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Aliviando o sofrimento : o processo de acompanhamento de enfermagem ao doente em final de vida

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Resumo:Na fase final de vida, a dor e o sofrimento correm parelhas e são uma constante. A enfermeira é o elemento da equipa de saúde que mais de perto e durante mais tempo lida com o sofrimento do doente. Ela tem a seu cargo a sua avaliação, compreensão e alívio. A literatura, no entanto, não propicia uma clara evidência sobre a forma como as enfermeiras o fazem. Compreender a forma como se desenvolve o processo de intervenção de enfermagem no alívio do sofrimento do doente em final de vida, internado numa unidade hospitalar, é o objectivo central deste estudo. Desenvolveu-se uma investigação de natureza qualitativa, utilizando-se o método da Grounded Theory e uma triangulação de dados obtidos através de diversas técnicas: observação participante, entrevistas formais e informais, análise de registos de enfermagem, transcrição de uma passagem de turno e notas de campo. Participaram no estudo 19 enfermeiros de uma unidade hospitalar, 9 doentes internados na mesma unidade e 19 familiares.. Os achados revelam que a intervenção de enfermagem para o alívio do sofrimento do doente em final de vida desenvolve-se através de um processo de acompanhamento de enfermagem que é interaccional, dinâmico, integral e sistemático. Numa primeira fase, os enfermeiros percepcionam, identificam e avaliam este tipo de sofrimento e descrevem-no como uma experiência dramática e multidimensional, caracterizada por sentimentos de dor, medo, ansiedade, angústia, inquietação, impotência, tristeza e desespero, e que está relacionado com a consciencialização da situação terminal. a ausência de futuro, a incerteza do devir, o medo de morrer. Na segunda fase, os enfermeiros intervêm (1) ajudando o doente a viver os últimos dias de vida, ao proporcionar-lhe conforto físico, ao ajudá-lo a aceitar a realidade, ao apoiá-lo emocionalmente, ao harmonizar o ambiente à sua volta e ao proporcionar-lhe a presença dos amigos e familiares e (2) ajudando-o a morrer, ao satisfazer os seus últimos desejos e necessidades espirituais, ao proporcionar-lhe a presença e conforto dos familiares, e ao confortá-lo no momento de morrer. Ao confrontar-se com o sofrimento e morte do doente, o enfermeiro sofre também, porque toma consciência da sua própria finitude e sente-se impotente face à morte, mas através da relação profunda que estabelece com cada doente que acompanha no sofrimento e no processo de morrer, o enfermeiro aprende, cresce e amadurece tornando-se mais apto para lidar com o sofrimento e a morte.
Autores principais:Martins, Maria Clara Sales Fernandes Correia, 1955-
Assunto:Sofrimento Doentes terminais Acompanhamento de doentes Enfermagem Teses de doutoramento - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Na fase final de vida, a dor e o sofrimento correm parelhas e são uma constante. A enfermeira é o elemento da equipa de saúde que mais de perto e durante mais tempo lida com o sofrimento do doente. Ela tem a seu cargo a sua avaliação, compreensão e alívio. A literatura, no entanto, não propicia uma clara evidência sobre a forma como as enfermeiras o fazem. Compreender a forma como se desenvolve o processo de intervenção de enfermagem no alívio do sofrimento do doente em final de vida, internado numa unidade hospitalar, é o objectivo central deste estudo. Desenvolveu-se uma investigação de natureza qualitativa, utilizando-se o método da Grounded Theory e uma triangulação de dados obtidos através de diversas técnicas: observação participante, entrevistas formais e informais, análise de registos de enfermagem, transcrição de uma passagem de turno e notas de campo. Participaram no estudo 19 enfermeiros de uma unidade hospitalar, 9 doentes internados na mesma unidade e 19 familiares.. Os achados revelam que a intervenção de enfermagem para o alívio do sofrimento do doente em final de vida desenvolve-se através de um processo de acompanhamento de enfermagem que é interaccional, dinâmico, integral e sistemático. Numa primeira fase, os enfermeiros percepcionam, identificam e avaliam este tipo de sofrimento e descrevem-no como uma experiência dramática e multidimensional, caracterizada por sentimentos de dor, medo, ansiedade, angústia, inquietação, impotência, tristeza e desespero, e que está relacionado com a consciencialização da situação terminal. a ausência de futuro, a incerteza do devir, o medo de morrer. Na segunda fase, os enfermeiros intervêm (1) ajudando o doente a viver os últimos dias de vida, ao proporcionar-lhe conforto físico, ao ajudá-lo a aceitar a realidade, ao apoiá-lo emocionalmente, ao harmonizar o ambiente à sua volta e ao proporcionar-lhe a presença dos amigos e familiares e (2) ajudando-o a morrer, ao satisfazer os seus últimos desejos e necessidades espirituais, ao proporcionar-lhe a presença e conforto dos familiares, e ao confortá-lo no momento de morrer. Ao confrontar-se com o sofrimento e morte do doente, o enfermeiro sofre também, porque toma consciência da sua própria finitude e sente-se impotente face à morte, mas através da relação profunda que estabelece com cada doente que acompanha no sofrimento e no processo de morrer, o enfermeiro aprende, cresce e amadurece tornando-se mais apto para lidar com o sofrimento e a morte.