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A esfera armilar de D. Manuel I: visão celestial e providência astral

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Resumo:Nesta dissertação procuramos compreender o significado da esfera armilar no contexto cultural do rei D. Manuel I (1495-1521), o primeiro monarca português que teve como emblema (divisa) este instrumento. Procuramos clarificar e problematizar o que e este instrumento através de uma breve síntese histórica, chegando a conclusão que e a sua forma padrão que veio a servir como divisa manuelina. Em seguida problematizamos a interpretação de que a esfera armilar, quando foi atribuída, por D. João II, como divisa a D. Manuel, tinha já uma conotação de poder real, tal como foi sugerido pelas fontes coevas e pela historiografia actual. Partindo do mote que acompanha a divisa manuelina – esperança em Deus – analisamos o fenómeno cultural de associação entre a esfera armilar e a virtude teologal da esperança. Para tal encontramos na filosofia de Marsílio Ficino um modelo explicativo para a compreensão deste fenómeno. Defendemos que a esfera armilar tinha um lugar central na teoria da redenção do filósofo, e que era por ele concebida como um dispositivo astro-magico. Em seguida, exploramos uma tradição de exegese bíblica desenvolvida desde o seculo XII por uma linha de pensadores sefarditas, com tendências cabalísticas, que interpretaram a Tora (Pentateuco) a luz da filosofia e da astrologia. Esta abordagem bíblica devera ter influenciado pensadores cristãos no final do seculo XV, e parece estar relacionada com Ficino. Apresentamos indícios de que estes pensadores encontraram conhecimento astronómico na Tora. Mais concretamente argumentamos que interpretaram o Tabernáculo/Templo como referentes a estrutura do cosmos, tal como uma esfera armilar, e que os querubins bíblicos seriam entendidos como componentes dessa estrutura. Exploramos, por ultimo, o papel da esfera armilar no contexto do reinado de D. Manuel I, enquadrando-a na ideologia messiânica predominante. Exploramos a possibilidade da influência do pensamento hebraico sobre o entendimento da esfera armilar durante o reinado manuelino. Argumentamos que o mais prolífero e paradigmático modelo visual da esfera armilar, presente em toda a iconografia manuelina, se trata da interpretação de uma teofania descrita nos livros bíblicos.
Autores principais:Godinho, Carlos Eduardo Ferreira
Assunto:Esfera armilar D. Manuel I Exegese Astronomia Judeus Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nesta dissertação procuramos compreender o significado da esfera armilar no contexto cultural do rei D. Manuel I (1495-1521), o primeiro monarca português que teve como emblema (divisa) este instrumento. Procuramos clarificar e problematizar o que e este instrumento através de uma breve síntese histórica, chegando a conclusão que e a sua forma padrão que veio a servir como divisa manuelina. Em seguida problematizamos a interpretação de que a esfera armilar, quando foi atribuída, por D. João II, como divisa a D. Manuel, tinha já uma conotação de poder real, tal como foi sugerido pelas fontes coevas e pela historiografia actual. Partindo do mote que acompanha a divisa manuelina – esperança em Deus – analisamos o fenómeno cultural de associação entre a esfera armilar e a virtude teologal da esperança. Para tal encontramos na filosofia de Marsílio Ficino um modelo explicativo para a compreensão deste fenómeno. Defendemos que a esfera armilar tinha um lugar central na teoria da redenção do filósofo, e que era por ele concebida como um dispositivo astro-magico. Em seguida, exploramos uma tradição de exegese bíblica desenvolvida desde o seculo XII por uma linha de pensadores sefarditas, com tendências cabalísticas, que interpretaram a Tora (Pentateuco) a luz da filosofia e da astrologia. Esta abordagem bíblica devera ter influenciado pensadores cristãos no final do seculo XV, e parece estar relacionada com Ficino. Apresentamos indícios de que estes pensadores encontraram conhecimento astronómico na Tora. Mais concretamente argumentamos que interpretaram o Tabernáculo/Templo como referentes a estrutura do cosmos, tal como uma esfera armilar, e que os querubins bíblicos seriam entendidos como componentes dessa estrutura. Exploramos, por ultimo, o papel da esfera armilar no contexto do reinado de D. Manuel I, enquadrando-a na ideologia messiânica predominante. Exploramos a possibilidade da influência do pensamento hebraico sobre o entendimento da esfera armilar durante o reinado manuelino. Argumentamos que o mais prolífero e paradigmático modelo visual da esfera armilar, presente em toda a iconografia manuelina, se trata da interpretação de uma teofania descrita nos livros bíblicos.