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Ser professor : percursos de formação e de construção identitária : contributos para uma construçao subjectiva da profissão docente

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Em que grau é que as medidas educativas que são hoje tomadas relativamente aos professores contribuem para a sua formação e construção identitária? Esta interrogação constituiu o ponto de partida este estudo, que deu enfoque à biografia educativa nos seus contributos para o conhecimento e o desenvolvimento do perfil de formatividade e de.identificação profissional dos professores. Neste quadro e face à necessidade sentida de integrá-lo numa investigação que ganhasse significado não apenas como procura do conhecimento de um processo específico, mas, que tomasse lugar e sentido no que constitui a essência do ser professor, o estudo incidiu nos seguintes domínios: (a) identificação e caracterização, na reconstituição do tempo pessoal e profissional do professor, da importância e do sentido do seu processo de formatividade; (b) equacionamento, no quadro de uma história de vida, do relevo e do significado de factores e contextos que configuram uma forma singular de ser professor; (c) compreensão do modo como os conceitos de formação e de identidade, longe de se oporem, coexistem e interagem numa história de vida, como movimentos fundamentais que favorecem o ser professor; e (d) detecção das potencialidades do discurso biográfico, enquanto prática simbólica, estruturante e (re)criadora de sentidos. A consecução destas dimensões tem subjacente uma metodologia de natureza qualitativa. O estudo rege-se ainda por um código de condutas metodológicas, determinadas fundamentalmente pelas opções epistemológicas subjacentes ao paradigma da subjectividade e em função do carácter heurístico que reclama. Os processos utilizados na recolha de dados são os preconizados por Dominicé (1996) para a biografia educativa: a entrevista oral e a narrativa autobiográfica profissional. Participaram no estudo dois professores do Ensino Secundário que leccionam disciplinas diferentes, entre uma faixa de 15 a 20 anos de serviço docente e de um mesmo estabelecimento de ensino. Na análise de dados, o processo utilizado foi a análise de conteúdo, onde o movimento interpretativo alicerçou-se numa troca intersubjectiva entre narrador e investigador (Lainé, 1998; Ricoeur, 1989, 1995a). Os resultados deste estudo desenvolvem-se em duas dimensões, uma vez que se pretende equacionar os processos de formação e de identificação pessoal/profissional no decurso mas também pelo recurso a uma história de vida. A rememoração do processo de formação salienta as seguintes dimensões: (a) inscrição da formação numa história, numa trajectória de vida, tendo em conta, por um lado, lógicas diferenciadas que subentendem escolhas em matéria de formação e, por outro lado, o funcionamento particular e específico de aprendentes em situação de formação; (b) consciência do que condiciona a actividade de aprendizagem: características próprias, disposições pessoais (cognitivas, psíquicas, socio-afectivas) e modo particular de inserção social; (c) sentido de uma génese das estruturas de conhecimento ligada à própria história de vida, como primeiro ponto de impacto essencial da trajectória do sujeito sobre os seus processos de aprendizagem e formação; (d) requalificação das estruturas de conhecimento no uso e no decurso da história de vida pela aquisição de saberes que extrapolam o restritivamente disciplinar relevando o sujeito como um ser que se projecta no mundo, para além do mundo profissional e/ou que ganha operacionalidade através de actividades educativas situadas em contextos pedagógicos e sociais específicos, num entendimento da sua vertente experiencial; e (e) consciência de que a aprendizagem reveste-se de maior relevância e sentido em momentos fundamentais da vida, produto de um mobilização cognitiva e afectiva mais intensa mas sempre no equilíbrio entre um passado e um futuro. O processo de emergência de uma identidade pessoal e profissional no contexto de uma história de vida perspectiva-se segundo dois grandes eixos temáticos: (a) a identidade como negatividade: o fenómeno identitário como negação de identidade, negação de si, sentido da incompletude, do que se não é e que aspira a vir a ser, via para uma afirmação; e (b) a identidade como fenomenalidade da vida: a identidade não como um trabalho do tempo sobre o sujeito, mas como a forma tomada pela consciência subjectiva no tempo. Relativamente à interacção formação-identidade, as conclusões apontam para dois aspectos fundamentais: (a) uma interacção que e complementarizante; e (b) uma interacção que é autonomizante. Reportando-se às potencialidades da história vida no desenvolvimento de um perfil de formatividade e de um sentido de profissionalidade docente, as conclusões relevam ganhos de competência nos seguintes domínios: (a) componente hermenêutica; (b) dimensão da emancipação; (c) âmbito da formação experiencial; e (d) dimensão da conectividade. Com base nos resultados deste estudo, recomenda-se o repensar da abordagem biográfica no desenvolvimento profissional dos professores.
Autores principais:Ferraz, Maria Ricardina Henriques de Melo Pereira Bulha
Assunto:Professores - Formação Educação permanente Autonomia dos professores Identidade do professor Teses de mestrado - 2002
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em que grau é que as medidas educativas que são hoje tomadas relativamente aos professores contribuem para a sua formação e construção identitária? Esta interrogação constituiu o ponto de partida este estudo, que deu enfoque à biografia educativa nos seus contributos para o conhecimento e o desenvolvimento do perfil de formatividade e de.identificação profissional dos professores. Neste quadro e face à necessidade sentida de integrá-lo numa investigação que ganhasse significado não apenas como procura do conhecimento de um processo específico, mas, que tomasse lugar e sentido no que constitui a essência do ser professor, o estudo incidiu nos seguintes domínios: (a) identificação e caracterização, na reconstituição do tempo pessoal e profissional do professor, da importância e do sentido do seu processo de formatividade; (b) equacionamento, no quadro de uma história de vida, do relevo e do significado de factores e contextos que configuram uma forma singular de ser professor; (c) compreensão do modo como os conceitos de formação e de identidade, longe de se oporem, coexistem e interagem numa história de vida, como movimentos fundamentais que favorecem o ser professor; e (d) detecção das potencialidades do discurso biográfico, enquanto prática simbólica, estruturante e (re)criadora de sentidos. A consecução destas dimensões tem subjacente uma metodologia de natureza qualitativa. O estudo rege-se ainda por um código de condutas metodológicas, determinadas fundamentalmente pelas opções epistemológicas subjacentes ao paradigma da subjectividade e em função do carácter heurístico que reclama. Os processos utilizados na recolha de dados são os preconizados por Dominicé (1996) para a biografia educativa: a entrevista oral e a narrativa autobiográfica profissional. Participaram no estudo dois professores do Ensino Secundário que leccionam disciplinas diferentes, entre uma faixa de 15 a 20 anos de serviço docente e de um mesmo estabelecimento de ensino. Na análise de dados, o processo utilizado foi a análise de conteúdo, onde o movimento interpretativo alicerçou-se numa troca intersubjectiva entre narrador e investigador (Lainé, 1998; Ricoeur, 1989, 1995a). Os resultados deste estudo desenvolvem-se em duas dimensões, uma vez que se pretende equacionar os processos de formação e de identificação pessoal/profissional no decurso mas também pelo recurso a uma história de vida. A rememoração do processo de formação salienta as seguintes dimensões: (a) inscrição da formação numa história, numa trajectória de vida, tendo em conta, por um lado, lógicas diferenciadas que subentendem escolhas em matéria de formação e, por outro lado, o funcionamento particular e específico de aprendentes em situação de formação; (b) consciência do que condiciona a actividade de aprendizagem: características próprias, disposições pessoais (cognitivas, psíquicas, socio-afectivas) e modo particular de inserção social; (c) sentido de uma génese das estruturas de conhecimento ligada à própria história de vida, como primeiro ponto de impacto essencial da trajectória do sujeito sobre os seus processos de aprendizagem e formação; (d) requalificação das estruturas de conhecimento no uso e no decurso da história de vida pela aquisição de saberes que extrapolam o restritivamente disciplinar relevando o sujeito como um ser que se projecta no mundo, para além do mundo profissional e/ou que ganha operacionalidade através de actividades educativas situadas em contextos pedagógicos e sociais específicos, num entendimento da sua vertente experiencial; e (e) consciência de que a aprendizagem reveste-se de maior relevância e sentido em momentos fundamentais da vida, produto de um mobilização cognitiva e afectiva mais intensa mas sempre no equilíbrio entre um passado e um futuro. O processo de emergência de uma identidade pessoal e profissional no contexto de uma história de vida perspectiva-se segundo dois grandes eixos temáticos: (a) a identidade como negatividade: o fenómeno identitário como negação de identidade, negação de si, sentido da incompletude, do que se não é e que aspira a vir a ser, via para uma afirmação; e (b) a identidade como fenomenalidade da vida: a identidade não como um trabalho do tempo sobre o sujeito, mas como a forma tomada pela consciência subjectiva no tempo. Relativamente à interacção formação-identidade, as conclusões apontam para dois aspectos fundamentais: (a) uma interacção que e complementarizante; e (b) uma interacção que é autonomizante. Reportando-se às potencialidades da história vida no desenvolvimento de um perfil de formatividade e de um sentido de profissionalidade docente, as conclusões relevam ganhos de competência nos seguintes domínios: (a) componente hermenêutica; (b) dimensão da emancipação; (c) âmbito da formação experiencial; e (d) dimensão da conectividade. Com base nos resultados deste estudo, recomenda-se o repensar da abordagem biográfica no desenvolvimento profissional dos professores.