Publicação
Microbial evolution of vascular graft infections in a tertiary hospital : a ten-year analysis on positive graft cultures
| Resumo: | Introdução: A infeção protésica vascular é uma complicação grave da cirurgia vascular reconstrutiva. Uma antibioterapia dirigida ao agente infecioso mais provável é essencial para a sua abordagem. A epidemiologia bacteriana e fisiopatologia desta infeção continuam pouco esclarecidas. Este trabalho teve como objetivo analisar o comportamento das infeções protésicas vasculares e os padrões de resistência antimicrobiana da sua flora. Material e métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo de dez anos (2008-2018) incluindo todos os doentes admitidos com infeção protésica vascular identificados através culturas de enxerto positivas. Foi efetuada uma extensa análise microbiológica, incluindo a os microorganismos infeciosos, resistência antibiótica e a respetiva prevalência no total e em cada ano de estudo. Resultados: Foram observadas setenta e duas infeções protésicas vasculares em 65 pacientes. A média de idade foi 67 (DP:9.6) anos e 84.6% eram do sexo masculino. A mortalidade associada à infeção foi de10.8%. Catorze doentes foram submetidos bypass aorto-bi-femoral, 13 bypass axilo-femoral, 5 bypass femoro-femoral, 27 bypass femoro-popliteus, 4 endartectomia femoral e angioplastia com patch sintético. A mediana de tempo desde a cirurgia index à infeção foi maior nos enxertos intra-cavitários comparativamente aos extra-cavitários (p=0.011). De todas as infeções, 48 foram monomicrobianas e 24 polimicrobianas. Os agentes gram-negativos foram predominantemente identificados nas infeções intra-cavitárias (53.8%), enquanto nas extracavitárias os agentes gram-positivos foram os mais frequentes (57.7%). As bactérias multiresistentes foram isoladas mais frequentemente nas infeções precoces (p=0.002). Durante o estudo, foi observada uma diminuição dos agentes gram-positivos e um aumento dos gramnegativos, especialmente das espécies extensamente resistentes. Foi observada uma progressão microbiológica semelhante nas infeções nosocomiais do mesmo centro hospitalar. Conclusão: Este estudo demonstrou que a microbiologia das infeções protésicas vasculares varia com a localização do enxerto, com o tempo desde a cirurgia de revascularização e ao longo dos anos, com uma evolução semelhante às infeções nosocomiais do mesmo centro. Estas observações reforçam a importância do estudo da microbiologia de cada centro hospitalar de modo a garantir o melhor tratamento possível destes doentes. |
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| Autores principais: | Martins, Beatriz Nunes |
| Assunto: | Infeção protésica vascular Prótese vascular Bactérias multi-resistentes Evolução microbiológica Cirurgia vascular |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A infeção protésica vascular é uma complicação grave da cirurgia vascular reconstrutiva. Uma antibioterapia dirigida ao agente infecioso mais provável é essencial para a sua abordagem. A epidemiologia bacteriana e fisiopatologia desta infeção continuam pouco esclarecidas. Este trabalho teve como objetivo analisar o comportamento das infeções protésicas vasculares e os padrões de resistência antimicrobiana da sua flora. Material e métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo de dez anos (2008-2018) incluindo todos os doentes admitidos com infeção protésica vascular identificados através culturas de enxerto positivas. Foi efetuada uma extensa análise microbiológica, incluindo a os microorganismos infeciosos, resistência antibiótica e a respetiva prevalência no total e em cada ano de estudo. Resultados: Foram observadas setenta e duas infeções protésicas vasculares em 65 pacientes. A média de idade foi 67 (DP:9.6) anos e 84.6% eram do sexo masculino. A mortalidade associada à infeção foi de10.8%. Catorze doentes foram submetidos bypass aorto-bi-femoral, 13 bypass axilo-femoral, 5 bypass femoro-femoral, 27 bypass femoro-popliteus, 4 endartectomia femoral e angioplastia com patch sintético. A mediana de tempo desde a cirurgia index à infeção foi maior nos enxertos intra-cavitários comparativamente aos extra-cavitários (p=0.011). De todas as infeções, 48 foram monomicrobianas e 24 polimicrobianas. Os agentes gram-negativos foram predominantemente identificados nas infeções intra-cavitárias (53.8%), enquanto nas extracavitárias os agentes gram-positivos foram os mais frequentes (57.7%). As bactérias multiresistentes foram isoladas mais frequentemente nas infeções precoces (p=0.002). Durante o estudo, foi observada uma diminuição dos agentes gram-positivos e um aumento dos gramnegativos, especialmente das espécies extensamente resistentes. Foi observada uma progressão microbiológica semelhante nas infeções nosocomiais do mesmo centro hospitalar. Conclusão: Este estudo demonstrou que a microbiologia das infeções protésicas vasculares varia com a localização do enxerto, com o tempo desde a cirurgia de revascularização e ao longo dos anos, com uma evolução semelhante às infeções nosocomiais do mesmo centro. Estas observações reforçam a importância do estudo da microbiologia de cada centro hospitalar de modo a garantir o melhor tratamento possível destes doentes. |
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