Publicação
Factores virológicos moleculares na transmissão mãe-filho do Vírus da Imunodeficiência Humana:caracterização de um grupo de mães infectadas na Região Norte do País
| Resumo: | O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) afecta actualmente, cerca de 2 milhões de crianças em todo o mundo, na sua grande maioria, por via vertical e em países sem acesso a anti-retrovíricos. A diversidade de VIH e o desenvolvimento de estirpes resistentes dificulta a eficácia da terapia, o diagnóstico molecular e a produção de vacinas. O número crescente de novas variantes de VIH-1 na população tem colocado várias questões sobre a sua diferente transmissibilidade e/ou virulência. No presente estudo pretendeu-se conhecer, de forma específica, a nível regional, a transmissão mãe-filho de VIH, tendo como objectivo a caracterização de um grupo de 26 mães infectadas da região do Porto, e a posterior comparação dos resultados com grupos de mães infectadas (transmissoras e não transmissoras) da região de Lisboa. A taxa de transmissão mãe-filho do VIH-1 calculada para o período de 2007- 2008 foi de 0,09% no grupo de Lisboa e de 0% no grupo do Porto. Estes reduzidos valores, em conjunto com os baixos níveis de ARN VIH-1 detectados nas mães do Porto, enfatizam a importância da eficácia da terapêutica no controlo da replicação viral e na redução do risco de transmissão vertical. A classificação molecular de VIH-1 em mães infectadas do Porto, realizada por análise filogenética após amplificação e sequenciação dos genes env (região V3-V5) e nef, revelou uma maior frequência de formas virais BG (53%) e uma menor diversidade viral (subtipo B e formas recombinadas BG e AG) comparativamente com os grupos de mães de Lisboa. A elevada prevalência de variantes não B, verificada nas duas regiões (60% no Porto e 70% em Lisboa) e, predominantemente, associada a mães africanas, corrobora a alteração do padrão molecular da infecção em Portugal nos últimos anos, em consequência da população imigrante residente no país. Apesar da forma AG apresentar uma maior frequência em mães transmissoras (23,1%), não foram encontradas diferenças significativas para a transmissão preferencial das variantes virais. A alteração dos motivos funcionais de sequências Env e Nef também não pareceu estar associada à transmissão vertical. Contudo, a ocorrência de assinaturas, principalmente, em formas virais não B, parece sugerir que a conservação ou não destes motivos se deve à diversidade viral. Este facto vem reforçar a importância da realização de estudos que analisem a influência destes polimorfismos no decurso da infecção |
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| Autores principais: | Bandeira, Vanessa Sofia Lúcio |
| Assunto: | Biologia molecular HIV Transmissão vertical Teses de mestrado |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) afecta actualmente, cerca de 2 milhões de crianças em todo o mundo, na sua grande maioria, por via vertical e em países sem acesso a anti-retrovíricos. A diversidade de VIH e o desenvolvimento de estirpes resistentes dificulta a eficácia da terapia, o diagnóstico molecular e a produção de vacinas. O número crescente de novas variantes de VIH-1 na população tem colocado várias questões sobre a sua diferente transmissibilidade e/ou virulência. No presente estudo pretendeu-se conhecer, de forma específica, a nível regional, a transmissão mãe-filho de VIH, tendo como objectivo a caracterização de um grupo de 26 mães infectadas da região do Porto, e a posterior comparação dos resultados com grupos de mães infectadas (transmissoras e não transmissoras) da região de Lisboa. A taxa de transmissão mãe-filho do VIH-1 calculada para o período de 2007- 2008 foi de 0,09% no grupo de Lisboa e de 0% no grupo do Porto. Estes reduzidos valores, em conjunto com os baixos níveis de ARN VIH-1 detectados nas mães do Porto, enfatizam a importância da eficácia da terapêutica no controlo da replicação viral e na redução do risco de transmissão vertical. A classificação molecular de VIH-1 em mães infectadas do Porto, realizada por análise filogenética após amplificação e sequenciação dos genes env (região V3-V5) e nef, revelou uma maior frequência de formas virais BG (53%) e uma menor diversidade viral (subtipo B e formas recombinadas BG e AG) comparativamente com os grupos de mães de Lisboa. A elevada prevalência de variantes não B, verificada nas duas regiões (60% no Porto e 70% em Lisboa) e, predominantemente, associada a mães africanas, corrobora a alteração do padrão molecular da infecção em Portugal nos últimos anos, em consequência da população imigrante residente no país. Apesar da forma AG apresentar uma maior frequência em mães transmissoras (23,1%), não foram encontradas diferenças significativas para a transmissão preferencial das variantes virais. A alteração dos motivos funcionais de sequências Env e Nef também não pareceu estar associada à transmissão vertical. Contudo, a ocorrência de assinaturas, principalmente, em formas virais não B, parece sugerir que a conservação ou não destes motivos se deve à diversidade viral. Este facto vem reforçar a importância da realização de estudos que analisem a influência destes polimorfismos no decurso da infecção |
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