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Influência do sexo e da idade no comportamento migratório da cagarra Calonectris diomedea: um estudo baseado na assinatura isotópica das penas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Muitas aves marinhas, entre as quais as cagarras Calonectris diomedea, percorrem centenas de quilómetros durante a migração entre os locais de invernada e de reprodução. O conhecimento das suas rotas migratórias, da sua distribuição e abundância e da sua dinâmica populacional é crucial para que possamos aplicar medidas de conservação que evitem ou que minimizem a sua exposição aos impactos antropogénicos. Pretendeu-se com este trabalho contribuir para o conhecimento do comportamento migratório da cagarra. Para tal, avaliou-se se a composição isotópica das penas pode ser utilizada como indicador da localização das suas áreas de invernada, e analisou-se se existem diferenças nos padrões migratórios relacionadas com a idade e o sexo. Foram recolhidas amostras da pena primária 8 em 188 cagarras das quais se conhecia o sexo e a idade, pertencentes à colónia da Selvagem Grande, as quais foram posteriormente analisadas em laboratório para determinar a sua assinatura isotópica (razões dos isótopos de azoto e de carbono). A partir de uma sub-amostra de 45 aves para as quais era conhecida a área de invernada (com base no seguimento por geolocalização) foi possível construir um modelo discriminante com base nos valores de isótopos, o que permitiu saber, para cada uma das restantes aves, se migrou ou não migrou. A maioria das aves estudadas migrou (89%), tendo o restante permanecido nas imediações do local de nidificação (na corrente das Canárias) durante o período de inverno. Foram encontradas diferenças significativas na tendência para migrar relacionada com o sexo e a idade das aves: todas as fêmeas migraram, enquanto que alguns machos, em particular os mais velhos, permaneceram junto da colónia durante a época de invernada. Esta diferença pode estar relacionada com a vantagem que estes terão em chegar mais cedo aos locais de nidificação na época seguinte, uma vez que os machos das cagarras são altamente territoriais no que diz respeito à escolha do ninho. Este estudo permitiu também confirmar que a análise isotópica das penas é um método fidedigno e alternativo à utilização de sistemas de seguimento electrónico no estudo de questões particulares da migração.
Autores principais:Marques, Mariana Pereira de Sousa, 1978-
Assunto:Aves marinhas Cagarra Migração Selvagem Grande Teses de mestrado - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Muitas aves marinhas, entre as quais as cagarras Calonectris diomedea, percorrem centenas de quilómetros durante a migração entre os locais de invernada e de reprodução. O conhecimento das suas rotas migratórias, da sua distribuição e abundância e da sua dinâmica populacional é crucial para que possamos aplicar medidas de conservação que evitem ou que minimizem a sua exposição aos impactos antropogénicos. Pretendeu-se com este trabalho contribuir para o conhecimento do comportamento migratório da cagarra. Para tal, avaliou-se se a composição isotópica das penas pode ser utilizada como indicador da localização das suas áreas de invernada, e analisou-se se existem diferenças nos padrões migratórios relacionadas com a idade e o sexo. Foram recolhidas amostras da pena primária 8 em 188 cagarras das quais se conhecia o sexo e a idade, pertencentes à colónia da Selvagem Grande, as quais foram posteriormente analisadas em laboratório para determinar a sua assinatura isotópica (razões dos isótopos de azoto e de carbono). A partir de uma sub-amostra de 45 aves para as quais era conhecida a área de invernada (com base no seguimento por geolocalização) foi possível construir um modelo discriminante com base nos valores de isótopos, o que permitiu saber, para cada uma das restantes aves, se migrou ou não migrou. A maioria das aves estudadas migrou (89%), tendo o restante permanecido nas imediações do local de nidificação (na corrente das Canárias) durante o período de inverno. Foram encontradas diferenças significativas na tendência para migrar relacionada com o sexo e a idade das aves: todas as fêmeas migraram, enquanto que alguns machos, em particular os mais velhos, permaneceram junto da colónia durante a época de invernada. Esta diferença pode estar relacionada com a vantagem que estes terão em chegar mais cedo aos locais de nidificação na época seguinte, uma vez que os machos das cagarras são altamente territoriais no que diz respeito à escolha do ninho. Este estudo permitiu também confirmar que a análise isotópica das penas é um método fidedigno e alternativo à utilização de sistemas de seguimento electrónico no estudo de questões particulares da migração.