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Prevalência de parasitas gastrointestinais e cardiorrespiratórios em gatos domésticos na Área Metropolitana de Lisboa

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os endoparasitas estão entre os agentes mais importantes da doença gastrointestinal e cardiorrespiratória, em cães e gatos, prejudicando a sua saúde e bem-estar e representando uma grave ameaça à Saúde Pública. Em Portugal, existe uma elevada incidência de agentes transmitidos por vetores, um problema emergente devido às alterações climáticas e à globalização. A prevalência atual e a distribuição geográfica de parasitas em felídeos são informações cruciais para o controlo de doenças animais e humanas. No entanto, os dados em gatos domésticos que não sejam de abrigos são escassos. Para este estudo, foram colhidas 60 amostras de sangue e 51 amostras fecais provenientes de 77 gatos domésticos, e analisadas segundo técnicas hematológicas, serológicas e coprológicas, entre janeiro e junho de 2020. Também fez parte deste estudo, a aplicação de 265 questionários a tutores da Área Metropolitana de Lisboa, a fim de avaliar os cuidados antiparasitários implementados e o seu conhecimento sobre doenças zoonóticas. Em geral, 24,7% dos animais estavam parasitados com pelo menos um endoparasita, 15,6% dos quais eram parasitas potencialmente transmissíveis ao ser humano. Os parasitas sanguíneos foram identificados com maior frequência, nomeadamente Mycoplasma spp. (18,3%). Os parasitas fecais identificados foram Cystoisospora spp. (7,8%), Ancylostoma tubaeforme (5,9%), Toxocara cati (3,9%) e Aelurostrongylus abstrusus (2,0%). Nas respostas ao questionário, verificou-se que 75,5% dos tutores realizavam desparasitação externa, no entanto apenas 10,6% cumpria a periodicidade indicada (mensalmente); 73,2% realizava desparasitação interna, contudo apenas 29,1% com a periodicidade indicada (mensalmente ou trimestralmente). Adicionalmente, constatou-se que os cuidados antiparasitários eram mais regulares nos tutores de gatos jovens e nos mais informados sobre doenças zoonóticas, sendo que apenas 26,4% dos tutores sabia o significado da palavra “zoonose” e 15,8% sabia indicar formas de infeção parasitária. Os resultados demonstram que o parasitismo não é raro em gatos domésticos e que, apesar da generalidade dos tutores desparasitar os seus animais, esta é efetuada em intervalos irregulares e ineficazes. Salienta-se a premência da realização de estudos epidemiológicos nas várias populações de felídeos em Portugal, assim como a consciencialização da população sobre fatores de risco, vias de infeção e medidas profiláticas a adotar perante doenças parasitárias e zoonóticas.
Autores principais:Freitas, Maria Inês Teixeira Guimarães Pinheiro de
Assunto:Gato Parasitose Saúde Pública Zoonose Cats Parasitoses Public Health Zoonoses
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os endoparasitas estão entre os agentes mais importantes da doença gastrointestinal e cardiorrespiratória, em cães e gatos, prejudicando a sua saúde e bem-estar e representando uma grave ameaça à Saúde Pública. Em Portugal, existe uma elevada incidência de agentes transmitidos por vetores, um problema emergente devido às alterações climáticas e à globalização. A prevalência atual e a distribuição geográfica de parasitas em felídeos são informações cruciais para o controlo de doenças animais e humanas. No entanto, os dados em gatos domésticos que não sejam de abrigos são escassos. Para este estudo, foram colhidas 60 amostras de sangue e 51 amostras fecais provenientes de 77 gatos domésticos, e analisadas segundo técnicas hematológicas, serológicas e coprológicas, entre janeiro e junho de 2020. Também fez parte deste estudo, a aplicação de 265 questionários a tutores da Área Metropolitana de Lisboa, a fim de avaliar os cuidados antiparasitários implementados e o seu conhecimento sobre doenças zoonóticas. Em geral, 24,7% dos animais estavam parasitados com pelo menos um endoparasita, 15,6% dos quais eram parasitas potencialmente transmissíveis ao ser humano. Os parasitas sanguíneos foram identificados com maior frequência, nomeadamente Mycoplasma spp. (18,3%). Os parasitas fecais identificados foram Cystoisospora spp. (7,8%), Ancylostoma tubaeforme (5,9%), Toxocara cati (3,9%) e Aelurostrongylus abstrusus (2,0%). Nas respostas ao questionário, verificou-se que 75,5% dos tutores realizavam desparasitação externa, no entanto apenas 10,6% cumpria a periodicidade indicada (mensalmente); 73,2% realizava desparasitação interna, contudo apenas 29,1% com a periodicidade indicada (mensalmente ou trimestralmente). Adicionalmente, constatou-se que os cuidados antiparasitários eram mais regulares nos tutores de gatos jovens e nos mais informados sobre doenças zoonóticas, sendo que apenas 26,4% dos tutores sabia o significado da palavra “zoonose” e 15,8% sabia indicar formas de infeção parasitária. Os resultados demonstram que o parasitismo não é raro em gatos domésticos e que, apesar da generalidade dos tutores desparasitar os seus animais, esta é efetuada em intervalos irregulares e ineficazes. Salienta-se a premência da realização de estudos epidemiológicos nas várias populações de felídeos em Portugal, assim como a consciencialização da população sobre fatores de risco, vias de infeção e medidas profiláticas a adotar perante doenças parasitárias e zoonóticas.