foi complementado com uma análise histológica e imunohistoquímica, estabelecendo a localização preferencial dos receptores dopaminérgicos no segmento posterior do núcleo. Foi também identificada uma extensão subcomissural do Acc, contígua com os Núcleos da Estria Terminal, descrita pela primeira vez e cuja existência tinha sido anteriormente sugerida por estudos clínicos de ECP. A caracterização estrutural, funcional e de conectividade por Ressonância Magnética (RM) de alto campo e técnicas avançadas de Tensores de Difusão/Tratografia, permitiu selecionar e otimizar as ponderações de RM para uma melhor individualização do Acc in vivo, bem como registar a sua subdivisão em duas regiões distintas. Os resultados de todos estes estudos foram integrados num sistema de neuronavegação, permitindo estabelecer, de forma rigorosa e segura, o alvo e trajetórias para a ECP no tratamento com sucesso de um caso de toxicodependência refratária.
Autores principais:Neto, Lia Pereira Lucas, 1979-
Assunto:Núcleo Accumbens Gânglios da base Imagem por ressonância magnética Estimulação encefálica profunda Anatomia Teses de doutoramento - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O Núcleo Accumbens Humano (Acc) é a principal estrutura do Estriado Ventral. Constitui uma interface límbico-motora e tem um papel central nos circuitos de recompensa cerebral. Cumpre funções emocionais, motivacionais e psicomotoras, estando envolvido em diversas patologias neuropsiquiátricas. Este núcleo, bem caracterizado nos animais de experiência, não tem os seus limites, relações anatómicas e significado funcional bem estabelecidos na espécie humana. Contudo, tornou-se um alvo para a estimulação cerebral profunda (ECP) no tratamento de algumas doenças psiquiátricas, refratárias ao tratamento médico. O desenvolvimento e refinamento destas técnicas neurocirúrgicas depende de uma investigação rigorosa e abrangente da anatomia e características imagiológicas do Acc. O presente estudo estabeleceu que o Acc representa, na nossa espécie, uma entidade morfológica independente. Registou a sua conformação e tamanho médios, determinou as suas coordenadas estereotáxicas e assim, a sua localização no cérebro humano. Recorrendo a estes dados, foi construído um modelo tridimensional, definindo um alvo preciso para a ECP. O estudo anatómico foi complementado com uma análise histológica e imunohistoquímica, estabelecendo a localização preferencial dos receptores dopaminérgicos no segmento posterior do núcleo. Foi também identificada uma extensão subcomissural do Acc, contígua com os Núcleos da Estria Terminal, descrita pela primeira vez e cuja existência tinha sido anteriormente sugerida por estudos clínicos de ECP. A caracterização estrutural, funcional e de conectividade por Ressonância Magnética (RM) de alto campo e técnicas avançadas de Tensores de Difusão/Tratografia, permitiu selecionar e otimizar as ponderações de RM para uma melhor individualização do Acc in vivo, bem como registar a sua subdivisão em duas regiões distintas. Os resultados de todos estes estudos foram integrados num sistema de neuronavegação, permitindo estabelecer, de forma rigorosa e segura, o alvo e trajetórias para a ECP no tratamento com sucesso de um caso de toxicodependência refratária.