Publicação
Análise da taxa de elétrodos não centrais na estimulação cerebral profunda bilateral do núcleo subtalâmico : um estudo retrospetivo
| Resumo: | Introdução: A Estimulação Cerebral Profunda (ECP) é um procedimento cirúrgico eficaz para o tratamento das alterações motores da Doença de Parkinson (DP). Durante a cirurgia, pode ocorrer o fenómeno conhecido como brain shift, causado pela perda de líquido cefalorraquidiano, manipulação cerebral, efeitos da gravidade ou mudanças no volume do tecido cerebral. Este fenómeno, que pode aumentar com o tempo cirúrgico, é mais pronunciado no segundo lado implantado, podendo resultar em erros e impactar a eficácia e segurança da cirurgia. Deste modo, se a principal causa para serem implantados elétrodos não centrais fosse o desvio condicionado pelo brain shift, seria expectável encontrar uma taxa de implantes não centrais compensatórios maior no segundo lado implantado. Metodologia: Este estudo retrospetivo analisou os dados de vinte e um doentes com elétrodos bilaterais no núcleo subtalâmico. O objetivo deste trabalho é avaliar a taxa de implantação de elétrodos não centrais no 1.º e 2.º lados implantados e avaliar se esta é significativamente maior neste último. Resultados: Os resultados mostraram que houve mais trajetos não centrais no segundo lado implantado (28,6%), do que no primeiro lado implantado (19,0%), contudo esta diferença não foi estatisticamente significativa. Além disso, a lateralidade inicial não teve influência significativa na diferença entre taxas de elétrodos não centrais no 1.º e 2.º lado (valor- p do lado direito=0,223; valor-p do lado esquerdo=0,890). Discussão: Embora tenha sido observada uma tendência para uma maior colocação de elétrodos não centrais no segundo lado, a diferença não foi estatisticamente significativa, o que nos leva a pensar que outras fontes de erro além do brain shift contribuem para a escolha de elétrodos não centrais, nomeadamente, diferenças interindividuais na anatomia do Núcleo Subtalâmico, imprecisões no quadro estereotáxico, falhas mecânicas, distorções nas imagens pré-operatórias, erros de registo e ajustes intraoperatórios.Conclusão: A implantação de elétrodos não centrais, não se deve exclusivamente ao brain shift, mas a várias outras causas, as quais devem ser controladas e aperfeiçoadas caso queiramos prescindir da utilização de trajetórias não centrais. |
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| Autores principais: | Couto, Cláudia Columbano |
| Assunto: | Doença de Parkinson Estimulação cerebral profunda (ECP) Brain shift Trajetos não centrais Neurocirurgia |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A Estimulação Cerebral Profunda (ECP) é um procedimento cirúrgico eficaz para o tratamento das alterações motores da Doença de Parkinson (DP). Durante a cirurgia, pode ocorrer o fenómeno conhecido como brain shift, causado pela perda de líquido cefalorraquidiano, manipulação cerebral, efeitos da gravidade ou mudanças no volume do tecido cerebral. Este fenómeno, que pode aumentar com o tempo cirúrgico, é mais pronunciado no segundo lado implantado, podendo resultar em erros e impactar a eficácia e segurança da cirurgia. Deste modo, se a principal causa para serem implantados elétrodos não centrais fosse o desvio condicionado pelo brain shift, seria expectável encontrar uma taxa de implantes não centrais compensatórios maior no segundo lado implantado. Metodologia: Este estudo retrospetivo analisou os dados de vinte e um doentes com elétrodos bilaterais no núcleo subtalâmico. O objetivo deste trabalho é avaliar a taxa de implantação de elétrodos não centrais no 1.º e 2.º lados implantados e avaliar se esta é significativamente maior neste último. Resultados: Os resultados mostraram que houve mais trajetos não centrais no segundo lado implantado (28,6%), do que no primeiro lado implantado (19,0%), contudo esta diferença não foi estatisticamente significativa. Além disso, a lateralidade inicial não teve influência significativa na diferença entre taxas de elétrodos não centrais no 1.º e 2.º lado (valor- p do lado direito=0,223; valor-p do lado esquerdo=0,890). Discussão: Embora tenha sido observada uma tendência para uma maior colocação de elétrodos não centrais no segundo lado, a diferença não foi estatisticamente significativa, o que nos leva a pensar que outras fontes de erro além do brain shift contribuem para a escolha de elétrodos não centrais, nomeadamente, diferenças interindividuais na anatomia do Núcleo Subtalâmico, imprecisões no quadro estereotáxico, falhas mecânicas, distorções nas imagens pré-operatórias, erros de registo e ajustes intraoperatórios.Conclusão: A implantação de elétrodos não centrais, não se deve exclusivamente ao brain shift, mas a várias outras causas, as quais devem ser controladas e aperfeiçoadas caso queiramos prescindir da utilização de trajetórias não centrais. |
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