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Estudo transversal das doenças abortivas de origem bacteriana no sistema de produção de bovinos leiteiros do concelho de Nordeste, São Miguel, Açores

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Resumo:O concelho de Nordeste, Ilha de S. Miguel - Açores, tem como principal actividade económica a pecuária de bovinos. Informações do Centro de Saúde de Nordeste indicavam que em 2005 as zoonoses registadas naquele concelho foram a brucelose e a leptospirose, podendo ambas ser transmitidas ao Homem a partir de bovinos infectados e de produtos de origem animal, nomeadamente, leite e lacticínios, entre outras fontes. Definiram-se como principais objectivos deste estudo a determinação da seroprevalência de algumas zoonoses de origem bacteriana responsáveis por abortos em vacas (brucelose, leptospirose e clamidiose) nas explorações agrícolas leiteiras do concelho e o estudo das características do sistema de produção que possam favorecer a sua disseminação e manutenção. Foram colhidos soros de 118 explorações leiteiras, seleccionadas aleatoriamente de uma forma proporcional ao número de efectivos existentes em 3 classes de tamanho, entre Novembro de 2006 e Maio de 2007. Para a brucelose (B. abortus), o método de diagnóstico usado foram os testes oficiais do Rosa de Bengala e da Fixação de Complemento. A seroprevalência das explorações foi de 0,85% (1/118) (IC95% de >0 a 2,16%), e a animal foi de 0,18% (4/2252) (IC95% de 0,05 a 0,31%). Para a leptospirose, as 2153 amostras de soro de vacas não vacinadas foram testadas pelo método do Teste de Micro Aglutinação (TAM) na diluição mínima de 1:100, e 393 foram positivas (18,3%; IC95% 17,7 a 19,5%). A prevalência de explorações seropositivas foi de 61,1% (IC95% de 53,1 a 68,0%). Foram testados 13 serovares, e identificados 9, mas não foi possível fazer o estudo da seroprevalência do serovar Hardjo, por este requerer diluições mais baixas, embora fosse suspeito de estar presente em infecção endémica. O serogrupo Sejroe foi o mais importante por apresentar a seguinte seroprevalência de serovares: Saxkoebing 67,9% e Wolffi 0,5%. O segundo serogrupo mais frequente foi o Icterohaemorrhagiae com os serovares Icterohaemorrhagiae, 14,8% e Copenhageni, 8,4%. Depois foram os serogrupos: Autumnalis (serovar Autumnalis 7,1%); Ballum (serovar Arborea 7,1%); Australis (serovar Bratislava 5,6%); Tarassovi (serovar Tarassovi 1,8%) e Canicola (serovar Canicola 1,8%). A coaglutinação com associação de L. ballum arborea e L. autumnalis autumnalis foi a que apresentou maior frequência, seguida da associação L. icterohaemorrhagiae icterohaemorrhagiae e L. icterohaemorrhagiae copenhageni. Para a clamidiose, foi usado o método de ELISA indireto para a pesquisa de anticorpos da Chlamydophila abortus e a seroprevalência das explorações foi de 82,9% (IC95% de 76,7 a 89,1%) e a animal foi de 14,0% (IC95% de 12,9 a 15,1%). O estudo do sistema de produção evidenciou práticas de maneio estatísticamente associados à presença de animais seropositivos. Para a leptospirose foram: manadas conjuntas (OR 3,8), épocas de parto superiores a 9 meses (OR 4,8), compra de fêmeas (OR 3,2), quer a outros produtores (OR 2,5), quer a impérios (OR 6,3). Para a clamidiose, foi: época de partos superior a 9 meses (OR 3,4). O problema de aborto em vacas secas sugeriu estatisticamente associado à leptospirose (OR 4,4), e à clamidiose surgiram associados os problemas de metrites (OR 10,3) e de mastites (OR 6,1). São avançadas recomendações para o controlo destas doenças e para a protecção da saúde pública, no concelho do Norteste.
Autores principais:Lima, Rui Daniel Ferreira
Assunto:Zoonose Brucelose Leptospirose Clamidiose Açores Nordeste Zoonosis Brucellosis Leptospirosis Chlamydiosis
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O concelho de Nordeste, Ilha de S. Miguel - Açores, tem como principal actividade económica a pecuária de bovinos. Informações do Centro de Saúde de Nordeste indicavam que em 2005 as zoonoses registadas naquele concelho foram a brucelose e a leptospirose, podendo ambas ser transmitidas ao Homem a partir de bovinos infectados e de produtos de origem animal, nomeadamente, leite e lacticínios, entre outras fontes. Definiram-se como principais objectivos deste estudo a determinação da seroprevalência de algumas zoonoses de origem bacteriana responsáveis por abortos em vacas (brucelose, leptospirose e clamidiose) nas explorações agrícolas leiteiras do concelho e o estudo das características do sistema de produção que possam favorecer a sua disseminação e manutenção. Foram colhidos soros de 118 explorações leiteiras, seleccionadas aleatoriamente de uma forma proporcional ao número de efectivos existentes em 3 classes de tamanho, entre Novembro de 2006 e Maio de 2007. Para a brucelose (B. abortus), o método de diagnóstico usado foram os testes oficiais do Rosa de Bengala e da Fixação de Complemento. A seroprevalência das explorações foi de 0,85% (1/118) (IC95% de >0 a 2,16%), e a animal foi de 0,18% (4/2252) (IC95% de 0,05 a 0,31%). Para a leptospirose, as 2153 amostras de soro de vacas não vacinadas foram testadas pelo método do Teste de Micro Aglutinação (TAM) na diluição mínima de 1:100, e 393 foram positivas (18,3%; IC95% 17,7 a 19,5%). A prevalência de explorações seropositivas foi de 61,1% (IC95% de 53,1 a 68,0%). Foram testados 13 serovares, e identificados 9, mas não foi possível fazer o estudo da seroprevalência do serovar Hardjo, por este requerer diluições mais baixas, embora fosse suspeito de estar presente em infecção endémica. O serogrupo Sejroe foi o mais importante por apresentar a seguinte seroprevalência de serovares: Saxkoebing 67,9% e Wolffi 0,5%. O segundo serogrupo mais frequente foi o Icterohaemorrhagiae com os serovares Icterohaemorrhagiae, 14,8% e Copenhageni, 8,4%. Depois foram os serogrupos: Autumnalis (serovar Autumnalis 7,1%); Ballum (serovar Arborea 7,1%); Australis (serovar Bratislava 5,6%); Tarassovi (serovar Tarassovi 1,8%) e Canicola (serovar Canicola 1,8%). A coaglutinação com associação de L. ballum arborea e L. autumnalis autumnalis foi a que apresentou maior frequência, seguida da associação L. icterohaemorrhagiae icterohaemorrhagiae e L. icterohaemorrhagiae copenhageni. Para a clamidiose, foi usado o método de ELISA indireto para a pesquisa de anticorpos da Chlamydophila abortus e a seroprevalência das explorações foi de 82,9% (IC95% de 76,7 a 89,1%) e a animal foi de 14,0% (IC95% de 12,9 a 15,1%). O estudo do sistema de produção evidenciou práticas de maneio estatísticamente associados à presença de animais seropositivos. Para a leptospirose foram: manadas conjuntas (OR 3,8), épocas de parto superiores a 9 meses (OR 4,8), compra de fêmeas (OR 3,2), quer a outros produtores (OR 2,5), quer a impérios (OR 6,3). Para a clamidiose, foi: época de partos superior a 9 meses (OR 3,4). O problema de aborto em vacas secas sugeriu estatisticamente associado à leptospirose (OR 4,4), e à clamidiose surgiram associados os problemas de metrites (OR 10,3) e de mastites (OR 6,1). São avançadas recomendações para o controlo destas doenças e para a protecção da saúde pública, no concelho do Norteste.