Publicação
A memória na cidade e os baluartes de Alcântara : reabilitação e restauro no espaço da cidade : valores e contributos da Lisboa do passado para uma conceção da Lisboa do presente e futuro.
| Resumo: | Como tema de projecto final, esta tese incide sobre uma temática importante na situação actual, urbanística e arquitectónica, que se vive na cidade de Lisboa. Deste espaço resulta um processo cíclico inerente à evolução das cidades: a reabilitação do património edificado, excepcional ou não, o qual, devido à passagem do tempo, carece de intervenção de maior ou menor profundidade. Com o envelhecimento da população e a grande expansão imobiliária das últimas décadas, assistiu-se a uma dilatação do espaço urbano para fora do núcleo central. Este apresenta-se carenciado de uma intervenção e reinvenção, a nível de estruturas, de construção, de planeamento e de programática. Devido ao seu crescente abandono e às mudanças da dinâmica social, verifica-se uma crescente necessidade de voltar a olhar para o interior das cidades, realizando um planeamento global e pensado, de forma a resolver as variadas problemáticas desta complexa questão. O trabalho irá, assim, centrar-se na questão da História da Arquitectura, do seu papel na cidade moderna e da memória das estruturas do passado. Mais especificamente sobre os testemunhos de arquitectura militar que outrora existiam na zona de Alcântara, na área compreendida entre o antigo Tribunal Marítimo e o Palácio das Necessidades. Estes exemplos de arquitectura defensiva do Período da Restauração, constituíram, em tempos, marcos da paisagem, definindo o limite da cidade e a entrada em Lisboa. Esta parte do seu passado, desconhecido por muitos, constitui um aspecto de elevado interesse, e os seus vestígios arqueológicos e históricos são merecedores de saírem da obscuridade do esquecimento e de serem trazidos à luz do dia. Esta intervenção incidirá numa análise e projecto de reabilitação da antiga fábrica SOL, da CUF, adjunta ao edifício e plataforma do antigo Tribunal Marítimo e às áreas de armazéns, viradas para a Avenida 24 de Julho, assim como do espaço urbano envolvente e da área de estacionamento da Marinha. Esta reformulação passaria assim por estabelecer uma ligação com o lado oposto da linha de comboio, a frente de rio e a sua vertente de cultura e lazer, em particular com o Museu do Oriente, se não a nível físico, pelo menos do ponto de vista conceptual. O programa será de cariz cultural, tomando no entanto em consideração a situação socioeconómica da capital e do país, procurando criar um espaço rentável e auto-suficiente, que atraia e responda aos interesses e necessidades da sociedade contemporânea, mas em constante diálogo com a criação de um pólo educativo, e tendo em vista o respeito pela sua memória e valores patrimoniais. O programa incluirá um espaço expositivo e de eventos, associado a um centro interpretativo arqueológico dedicado às pré-existências, ao passado do local de implantação e à sua vertente militar. Este aspecto seria transposto para o espaço público, fazendo com que este valioso espólio e a sua memória fizessem parte intrínseca da vivência diária. As restantes áreas incluirão igualmente uma biblioteca, espaços de ateliers e oficinas, recintos industriais, galerias de arte, espaços comerciais e de restauração. O objectivo deste exercício passaria pela preservação dos valores do passado, através da sua aplicação na vida e arquitectura contemporâneas, integrando-os na morfologia arquitectónica do edificado e no espaço público, alertando para estes conhecimentos e para o seu contributo na concepção do restauro e intervenção na cidade de Lisboa e na cidade moderna. |
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| Autores principais: | Azevedo, José Pedro Anacleto Arroja Lobo |
| Assunto: | Arquitetura militar Reabilitação Alcântara Conectividade Cultura Sustentabilidade Military architecture Memory Rehabilitation Connectivity Culture Sustainability |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Como tema de projecto final, esta tese incide sobre uma temática importante na situação actual, urbanística e arquitectónica, que se vive na cidade de Lisboa. Deste espaço resulta um processo cíclico inerente à evolução das cidades: a reabilitação do património edificado, excepcional ou não, o qual, devido à passagem do tempo, carece de intervenção de maior ou menor profundidade. Com o envelhecimento da população e a grande expansão imobiliária das últimas décadas, assistiu-se a uma dilatação do espaço urbano para fora do núcleo central. Este apresenta-se carenciado de uma intervenção e reinvenção, a nível de estruturas, de construção, de planeamento e de programática. Devido ao seu crescente abandono e às mudanças da dinâmica social, verifica-se uma crescente necessidade de voltar a olhar para o interior das cidades, realizando um planeamento global e pensado, de forma a resolver as variadas problemáticas desta complexa questão. O trabalho irá, assim, centrar-se na questão da História da Arquitectura, do seu papel na cidade moderna e da memória das estruturas do passado. Mais especificamente sobre os testemunhos de arquitectura militar que outrora existiam na zona de Alcântara, na área compreendida entre o antigo Tribunal Marítimo e o Palácio das Necessidades. Estes exemplos de arquitectura defensiva do Período da Restauração, constituíram, em tempos, marcos da paisagem, definindo o limite da cidade e a entrada em Lisboa. Esta parte do seu passado, desconhecido por muitos, constitui um aspecto de elevado interesse, e os seus vestígios arqueológicos e históricos são merecedores de saírem da obscuridade do esquecimento e de serem trazidos à luz do dia. Esta intervenção incidirá numa análise e projecto de reabilitação da antiga fábrica SOL, da CUF, adjunta ao edifício e plataforma do antigo Tribunal Marítimo e às áreas de armazéns, viradas para a Avenida 24 de Julho, assim como do espaço urbano envolvente e da área de estacionamento da Marinha. Esta reformulação passaria assim por estabelecer uma ligação com o lado oposto da linha de comboio, a frente de rio e a sua vertente de cultura e lazer, em particular com o Museu do Oriente, se não a nível físico, pelo menos do ponto de vista conceptual. O programa será de cariz cultural, tomando no entanto em consideração a situação socioeconómica da capital e do país, procurando criar um espaço rentável e auto-suficiente, que atraia e responda aos interesses e necessidades da sociedade contemporânea, mas em constante diálogo com a criação de um pólo educativo, e tendo em vista o respeito pela sua memória e valores patrimoniais. O programa incluirá um espaço expositivo e de eventos, associado a um centro interpretativo arqueológico dedicado às pré-existências, ao passado do local de implantação e à sua vertente militar. Este aspecto seria transposto para o espaço público, fazendo com que este valioso espólio e a sua memória fizessem parte intrínseca da vivência diária. As restantes áreas incluirão igualmente uma biblioteca, espaços de ateliers e oficinas, recintos industriais, galerias de arte, espaços comerciais e de restauração. O objectivo deste exercício passaria pela preservação dos valores do passado, através da sua aplicação na vida e arquitectura contemporâneas, integrando-os na morfologia arquitectónica do edificado e no espaço público, alertando para estes conhecimentos e para o seu contributo na concepção do restauro e intervenção na cidade de Lisboa e na cidade moderna. |
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