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Os filhos dos "retornados": a experiência africana e a criação de memórias, pós-memórias e representações na pós-colonialidade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Após mais de três décadas pautadas por um forte silêncio analítico no que diz respeito à presença portuguesa em África no período que constitui o “último capítulo” do império português, esta dissertação discute as memórias, pós memórias e representações que surgem da experiência africana e do abrupto retorno após a revolução de Abril de 1974, tendo como base não apenas os testemunhos daqueles que viveram os espaços africanos entre as décadas de 1950 e 1970 (“retornados”) mas também dos seus filhos. A partir destes últimos relatos, de uma geração que não experienciou o espaço ou o tempo vivido pelos pais, procura-se compreender de que forma a experiência africana se manifestou “à escala” do lar, entre narrativas, silêncios, artefactos e, acima de tudo, como essas manifestações influenciaram as pós-memórias e representações destes indivíduos que vivem entre uma memória nacional dominante, e as memórias familiares. Num presente em que o passado colonial é tantas vezes “demonizado” ou romantizado (notadamente a partir do chamado “marketing da nostalgia” ou “literatura de retornados”), importa compreender as visões daqueles que constituem a última personificação da presença colonial portuguesa no continente africano, assim como dos indivíduos que, num contexto europeu, num Portugal depois de Abril, crescem em lugares onde a África do passado terá estado sempre presente – geração da pósmemória.
Autores principais:Machado, Bruno Ricardo Delgado,1982-
Assunto:Migração de retorno - Portugal - séc.20 Memória colectiva Representações sociais Gerações Descolonização Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Após mais de três décadas pautadas por um forte silêncio analítico no que diz respeito à presença portuguesa em África no período que constitui o “último capítulo” do império português, esta dissertação discute as memórias, pós memórias e representações que surgem da experiência africana e do abrupto retorno após a revolução de Abril de 1974, tendo como base não apenas os testemunhos daqueles que viveram os espaços africanos entre as décadas de 1950 e 1970 (“retornados”) mas também dos seus filhos. A partir destes últimos relatos, de uma geração que não experienciou o espaço ou o tempo vivido pelos pais, procura-se compreender de que forma a experiência africana se manifestou “à escala” do lar, entre narrativas, silêncios, artefactos e, acima de tudo, como essas manifestações influenciaram as pós-memórias e representações destes indivíduos que vivem entre uma memória nacional dominante, e as memórias familiares. Num presente em que o passado colonial é tantas vezes “demonizado” ou romantizado (notadamente a partir do chamado “marketing da nostalgia” ou “literatura de retornados”), importa compreender as visões daqueles que constituem a última personificação da presença colonial portuguesa no continente africano, assim como dos indivíduos que, num contexto europeu, num Portugal depois de Abril, crescem em lugares onde a África do passado terá estado sempre presente – geração da pósmemória.