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Relação entre as resistências aos antibióticos e o consumo de antibióticos em Portugal : uma abordagem ecológica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: Portugal é um país com um elevado consumo de antibióticos e uma proporção preocupante de resistência das bactérias aos mesmos. Em Portugal desconhece-se o padrão de utilização dos antibióticos nos últimos anos, bem como a sua associação com as resistências bacterianas e com os internamentos hospitalares. O objetivo deste estudo foi caracterizar o padrão de consumo de antibióticos em ambulatório, correlacionar esse padrão com o perfil de resistências aos antibióticos a nível nacional e ainda associar o consumo de antibióticos com os internamentos por infeções bacterianas dos tratos respiratório e urinário Materiais e métodos: Estudo de análise secular de tendências que descreve o consumo de antibióticos entre 2004 e 2015 em Portugal e relaciona, do ponto de vista ecológico, o consumo com as resistências aos antibióticos e com os internamentos devido a infeções do trato respiratório e urinário. O estudo recorre a três bases de dados independentes e anonimizadas. O consumo mensal de antibióticos foi obtido através do sistema de informação SICMED/hmR, que é uma base de dados dos medicamentos dispensados em farmácias comunitárias. A proporção anual de estirpes bacterianas resistentes foi obtida através do sistema de monitorização realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), entre 2004 e 2015, sendo que para algumas estirpes a informação encontrava-se disponível apenas entre 2006 e 2015. A informação mensal dos internamentos foi obtida através da informação dos Grupos de Diagnóstico Homogéneo (GDH), para os anos de 2011 a 2015. Os dados foram descritos utilizando estatística descritiva e foram utilizadas correlações de Pearson (ou Spearman quando aplicável) para relacionar o rácio de antibióticos de largo e estreito espectro e a proporção de resistências bacterianas. Por fim, utilizou-se uma regressão linear múltipla para associar o consumo de antibióticos indicados para infeções do trato respiratório e urinário e os episódios de internamento devido aos mesmos motivos. Todas as análises foram efetuadas com o SPSS v. 21 e considerou-se um nível de significância de 5%. Resultados: Observou-se que o consumo de antibióticos em Portugal tem vindo a decrescer nos últimos 12 anos (-45,4%). Contudo o rácio do consumo de antibióticos de espectro largo e estreito aumentou de 13,4 para 41,6, entre 2004 e 2015, respetivamente. Demonstrou-se uma correlação forte e positiva entre o rácio do consumo de antibióticos de espectro largo e estreito e a maioria das estirpes bacterianas resistentes vigiadas, tendo-se demonstrado uma correlação positiva muito elevada, em particular, com a proporção de Klebsiella pneumoniae resistentes a fluoroquinolonas (r=0,955; valor-p<0,001) e a cefalosporinas de terceira geração (r=0,950; valor-p<0,001). Por fim, os modelos realizados indicam que o consumo de antibióticos das classes de penicilinas e quinolonas explicam 87,6% (valor-p<0,001) da variação do número de internamentos motivados por infeções respiratória e o consumo de antibióticos das classes de penicilinas, sulfonamidas e outras explicam 78,0% (valor-p<0,001) da variação do número de internamentos. motivados por infeções urinárias. Quando considerados ambos os tipos de infeção, o consumo de penicilinas e sulfonamidas explicam 88,5% (valor-p<0,001) da sua variabilidade. Conclusões: Os resultados deste estudo sugerem que as resistências bacterianas estão associadas ao consumo de antibióticos de largo espectro, sendo que ambas têm aumentado ao longo dos anos analisados. Os resultados sugerem também que o consumo de penicilinas e quinolonas poderão explicar a variabilidade observada nos internamentos motivados infeções respiratórias, bem como o consumo de penicilinas, sulfonamidas e outros antibióticos poderão explicar a variabilidade do número de internamentos por infeções urinárias. Considerando o número de internamentos motivados por ambas as infeções, os consumos de penicilinas e sulfonamidas explicam numa maior proporção a sua variabilidade.
Autores principais:Gomes, Marta Alexandra Vargas
Assunto:Utilização de medicamentos Antibióticos Resistências Internamentos e infeções Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: Portugal é um país com um elevado consumo de antibióticos e uma proporção preocupante de resistência das bactérias aos mesmos. Em Portugal desconhece-se o padrão de utilização dos antibióticos nos últimos anos, bem como a sua associação com as resistências bacterianas e com os internamentos hospitalares. O objetivo deste estudo foi caracterizar o padrão de consumo de antibióticos em ambulatório, correlacionar esse padrão com o perfil de resistências aos antibióticos a nível nacional e ainda associar o consumo de antibióticos com os internamentos por infeções bacterianas dos tratos respiratório e urinário Materiais e métodos: Estudo de análise secular de tendências que descreve o consumo de antibióticos entre 2004 e 2015 em Portugal e relaciona, do ponto de vista ecológico, o consumo com as resistências aos antibióticos e com os internamentos devido a infeções do trato respiratório e urinário. O estudo recorre a três bases de dados independentes e anonimizadas. O consumo mensal de antibióticos foi obtido através do sistema de informação SICMED/hmR, que é uma base de dados dos medicamentos dispensados em farmácias comunitárias. A proporção anual de estirpes bacterianas resistentes foi obtida através do sistema de monitorização realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), entre 2004 e 2015, sendo que para algumas estirpes a informação encontrava-se disponível apenas entre 2006 e 2015. A informação mensal dos internamentos foi obtida através da informação dos Grupos de Diagnóstico Homogéneo (GDH), para os anos de 2011 a 2015. Os dados foram descritos utilizando estatística descritiva e foram utilizadas correlações de Pearson (ou Spearman quando aplicável) para relacionar o rácio de antibióticos de largo e estreito espectro e a proporção de resistências bacterianas. Por fim, utilizou-se uma regressão linear múltipla para associar o consumo de antibióticos indicados para infeções do trato respiratório e urinário e os episódios de internamento devido aos mesmos motivos. Todas as análises foram efetuadas com o SPSS v. 21 e considerou-se um nível de significância de 5%. Resultados: Observou-se que o consumo de antibióticos em Portugal tem vindo a decrescer nos últimos 12 anos (-45,4%). Contudo o rácio do consumo de antibióticos de espectro largo e estreito aumentou de 13,4 para 41,6, entre 2004 e 2015, respetivamente. Demonstrou-se uma correlação forte e positiva entre o rácio do consumo de antibióticos de espectro largo e estreito e a maioria das estirpes bacterianas resistentes vigiadas, tendo-se demonstrado uma correlação positiva muito elevada, em particular, com a proporção de Klebsiella pneumoniae resistentes a fluoroquinolonas (r=0,955; valor-p<0,001) e a cefalosporinas de terceira geração (r=0,950; valor-p<0,001). Por fim, os modelos realizados indicam que o consumo de antibióticos das classes de penicilinas e quinolonas explicam 87,6% (valor-p<0,001) da variação do número de internamentos motivados por infeções respiratória e o consumo de antibióticos das classes de penicilinas, sulfonamidas e outras explicam 78,0% (valor-p<0,001) da variação do número de internamentos. motivados por infeções urinárias. Quando considerados ambos os tipos de infeção, o consumo de penicilinas e sulfonamidas explicam 88,5% (valor-p<0,001) da sua variabilidade. Conclusões: Os resultados deste estudo sugerem que as resistências bacterianas estão associadas ao consumo de antibióticos de largo espectro, sendo que ambas têm aumentado ao longo dos anos analisados. Os resultados sugerem também que o consumo de penicilinas e quinolonas poderão explicar a variabilidade observada nos internamentos motivados infeções respiratórias, bem como o consumo de penicilinas, sulfonamidas e outros antibióticos poderão explicar a variabilidade do número de internamentos por infeções urinárias. Considerando o número de internamentos motivados por ambas as infeções, os consumos de penicilinas e sulfonamidas explicam numa maior proporção a sua variabilidade.