Publicação

Correlatos neurocomportamentais da experiência de blackout alcoólico numa população de dependentes do alcoólico sem défices cognitivos clinicamente aparentes

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O blackout alcoólico define um episódio amnésico induzido pelo consumo do álcool, durante o qual o indivíduo está consciente, orientado, podendo mesmo participar em qualquer tipo de actividade. Os números referentes à ocorrência de BA comprovam que se trata de um fenómeno bastante comum na população consumidora de álcool. A literatura é bastante limitada, relativamente ao estudo da relação entre o BA e a capacidade neurocognitiva do doente alcoólico e omissa, no que concerne à exploração da caracterização emocional e sócio-comportamental da sua ocorrência. A amostra (N=46) do estudo foi recrutada na consulta de Etilo-Risco do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria. O funcionamento cognitivo foi influenciado pelo grau de envolvimento com álcool, pelos anos de doença alcoólica, pela história de hospitalização, ou desintoxicação do álcool e pelo padrão de consumo do álcool tendencialmente isolado. Os episódios de blackout alcoólico foram reportados em 75% dos casos, sendo a prevalência mais elevada dos BA fragmentados (100%) do que em bloco (33.3%). Avaliados comparativamente em termos neurocognitivos, os indivíduos que reportaram BA também em bloco, obtiveram piores performances ao nível da capacidade mnésica visual. Não se verificou qualquer relação entre o funcionamento cognitivo e a prevalência da ocorrência de BA. Os comportamentos de condução de veículos motorizados, não se lembrar como regressou a casa, ter perpetrado algum tipo de comportamento violento, foram as actividades mais relatadas durante o período de BA. A reacção emocional5 proveniente da experiência de BA foi assinaladamente de preocupação (66.7%) e culpabilidade (63.6%). A interferência do BA no padrão de consumo de bebidas alcoólicas da população dependente do álcool é limitada. No entanto, quando modificada (diminuir ou parar de beber) deriva de uma base emocional de culpabilidade e preocupação associada à ocorrênc
Autores principais:Pombo, Samuel Filipe Gomes, 1979-
Assunto:Blackout alcoólico Alcoolismo Comportamento Função neurocognitiva Estudo comparativo Teses de mestrado - 2007
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O blackout alcoólico define um episódio amnésico induzido pelo consumo do álcool, durante o qual o indivíduo está consciente, orientado, podendo mesmo participar em qualquer tipo de actividade. Os números referentes à ocorrência de BA comprovam que se trata de um fenómeno bastante comum na população consumidora de álcool. A literatura é bastante limitada, relativamente ao estudo da relação entre o BA e a capacidade neurocognitiva do doente alcoólico e omissa, no que concerne à exploração da caracterização emocional e sócio-comportamental da sua ocorrência. A amostra (N=46) do estudo foi recrutada na consulta de Etilo-Risco do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria. O funcionamento cognitivo foi influenciado pelo grau de envolvimento com álcool, pelos anos de doença alcoólica, pela história de hospitalização, ou desintoxicação do álcool e pelo padrão de consumo do álcool tendencialmente isolado. Os episódios de blackout alcoólico foram reportados em 75% dos casos, sendo a prevalência mais elevada dos BA fragmentados (100%) do que em bloco (33.3%). Avaliados comparativamente em termos neurocognitivos, os indivíduos que reportaram BA também em bloco, obtiveram piores performances ao nível da capacidade mnésica visual. Não se verificou qualquer relação entre o funcionamento cognitivo e a prevalência da ocorrência de BA. Os comportamentos de condução de veículos motorizados, não se lembrar como regressou a casa, ter perpetrado algum tipo de comportamento violento, foram as actividades mais relatadas durante o período de BA. A reacção emocional5 proveniente da experiência de BA foi assinaladamente de preocupação (66.7%) e culpabilidade (63.6%). A interferência do BA no padrão de consumo de bebidas alcoólicas da população dependente do álcool é limitada. No entanto, quando modificada (diminuir ou parar de beber) deriva de uma base emocional de culpabilidade e preocupação associada à ocorrênc