Publicação
Estudo da aplicação de corretivos derivados de resíduos orgânicos e minerais na melhoria das caraterísticas de um solo regrado por atividades mineiras
| Resumo: | A Faixa Piritosa Ibérica (FPI) constitui uma província metalogénica com importância à escala mundial, onde são conhecidas inúmeras minas, abandonadas ou ativas, cuja exploração levou a impactes negativos no meio ambiente. Com o abandono das minas, foi-se estendendo a contaminação dos solos e sistema hídrico circundante, com metais e metaloides, elevada acidez e salinidade. Na remediação in situ destes solos, podem ser utilizados corretivos derivados de resíduos, como por exemplo, composto de resíduos sólidos urbanos (RSU), rico em matéria orgânica (MO) e nutrientes, biochar, rico em MO estabilizada e com pH alcalino, e casca de ostra moída, rico em carbonato de cálcio, CaCO3, como corretivo alcalinizante. Este trabalho teve como objetivo avaliar a utilização destes corretivos derivados de resíduos na melhoria das caraterísticas de um solo recolhido na mina de Aljustrel (FPI), avaliando os benefícios do seu uso e as doses em que eles devem ser aplicados para a recuperação desse solo. O solo utilizado apresentava uma textura franco-argilosa, elevada acidez (pH=4,3), elevada salinidade (CE = 3,31 mS/cm), e baixo teor em MO (MO=1,36%) e em nutrientes essenciais (<10 mg P2O5/kg e <10 mg K2O/kg de P e K extraíveis). As concentrações totais de Cu, Zn, Pb e As ultrapassavam os valores limite recomendados pela Agência Portuguesa do Ambiente (1803,6; 659,2; 1925,6; e 1037,2 mg/kg, respetivamente), para solos industriais. A aplicação de biochar permitiu um aumento significativo do teor em MO, proporcional à dose aplicada, mas foi insuficiente, só por si, para corrigir a acidez do solo, não permitindo um aumento do pH acima de 5. Em contrapartida, a casca de ostra moída, sozinha ou em combinação com os outros corretivos, foi eficaz a corrigir a acidez do solo para valores próximos da neutralidade. O composto de RSU mostrou-se importante para fornecer MO e nutrientes ao solo, tendo-se verificado que a combinação dos três materiais, nas doses 64 g/kg (equivalente a 100 t/ha) para o composto de RSU e biochar, e de 11,5 g/kg (equivalente a 17,5 t/ha) para o pó de casca de ostra (O), constituiu a melhor solução, permitindo também diminuir significativamente a biodisponibilidade dos contaminantes, Cu, Zn, Pb e As, avaliada por extração com CaCl2 0,01M. |
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| Autores principais: | Santos ,Doriana Carina dos |
| Assunto: | pyrite mining mine-degraded soils soil amendments leachates waste exploração mineira de pirite solos degradados por atividades mineiras corretivos do solo lixiviados resíduos |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Faixa Piritosa Ibérica (FPI) constitui uma província metalogénica com importância à escala mundial, onde são conhecidas inúmeras minas, abandonadas ou ativas, cuja exploração levou a impactes negativos no meio ambiente. Com o abandono das minas, foi-se estendendo a contaminação dos solos e sistema hídrico circundante, com metais e metaloides, elevada acidez e salinidade. Na remediação in situ destes solos, podem ser utilizados corretivos derivados de resíduos, como por exemplo, composto de resíduos sólidos urbanos (RSU), rico em matéria orgânica (MO) e nutrientes, biochar, rico em MO estabilizada e com pH alcalino, e casca de ostra moída, rico em carbonato de cálcio, CaCO3, como corretivo alcalinizante. Este trabalho teve como objetivo avaliar a utilização destes corretivos derivados de resíduos na melhoria das caraterísticas de um solo recolhido na mina de Aljustrel (FPI), avaliando os benefícios do seu uso e as doses em que eles devem ser aplicados para a recuperação desse solo. O solo utilizado apresentava uma textura franco-argilosa, elevada acidez (pH=4,3), elevada salinidade (CE = 3,31 mS/cm), e baixo teor em MO (MO=1,36%) e em nutrientes essenciais (<10 mg P2O5/kg e <10 mg K2O/kg de P e K extraíveis). As concentrações totais de Cu, Zn, Pb e As ultrapassavam os valores limite recomendados pela Agência Portuguesa do Ambiente (1803,6; 659,2; 1925,6; e 1037,2 mg/kg, respetivamente), para solos industriais. A aplicação de biochar permitiu um aumento significativo do teor em MO, proporcional à dose aplicada, mas foi insuficiente, só por si, para corrigir a acidez do solo, não permitindo um aumento do pH acima de 5. Em contrapartida, a casca de ostra moída, sozinha ou em combinação com os outros corretivos, foi eficaz a corrigir a acidez do solo para valores próximos da neutralidade. O composto de RSU mostrou-se importante para fornecer MO e nutrientes ao solo, tendo-se verificado que a combinação dos três materiais, nas doses 64 g/kg (equivalente a 100 t/ha) para o composto de RSU e biochar, e de 11,5 g/kg (equivalente a 17,5 t/ha) para o pó de casca de ostra (O), constituiu a melhor solução, permitindo também diminuir significativamente a biodisponibilidade dos contaminantes, Cu, Zn, Pb e As, avaliada por extração com CaCl2 0,01M. |
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